sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Que seja perdido o dia sem dança

O bailarino e professor de dança Maia Júnior morreu nesta quarta, aos 52 anos, vítima de enfarto. Conforme depoimentos de amigos, Maia venceu barreiras de preconceitos e conquistou reconhecimento.

Fernanda Ikedo
Agência BOM DIA
 

“Por um Instante de Brilho”, de 1992: espetáculo que nunca será esquecido

 
Sempre de lenço na cabeça, ele andava com sua bicicleta por toda a cidade. Ia da casa para o trabalho, do trabalho para o bar encontrar os amigos. “Sempre artístico e encantador”, diz a diretora de teatro Nanaia Simas, referindo-se ao estilo do bailarino Benedito Maia Junior, que morreu nesta quarta (06), por volta das 19h30, em sua casa, vítima de um infarto.
Ela foi aluna e professora de Maia. Aprendeu dança de salão e ensinou teatro. Juntos, participaram de vários projetos, desde o início da década de 80. Nos tempos do Arara Aurora era comum encontrar Maia, como era chamado por todos, no balcão do bar, descontraído e contagiante. “Era de uma alegria total”, dizem os amigos. “Seu jeito era peculiar, ele sempre mantinha o humor ácido também”, complementa Maria Cristina Hubner, ex-proprietária do Arara, que será a cuidadora dos dez cachorros de Maia.
Ela lembra que se conheceram em 1982 no extinto bar Sal da Terra, que ficava na praça Carlos de Campos. Nessa época, Maia era aluno da bailarina Janice Vieira e já começava a fazer suas primeiras apresentações. “Ele estava vivendo uma fase boa profissional”, confessa Maria Cristina. Maia ministrava aulas de dança na prefeitura de Votorantim e na Universidade da Terceira Idade, da Universidade de Sorocaba, desde 2002. Além de dar aulas particulares de dança. “Mas vida de artista é estressante por natureza”, ressalta Nanaia, acenando para uma possível causa do infarto.

Na última quarta-feira Maia subiu para sua casa, carregando uma caixa com litros de leite, avisou o amigo, com quem morava, que estava sentindo dor no peito. Deitou, pensando em descansar um pouco, caso não melhorasse iria ao pronto atendimento. Mas subitamente, como se as cortinas do espetáculo se fechassem, Maia se despediu aos 52 anos.

Para Janice Vieira, professora e parceira do bailarino, Maia foi uma figura corajosa e determinada, que rompeu barreiras do preconceito. No blog de Maia(http://maiajr.blogspot.com) permanece no ar a frase de Nietzsche: “E que seja considerado perdido o dia, em que não se dançou ao menos uma vez".
Benedito Maia Jr

Nasceu em Sorocaba em 7 de fevereiro de 1958. Era formado em Hotelaria pela Uniso;
Vida voltada para a dança

Formado em dança: clássico, contemporâneo e jazz; Dava aulas de dança de salão e diversos ritmos, como samba, forró, bolero, tango e ensinava performances para modelos.

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