sábado, 27 de novembro de 2010

O TEÓLOGO E SUA TAREFA

Manoel Peres Sobrinho*

Disse o eminente teólogo Francês, João Calvino, estruturador e mentor ideológico do Presbiterianismo Mundial que se o nosso chamado é de Deus, realmente, como firmemente cremos ser, o SENHOR nos dará a Sua Bênção, ainda que o Universo inteiro se oponha.

    Em nosso calendário, dia 30 de novembro, comemora-se o Dia do Teólogo, isso nos leva a refletir, talvez, de como estamos vendo o sentido da vida, e qual o papel de nosso chamado para a obra que Deus de nós exige. A tudo isso podemos dar o nome de vocação. Mas o que é vocação e como ela se evidencia em nossa vida?

    Disse Logan Pier Sall que a prova de uma vocação é o amor ao trabalho que ela exige. Da mesma maneira, ensinava Jerônimo: Importa aos servos de Deus que as suas obras sejam aprovadas pelos seus ensinos, que os seus ensinos sejam aprovados pelas suas obras. O que temos diante dos olhos não é, somente, uma idéia intelectualizada da vocação, mas, acima de tudo existencial e orgânica. Daí, a conclusão sábia do teólogo Karl Barth: ser chamado significa receber uma tarefa. E, para aqueles que são chamados... vocação significa a sua existência dentro da execução dessa tarefa. Ser e estar ao mesmo tempo, numa simbiose perfeita, em busca de fazer valer na vida os binômios: espaço-tempo, espírito-matéria, querer-realizar, morrer (para o mundo) viver (para Deus). É bom que se compreenda no paradoxo de nosso tempo que a tarefa na causa do SENHOR não é imposta pela sociedade ou pelos homens, mas vem diretamente de Deus, que participa de seu cumprimento com a sua ajuda, seu apoio e sua compaixão... Por isso, ensina Karl Rahner: continuai o vosso caminho, onde quer que acheis, segui a vossa luz, por mais fraca que seja; atiçai o fogo, mesmo que por enquanto ele não arde. Para um momento tão solene de expectação e perplexidade, a alma dócil se resigna e ora: Torna-me, SENHOR meu Deus, obediente, pobre e puro, sem reclamação; humilde, sem fingimento; alegre, sem dissipação; triste, sem abatimentos; reservado, sem rigidez; ativo, sem leviandade; animado pelo temor; sem desânimo, sincero, sem duplicidade; fazer o bem, sem presunção; corrigindo o próximo, sem altivez; edificando-o com palavras e exemplos, sem falsidades – (Tomás de Aquino).

    O chamado é eficaz, intransferível e inadiável. Quando Deus chama, o homem não pode e não deve recuar. Quando chama, Ele tem sempre uma tarefa de suma importância. Quando chama, Ele capacita com fé e coragem. E é bom que saibamos que sem Deus a vida de serviço não é nada superior a uma extravagante mania, ou mero sentimentalismo, ou hipocrisia na prisão indisciplinada da existência mortal – H. G. Wells.

    Finalmente, como diria Samuel L. Brengle, quando Deus procura um homem  para trabalhar em sua vinha não pergunta: - Tem ele grandes habilidades naturais? Será ele finamente educado? É um bom cantor? É eloqüente no orar? Pode falar muito? – Não. Ele indaga antes o seguinte: - É seu coração perfeito para comigo? É ele santificado? Tem bastante amor? Ele está pronto a andar pela fé e não pela vista? Espera ele por meu conselho e procura em tudo ser guiado por meu Espírito? Ou é ele obstinado, personalista, tal como o cavalo e a mula? (Salmo 32:9). Será ele um homem que gosta de agradar a outros ou aguarda a sua recompensa, buscando a honra que procede de Deus? Ele é manso e humilde de coração? Quando Deus encontrar tal homem, usá-lo-á.

(*O autor é Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil)




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