Juliana Simonetti
Notícia publicada na edição de 30/03/2010 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 1 do caderno B
Hudi Rocha ficou conhecido pelo caipira Fedegoso
Hudson vive o palhaço Kuxixo no Circo Beto Carrero
Ele foi chamado para dar uma mãozinha a (simplesmente) Selton Mello e Paulo José na composição de seus personagens para o segundo longa-metragem dirigido por Selton, O Palhaço. Em cinco dias, o sorocabano Hudson Rocha, 37, o Kuxixo, virou espécie de personal palhaceiro (como foi batizado pelo diretor) e tinha como incumbência ajudar os dois experientes atores (e outros do elenco) a fazerem bonito no picadeiro cinematográfico. Para isso, ensinou como melhor executar as esquetes cômicas do roteiro (assinado por Selton e Marcelo Vindicatto) e como realizar com sucesso as famosas cascatas (aquelas quedas hilárias que todo palhaço que se preza sabe fazer com maestria). Mas como todo bom palhaço tem que ser um bom ator (não que o contrário seja verdadeiro: nem todo bom ator é bom palhaço, como ressalta Kuxixo), não foi difícil a tarefa do sorocabano. O Selton não tinha nenhuma experiência como palhaço, mas ele é muito inteligente e pegou rapidinho. Já o Paulo José me surpreendeu pra caramba. Chegou e já abriu sua maletinha, de onde tirou seu sapato e seu nariz de palhaço. Ele já tinha experiência no ramo. Trabalhar com os dois foi maravilhoso, a gente sempre aprende. Além disso, eles são muito legais... O Paulo José é um doce. Eles dominam o improviso como ninguém e isso é imprescindível na hora em que você encara o picadeiro, explica Kuxixo.
Além dos cinco dias como personal palhaceiro, Kuxixo acompanhou as filmagens em Paulínia, que aconteceram neste mês, e também foi convidado a fazer uma ponta no longa-metragem. Mas ele não será palhaço: será o prefeito de uma cidade. Foi muito legal ter esse contato com o cinema. Mas cada um tem a sua praia. Meu negócio é lona, serragem e picadeiro mesmo, enfatiza o sorocabano, que tem um currículo extenso e reconhecido: atualmente trabalha no Circo Beto Carreiro e deu aulas no Circo do Faustão.
No sangue
Não seria forçar a barra dizer que o circo está no sangue de Kuxixo. Afinal, ele é representante da quinta geração de uma tradicional família circense que atuou na cidade por muitos anos. Seu pai, Hudi Rocha, o famoso humorista caipira Fedegoso, fez muito sorocabano rir na lona do Circo Guaraciaba nos idos das décadas de 60 e 70.
Aliás, seu Hudi também foi convidado e participará do filme de Selton Mello. Agora, somos cineastas, minha filha, comemora Seu Hudi, que até pouco tempo residia em um trailer instalado em um terreno em Votorantim. Ele fala com modéstia sobre a pontinha que foi chamado para fazer no filme. Olha, minha filha, eles (Paulo José e Selton Mello) são mesmo muito bacanas. Bateram papo com a gente e quiseram saber da nossa experiência, frisa seu Hudi. Na verdade, no filme, falo umas três ou quatro palavrinhas com o Paulo José, conta ele, que vive uma experiência diferente na produção: não será o Fedegoso, mas sim Jurandir, um senhor que compõe a plateia. Dessa vez, vou estar do outro lado do picadeiro.
Segundo Kuxixo, a ideia de Selton era fazer uma homenagem ao circo brasileiro. Por isso nos escolheu para realizarmos essa pequena atuação. É a última cena do filme, adianta.
Um filme cheio de candura
O filme O Palhaço tem como partida a crise existencial pela qual passa o palhaço Pangaré (interpretado por Selton): ele acha que não sabe mais fazer a plateia rir. Segundo divulgado à imprensa pelo próprio ator e diretor, a ideia inicial do história partiu de uma crise pessoal que Selton viveu durante as filmagens de Jean Charles, de Henrique Goldman, no ano passado. Tinha tudo para estar bem e não estava. Não me sentia feliz com aquilo tudo, descreveu, em entrevista coletiva realizada em Paulínia.
Paulo José, interpreta o palhaço Puro Sangue, pai de Pangaré. Eles trabalham no Circo Esperança, que atravessa todo o Brasil com seus espetáculos.
Segundo anunciado pelo diretor, roteirista e ator, O Palhaço é um filme cheio de candura. É um filme solar, com a pretensão de chegar nas pessoas, disse à imprensa na ocasião da coletiva.
Além de Paulínia, as filmagens serão realizadas em Ibitipoca, Minas Gerais. A previsão de chegada aos cinemas brasileiros é para 2011. Até o momento, o longa tem orçamento aprovado de R$ 5 milhões.
Aproveite, que hoje tem palhaçada e de graça!
Quem quiser ver o trabalho de seu Hudi Rocha não pode perder a oportunidade de hoje. Em uma lona montada ao lado da Prefeitura de Votorantim, Hudi, Guaraciaba Malhone, Alexandre Malhone, Ricardo Malhone e Edi Rocha apresentam hoje a comédia O Frankenstein. O espetáculo está marcado para as 20h e a entrada é franca.
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