Notícia publicada na edição de 20/06/2010 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 1 do caderno B
Sandra Peres e Paulo Tatit: mais de 20 álbuns gravados
Música também foi feita para fisgar, convencer e transmitir mensagem de conteúdo às crianças, aos pais e aos educadores. Essa tem sido a proposta trabalhada há 15 anos pelo Palavra Cantada, formação que reúne Paulo Tatit e Sandra Peres, destaque da agenda de hoje da Festa Junina Beneficente de Votorantim.
A dupla se apresenta a partir das 18h30 na Praça de Eventos Lecy de Campos e faz aquilo que Paulo definiu ao Mais Cruzeiro como uma “visita à própria trajetória”. “Essa é a primeira vez que tocamos aí, e acho que as pessoas querem ouvir os temas mais conhecidos.”
O repertório de “O Melhor da Palavra Cantada” inclui, assim, canções como “Pindorama”, “Ciranda”, “Sai Preguiça”, “Bailarina”, “Taquaras” “Bebezinho”, “Vambora” e outras. Não é exagero dizer que o trabalho da formação alcança, inclusive, o público infantil.
Paulo Tatit, irmão do compositor Luiz Tatit, um dos nomes de proa da vanguarda paulistana, conta que os adultos também se identificam com a proposta. Na verdade, é mais do que isso. O Palavra Cantada, já ficou registrado, “rompe os estereótipos da infância” e faz música de qualidade.
Nos mais de 20 álbuns que já gravou, a dupla discute questões comuns ao universo dos chamados baixinhos, mas, o faz usando de um recurso de linguagem diferente. Para começar, conta Paulo Tatit, não existem restrições ou barreiras em relação a gêneros.
O Palavra Cantada toca com a mesma desenvoltura reggae e ritmos que incorporam elementos da cultura popular. Usa desde guitarras elétricas a instrumentos pouco convencionais, como um marimbau nordestino (espécie de berimbau com duas cordas), que o compositor obteve recentemente.
Paulo Tatit diz que não interpreta como “concorrência” o peso da internet no cotidiano das crianças. “São ferramentas que se complementam e que, se utilizadas com critério, podem ajudar muito.”
No momento, o Palavra Cantada trabalha o lançamento de uma série de cinco DVDs e livros denominada “Brincadeiras Musicais”. Lançada pela Editora Melhoramentos, a obra estará disponível a partir de setembro. Confira, aqui, trechos da conversa com a reportagem:
O Palavra Cantada faz música para criança, inclusive?
Pode-se dizer que sim. Nosso foco é a música infantil, mas sabemos que os pais curtem, ouvem junto com os filhos, gostam.
Você disse que trabalha a música popular infantil. O que seria isso?
É a música que, de alguma forma, consegue fisgar a criança, cria uma empatia. Tem letra, melodia, historinha... A proposta é fazer com que a criança preste atenção musicalmente falando.
Li que o Palavra Cantada busca convencer a criança com o seu trabalho...
Na verdade, eu disse que a essência do trabalho do Palavra Cantada é procurar fazer uma música que convença à criança, aos seus pais e educadores, ou seja, uma música que seja boa, que tenha qualidade. Não adianta só ter boas idéias ou querer passar uma “mensagem” para a criança. A criança precisa ser agradada, atraída. Se ela gosta, assimila, se deixa levar. O resultado é muito gratificante.
Em tempos de evolução tecnológica, de internet, qual o espaço para a proposta do Palavra Cantada?
A música faz parte desse universo. Eu não encaro como concorrência. Acho que uma coisa complementa a outra. Nós acabamos de participar de um concurso da Natura que usou a internet como ferramenta. É claro que existem muitos joguinhos que ensinam a dar chutes e pontapés, o que não é saudável. Mas, nós temos conseguido fisgar a criança e fazer com que ela interaja conosco. Se a criança fica muito tempo diante do computador, que aproveite para fazer uso de coisas boas. A tecnologia é um bom aliado; basta que seja utilizada com critério.
Os referencias das crianças hoje também são outros. Muitas preferem comemorar o Halloween e não valorizam sua própria cultura. Essa é uma preocupação do trabalho que vocês desenvolvem?
Não é a principal preocupação, mas procuramos valorizar a cultura popular. É preciso dizer à criança, artisticamente, que existe um universo a ser descoberto. O nosso repertório de ferramentas inclui ritmos e referências locais. Temos, por exemplo, um tema, “Pomar”, no qual falamos das frutas brasileiras. Mas, não colocamos barreiras de estilos. A modernidade precisa, deve ser aproveitada. Não pode haver preconceito. Tocamos reggae, usamos guitarras, exploramos os recursos disponíveis. Isso, de forma alguma, compromete o nosso trabalho. Ao contrário, ajuda na descoberta, no aprofundamento das nossas pesquisas. Ontem mesmo eu consegui um marimbau nordestino, instrumento de percussão de duas cordas e estou impressionado com sua musicalidade. O mesmo acontece com as crianças. Elas adoram novidades, são receptivas.
É bom o panorama da música infantil brasileira?
Muito. Eu acredito que hoje se faz muito mais música para criança do que antes. Temos, inclusive, exemplos de artistas que decidiram explorar esse filão: Adriana Calcanhoto, com “Partimpim”, o Arnaldo Antunes que gravou um álbum (“Pequeno Cidadão”) com o Edgard Scandurra, a Taciana Barros e Antonio Pinto mais a filharada. Um trabalho belíssimo, com nuances pop. Mais recentemente, a Ivete Sangalo também fez um projeto assim. Não ouvi ainda, mas soube que é bom. Todo mundo quer dar o seu recado nessa área.
Você, aliás, tem uma ligação forte com o Arnaldo Antunes.
É verdade. Somos amigos e parceiros. O Arnaldo é um grande artista, produz um som objetivo, de uma clareza única, mas sabe falar a língua das crianças. É uma as minhas referências.
Serviço:
Show com o Palavra Cantada
Hoje, a partir das 18h30, na Pça. de Eventos Lecy de Campos
Logo após, haverá o show da banda Se Entrega Cafona, às 20h e encerramento da noite com a trupe Teatro Mágico, às 22h.
A entrada para a festa e shows neste dia custa R$ 2

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