Matheus Casagrande
Folha de Votorantim
Na próxima sexta-feira (26), faz um ano que o prefeito Carlos Augusto Pivetta (PT) deu início, em caráter experimental, à proibição da circulação de caminhões com mais de dois eixos nas avenidas 31 de Março e Gisele Constantino. Embora a medida tenha funcionado em seu início, trazendo benefícios imediatos sentidos pelos comerciantes e transeuntes do centro, o tráfego pesado voltou ao centro um ano depois, conforme pode ser observado por quem circula pela 31 de Março.
O primeiro a reivindicar providências junto às autoridades foi o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Votorantim (Acev), Eder Santos Benetti. "Nós, os comerciantes, somos os que mais ficaram contentes com a proibição, na época, e somos os mais afetados pelo tráfego pesado."
Muitos lojistas procuraram a Acev para reclamar sobre a situação. Há cerca de dez dias, Benetti enviou ofícios ao prefeito Pivetta e ao comando do 40º Batalhão de Polícia Militar do Interior. Até a tarde de ontem, ainda não havia obtido resposta. "Eu espero que se intensifique a fiscalização", diz ele, que tem certeza que os caminhões que podem ser vistos pela avenida não são apenas aqueles que têm o alvará da prefeitura, concedido aos motoristas que não têm como evitar de passar pelas avenidas - em sua maioria são pessoas que residem na cidade.
Benetti observa que o retorno das carretas "foi gradual". "Só em um primeiro momento [quando da proibição, em que houve campanha de conscientização e operações constantes de fiscalização da Polícia Militar], houve uma queda brusca. A prefeitura alega que apenas a PM pode multar. Então as fiscalizações pararam, ficou tudo largado, e os caminhões começaram a voltar a circular. A partir das 16h30 da tarde, a avenida fica um inferno", afirma o presidente da Acev.
Entre os malefícios do tráfego de carretas para os comerciantes, Benetti cita vários, como a poluição (ele diz que muitos comerciantes reclamam que não conseguem manter limpos seus estabelecimentos, por causa da fuligem expelida pelos caminhões), os congestionamentos e até mesmo a "falta de respeito" dos caminhoneiros.
"Depois de uma atitude louvável como essa do Pivetta, que foi a proibição dos caminhões, deixar o tráfego pesado voltar seria um retrocesso", critica Eder Benetti. "E se abrandar a fiscalização, vai voltar", acrescenta.
Quem transitar com caminhões com mais de dois eixos nas avenidas 31 de Março ou Gisele Constantino está sujeito a multa de R$ 127 e quatro pontos na Carteira Nacional de Habilitação. Existem três rotas alternativas: as rodovias João Leme dos Santos (SP-264) e Raposo Tavares (SP-270) e o acesso 103 da rodovia Raimundo Antunes Soares (SP-079).
“Abusados”
Procurado pela reportagem, o secretário de Segurança Comunitária, Trânsito e Transporte, Claudinei Fernando de Paula Ribeiro, afirmou que "infelizmente, alguns caminhoneiros abusam mesmo". Ele observa que normalmente os caminhoneiros já sabem, com antecedência, se está havendo fiscalização antes de chegar à avenida. "Eles se comunicam via rádio", explica o secretário. "Mas a população pode ficar tranquila, porque a maioria dos caminhões que desrespeitam a lei está sendo autuada."
A prefeitura também conta com um agente de trânsito, nomeado pouco depois de a medida ter sido publicada, que tem permissão para autuar os caminhoneiros. "Esse agente de trânsito não veste uniforme. Ele fica despercebido. Quando passa um caminhão na avenida, ele anota a placa. Se o veículo não tiver alvará, o proprietário é autuado", diz Claudinei Ribeiro.
Desde abril de 2009, só o agente da prefeitura realizou 988 autuações. No último mês de janeiro, foram 59. Até ontem, foram 35 neste mês. Segundo o secretário, mais cinco novos agentes serão nomeados na próxima sexta-feira (26), curiosamente, quando a medida completa um ano de seu início.
Ribeiro destaca ainda que a lei permite a circulação de caminhões com até dois eixos e também de carretas que forem efetuar descarga nas referidas avenidas, desde que o motorista apresente nota fiscal. "Em vista aos mil caminhões por dia que eram registrados na 31 de Março, segundo levantamento do Grupo Votorantim, acredito que este projeto é um sucesso", diz Ribeiro.
O secretário reitera que "a prefeitura está empenhada para que a lei funcione". Um exemplo citado por ele são os alvarás expedidos aos caminhoneiros, que vencem a cada seis meses. Atualmente, segundo Ribeiro, são 198. "Todos os caminhoneiros que residem em Votorantim possuem alvará." E os alvarás também delimitam horário. A maioria deles libera a passagem entre às 20h e às 6h, exceto em alguns "poucos casos específicos".
Questionado se a fiscalização da PM não teria abrandado, o secretário dá certeza de que não. "Semana passada, várias blitz foram realizadas pela PM, atendendo a um pedido nosso feito ao coronel [Milton] Moreira [comandante do 40º BPM/I]."
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