sexta-feira, 8 de junho de 2018

Vereador de Votorantim é investigado por uso irregular do carro oficial da Câmara

Por Priscila Mota e Wilson Gonçalves Jr., TV TEM

Áudios gravados comprovam que José Antônio de Oliveira (DEM) utilizava o veículo para levar moradores para consultas médicas em São Paulo e outras cidades da região.

Vereador de Votorantim é investigado por uso irregular do carro oficial da Câmara (Foto: Reprodução/TV TEM)

O vereador José Antônio de Oliveira (DEM), conhecido como Gaguinho, está sendo investigado por utilizar o carro oficial da Câmara de Votorantim (SP) para levar moradores para consultas médicas em São Paulo e outras cidades da região.

Apesar de conversas gravadas comprovarem que o político sabia do esquema, Gaguinho negou que tinha conhecimento das viagens e exonerou dois assessores parlamentares, acusando-os de transportarem os moradores irregularmente sem avisá-lo.

À TV TEM, o vereador disse que só vai se manifestar sobre o assunto após conversar com os advogados.

O veículo oficial aparece em uma foto sendo usado para deixar uma cesta básica e com uma cadeira de rodas no porta-malas. Um homem, que prefere não se identificar, diz que foi um dos beneficiados pelo transporte irregular.

"Eu ligava lá na Câmara e marcava. Eu fui quatro vezes para o Ame de Sorocaba, minha mulher foi fazer endoscopia duas vezes", conta.
Durante uma conversa gravada por outro paciente, o vereador autoriza uma viagem a São Paulo e pede para que ele entre em contato com o assessor para combinar tudo. Em outra ligação, o morador agradece a ajuda e Gaguinho diz que não vai poder oferecer o serviço sempre.

Denúncias
O esquema foi denunciado pelos ex-assessores do vereador, que foram exonerados no fim de maio. No documento, Gaguinho diz que só se deu conta da irregularidade quando recebeu uma nota de refeição no valor de R$ 118 de uma das viagens, mas um dos funcionários confirmou que tudo era autorizado pelo político.

"Tudo era o vereador que autorizava. A gente era apenas funcionário do vereador. Apesar de ser assessor, a gente obedecia ordem do vereador, então tudo era autorização do vereador", explica Renan Martins dos Santos.
O outro ex-assessor contou que era comum fazer viagens particulares a pedido do vereador. Em uma foto, os dois aparecem em Itaporanga, cidade a quase 300 quilômetros de Votorantim.

"Ele foi passear, fomos na basílica de Itaporanga, fomos até em sítios que ele tem conhecidos que moravam em Votorantim e agora moram em Itaporanga", conta Ozeas dos Santos Maciel.

Gaguinho negou as acusações e, mesmo sem saber explicar muito bem o que foi fazer em Itaporanga, disse que foi à trabalho. O vereador também alegou que desconhece as gravações nas quais fala sobre as viagens oferecidas para os moradores.

"Estive na Câmara Municipal, na Prefeitura Municipal, que até então eu não conhecia, e buscar projetos e ideias com os outros vereadores. Nós vamos ver o que houve ali para estar esclarecendo melhor", disse o vereador.

Gaguinho negou as acusações e disse que desconhece as gravações (Foto: Reprodução/TV TEM)

Processo administrativo
A investigação, que começou como uma medida disciplinar para apurar possíveis irregularidades cometidas pelos antigos funcionários da Câmara, virou um processo administrativo, que também deve avaliar as responsabilidades do vereador no uso do carro oficial.

Se for o caso, o processo vai determinar a restituição dos gastos com viagens que não estavam relacionadas ao trabalho de Gaguinho na Câmara.

O orçamento para combustível da Câmara é de R$ 54 mil por ano para os 11 vereadores. A primeira informação passada pela assessoria era de que o valor destinado para esse gasto chegava a R$ 46 mil.

Por lei, os carros oficiais só podem ser usados pelo vereador responsável e por assessores contratados. São permitidas somente quatro viagens longas por mês, mas o presidente da Câmara, Bruno Martins, diz que não há controle sobre os gastos.

"O único controle exato da quilometragem que nós temos justamente é na hora de abastecer, mas nós não temos poder total de investigar o uso de cada vereador todos os dias, porque o trabalho dos vereadores é muito complexo."




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