Manoel Peres Sobrinho
A contundência dos textos bíblicos corretamente interpretados é impar em responsabilizar os homens, a sociedade e as autoridades constituídas a respeito das profundas e inomináveis injustiças que se verificam nas relações políticas, econômicas e sociais que envolvem o poder e o dinheiro – Sabatini Lalli.
Dentre as muitas datas comemorativas do mês de dezembro, três são de excepcional valor para a nossa formação humana como cosmopolitas (cidadãos do mundo com o queria João Calvino), e agentes de transformação de nosso pequenino planeta, como ensinava Marshall McLuhan, criador da idéia de "aldeia global" que trouxe para a educação novo enfoque, baseado em suas teorias sobre comunicação.
O Natal, no dia 25, nos leva a uma renovação das esperanças de um mundo melhor fundamentado na paz do nosso SENHOR e Salvador Jesus Cristo e na compreensão dos homens entre si como irmãos e criados à imagem e semelhança do Criador.
Dia 10 de dezembro, Dia Universal dos Direitos Humanos, lembra bem nossa unidade planetária em torno de uma possível paz, mesmo que seja a paz dos bravos, alicerçada na dignidade do ser humano e de ser humano na necessária compreensão de que nosso Planeta Terra é a nossa Casa para uma existência comum (oikoummene) como queriam os gregos, nosso Jardim de deleites e prazeres existenciais na efêmera duração da vida, nossa morada para o que der e vier, na contingência das revoluções ecológicas e vicissitudes do Cosmos, através dos séculos de História que ainda virão em nossa trajetória por esse Universo infinito e ignoto.
O Dia da Bíblia, para os protestantes, celebrado no segundo domingo de dezembro, foi criado em 1549, na Grã-Bretanha pelo Bispo Cranmer, que incluiu a data no Livro de Orações (The Book of Common Prayer) do Rei Eduardo VI. O Dia da Bíblia é um dia especial, e foi criado para que a população intercedesse em favor da leitura da Bíblia. No Brasil a data começou a ser celebrada em 1850, quando chegaram da Europa e EUA os primeiros missionários evangélicos. Porém, a primeira manifestação pública aconteceu quando foi fundada a Sociedade Bíblica do Brasil, em 1948, no Monumento do Ipiranga, em São Paulo (SP). E, graças ao trabalho de divulgação das Escrituras Sagradas, desempenhado pela entidade, o Dia da Bíblia passou a ser comemorado não só no segundo domingo de dezembro, mas também ao longo de toda a semana que antecede a data. Desde dezembro de 2001, essa comemoração tão especial passou a integrar o calendário oficial do país, graças à Lei Federal 10.335, que instituiu a celebração do Dia da Bíblia em todo o território nacional. Hoje, as celebrações se intensificaram e diversificaram. Realização de cultos, carreatas, shows, maratonas de leitura bíblica, exposições bíblicas, construção de monumentos à Bíblia e distribuição maciça de Escrituras são algumas das formas que os cristãos protestantes encontraram de agradecer a Deus por esse alimento para a vida.
Já os católicos comemoram esse dia em setembro. Durante trinta dias dá-se uma atenção especial à leitura e ao estudo de um livro da Bíblia, para que ela possa ser cada vez mais, a companheira constante de todos os dias. Foi escolhido o mês de setembro por causa da festa de São Jerônimo, no dia 30. Jerônimo foi um dos maiores intérpretes da Bíblia. A pedido do Papa Dámaso (século IV), foi ele quem primeiro preocupou-se em fazer uma tradução popular da Bíblia, a chamada "Vulgata", que quer dizer popular.
Início do Ano Litúrgico, com o Advento, final do ano civil, com festividades de todos os gostos, passando, é claro, pelas comemorações de nossa cidade de Votorantim, cabe ainda na virada, como parte do reveillion uma meditação específica. Já que se a data muda e o calendário envelhece num estado pleno de defecção e obsolescência, no entanto, a nossa realidade continua a mesma. Nem mais nem menos e sem tirar nem por. É preciso fazer valer os direitos conquistados. É preciso fazer isso com olhos de repulsa intensa fazendo perceber a imensa barreira que separa os ricos dos pobres, os fortes dos fracos, os cidadãos em plenitude de direitos dos virtuais e simplesmente de papel.
A dignidade humana não pode ser aviltada por qualquer que seja o motivo político ou a pretexto econômico ou ideologia totalitária (seja de esquerda ou de direita), que queira reconstruir um alinhamento político-econômico beirando a uma escravização planetária dos mais fracos, nem uma criminalização do comportamento dos menos favorecidos, nem uma dominação insana por conta do poder pelo poder e do reter dos bens planetários em poucas mãos em detrimento da penúria, do sofrimento e da tortura dos demais, como exposição cínica de uma filosofia salvacionista ou redentorista procurando confirmar, a todo custo, uma suposta vocação histórica de perspectiva elitista como desculpa para uma conduta de cunho messiânico como fundamentação para atitudes de barbarismo e patrulhamento ideológico.
Situações como a do Haiti e ou outros países de menos atração midiática, mostram o quanto nossas datas comemorativas são insignificantes simulacros de nossos descasos com a maldição e miséria alheias. Um país que foi explorado até aos ossos, como o antigo Congo Belga que muito bem retrata Joseph Conrad em seu romance O Coração das Trevas, deixa-nos a certeza de que mais do que datas precisamos de uma indignação prática. Se não quisermos ir muito longe basta olhar com mais atenção os mendigos que existem em nossa cidade.
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