quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Associação do Parque pede ajuda para concluir sede

Matheus Casagrande
Folha de Votorantim
Justamente por falta de apoio e recursos, o projeto de construção da sede da Associação de Moradores dos Bairros Parque Bela Vista e Jardim Maria José teve que sofrer alterações. Inicialmente, estava prevista a construção de três pavimentos, o subsolo, o térreo e o primeiro andar, mas este último foi eliminado.

“Estou construindo esta associação há mais de 12 anos”, diz o presidente da entidade, Daniel Sentelhas. Apesar das dificuldades, as obras estão em andamento. Sentelhas diz que a intenção é concluir o térreo até abril próximo. “Isso é feito com o dinheiro de feijoada, de fazer pizza...”, diz ele, se referindo aos eventos que a associação realiza para a arrecadação de dinheiro, enquanto caminha pela construção, em um prédio na rua Joana Milani, 96.

O empecilho em construir a sede não impede que o presidente tenha ainda mais planos para a associação. Tão logo o prédio possa ser utilizado, Sentelhas quer colocar um atendente na associação, que ficará disponível para que os moradores façam suas reivindicações. A própria associação então as encaminharia ao poder público. Outra intenção é implantar cursos de geração de renda para os moradores, como bordado, pintura, renda e informática, entre outros.

A maior de suas ambições para a associação é implementar um projeto que ele conheceu na cidade de Jundiaí, executada também por uma associação de moradores. “Gostaríamos de criar uma guarda particular do bairro, pois hoje somos carentes da área da segurança. Mas, para desenvolver isso, eu preciso de mais colaboração do morador e, principalmente, do comerciante”, explica Sentelhas.

Segundo estimativa do próprio Sentelhas, existem, no Parque Bela Vista e no Jardim Maria José, mais de três mil residências, ao passo que a associação possui 260 sócios. “A maioria paga R$ 3 por mês. Alguns colaboram com R$ 5 ou R$ 10.” A falta de apoio é uma tristeza para Sentelhas. “Outro dia, uma comerciante abriu mão de colaborar com R$ 3 por mês alegando dificuldade financeira. Poxa vida...”, lamenta ele.

“Envolvido há pelo menos 15 anos” com a associação, Sentelhas está no cargo de presidente há oito (quatro gestões de dois anos cada). Paralelamente às suas articulações enquanto líder comunitário, ele é vice-presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Votorantim (Apevo), da qual já foi presidente. Mas a história da Apevo é diferente. Ao encabeçar uma série de ações judiciais de recuperação de perdas para os aposentados, a entidade recebeu uma boa quantia oriunda das vitórias obtidas na Justiça, o que serviu para construir uma sede dotada de boa infra-estrutura para seus associados.

Quando não encontra apoio nem mesmo daqueles que seriam os beneficiados pelas melhorias que ele quer tentar implementar, Sentelhas é questionado: “Por que ainda insiste com esta associação?” No lugar da resposta, uma pergunta: “Se eu responder, você vai acreditar em mim?”

Ciente de que muita gente não acredita em sua boa fé, ele responde: “Sabe quando tem uma mulher que não quer saber de você, só te maltrata, e, mesmo assim, você gosta dela? É a mesma coisa.”

Pelo que afirma Sentelhas, foram as dificuldades enfrentadas pelo povo de Votorantim quando a cidade era um distrito de Sorocaba que o motivou a se envolver e lutar por melhorias. Foi esta a realidade que ele vislumbrou quando se mudou para o município, aos seis anos de idade, em 1949. Na ocasião, seu pai havia fundado uma fábrica no bairro Votocel.

Em 1968, com 25 anos, ele se mudou para São Caetano do Sul, para trabalhar na ZF do Brasil. Quando a unidade de Sorocaba da mesma empresa foi aberta, em 1980, Sentelhas voltou para Votorantim. Foi quando ele construiu sua residência no Parque Bela Vista. Em 1988, se aposentou, mas chegou a trabalhar em São Paulo ainda, antes de iniciar suas atividades como líder comunitário. “Eu sei que muita gente não acredita e diz por aí que eu faço isso tudo para me aparecer, mas a minha alegria é essa, servir a comunidade. Eu quero construir essas coisas por causa dos jovens iguais a você. Para que eles tenham algo quando ficarem velhos como eu”, diz Sentelhas.

Problemas do bairro

Da porta pra fora do prédio em construção da associação de moradores, Daniel Sentelhas também tem muitas queixas. Além da criminalidade, ele reclama das ruas esburacadas, da sujeira nos terrenos e da falta de placas de nomes de rua. “E o erro não é só da prefeitura. Tem muitas casas que também não tem número aqui”, protesta. A respeito desses problemas, Sentelhas já enviou vários ofícios ao prefeito Carlos Augusto Pivetta. “Eles respondem que tal problema foi encaminhado a tal setor, de tal secretaria. Nada que esclareça alguma coisa”, comenta Sentelhas.

Mas a maior preocupação dele mesmo é a respeito da Praça dos Expedicionários, localizada na confluência das avenidas São João e Matheus Conegero. O prefeito já revelou, em entrevista exclusiva à reportagem da Folha de Votorantim para o especial de aniversário da cidade, em dezembro, que pretende reformar o local. Segundo Sentelhas, os moradores, assim como ele próprio, estão aflitos por conta de comentários de que a prefeitura pretende retirar as árvores da praça que estão com as raízes expostas - justamente as que fazem sombra - mantendo apenas algumas palmeiras.

Outra informação que vazou para os munícipes é sobre a retirada do palco da praça. Além de não ser utilizado, existe muita reclamação de que ele atrapalha a visão do trânsito para quem contorna a praça.

Mas Daniel Sentelhas é contrário à retirada do palco e pensa que ele deveria, no máximo, ser mudado de local. Ele observa que o palco não atrapalha a visão do motorista, desde que ele respeite a sinalização e pare no cruzamento antes de acessar a avenida São João (descendo em direção ao centro) ou a Matheus Conegero (sentido bairro). “O que acontece é que os motoristas querem entrar na avenida sem parar. Dessa forma, o palco fica na frente mesmo”, argumenta.

Ainda segundo as informações obtidas por Sentelhas, o projeto prevê também a diminuição do espaço físico da praça para a criação de vagas de estacionamento. Sentelhas também lamenta a sujeira na praça e o estado daquilo que foi um chafariz, atualmente desativado. “Queremos uma praça boa e que sejam realizadas aqui homenagens aos expedicionários, pois é esse o intuito desta praça”, reivindica Daniel Sentelhas.
Resposta da prefeitura
Questionado pela reportagem, o prefeito Carlos Augusto Pivetta, em nota enviada por sua assessoria de imprensa, afirmou que há um pré-projeto em estudo sendo realizado que prevê o atendimento de reivindicações dos moradores daquela região. “Assim que definido, ele será apresentado aos representantes do bairro. Posteriormente a esse procedimento, será encaminhado para licitação e execução das obras”, diz a nota.

Quanto à manutenção do local, a Secretaria de Serviços Públicos informa que a última foi realizada na segunda quinzena de janeiro deste ano, assim como estava previsto, para esta semana, serviços de capinação e poda das plantas e árvores.

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