quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Movimento por emancipação dividiu a cidade

Wilson Gonçalves Júnior


Notícia publicada na edição de 08/12/2010 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 8 do caderno A
 
 
José Carlos de Oliveira, o Luizão, defendeu o 'Não' à emancipação
Foto: Adival B. Pinto

 
O movimento para o desmembramento político-administrativo, do então distrito de Sorocaba, dividiu os moradores do município em dois grupos no final da década de 50 e início de 60. Os favoráveis pela separação, o Sim - capitaneado pelo Grupo Votorantim e os contrários ao movimento, o Não - formado em sua maioria por sindicalistas da época. O jornal Cruzeiro do Sul ouviu dois participantes deste momento histórico do município, cada um por uma ótica diferente, para resumir como Votorantim chegou até os dias atuais, passados 47 anos.
 
Vanguardeiro de carteirinha, do movimento do Sim, Vílson Cavachini, de 72 anos, destacou que as primeiras aspirações do movimento do desmembramento surgiu em 1959 no escritório da fábrica de tecidos do Grupo Votorantim, localizada entre os bairros Dominguinho e Chave. A idéia, dos então vereadores de Sorocaba e moradores do distrito, Nelson Bormann e Pedro Augusto Rangel, recebeu o apoio imediato do gerente da Votorantim, Mathias Gianolla. Naquela oportunidade, existiam três indústrias do grupo, dos ramos de tecido, papel (Votocel) e cimento (Santa Helena). As empresas geravam mais de 7 mil empregos e a população (do distrito) tinha mais ou menos o mesmo número, de 6 mil a 7 mil habitantes, explicou.

 
De acordo com Cavachini, muitos moradores de Sorocaba trabalhavam em Votorantim nessa época e a possibilidade, de perder os impostos arrecadados com as três indústrias, chegou a causar um temor na administração pública da cidade vizinha.


Já nestes anos, de 1959 a 1963, inúmeras caravanas levaram os favoráveis à emancipação até a Assembléia Legislativa, em São Paulo. Fato que se confirmou em 1.º de dezembro de 1963 e culminou numa verdadeira carreata, da Capital até o agora município.

 
Para o vanguardeiro, o Grupo Votorantim tinha interesse financeiro, na questão dos impostos, mas também contribuiu, inclusive com as terras, que pertenciam à empresa e passaram aos poucos a serem incorporadas ao Poder Público. Não me arrependo de ser vanguardeiro, já que se não houvesse o desmembramento, a cidade seria hoje um Brigadeiro Tobias, que ainda hoje continua bairro de Sorocaba.

 
'Não'

O ex-vereador de Votorantim, José Carlos de Oliveira, o Luizão, de 81 anos, foi um defensor do Não. No entanto, explica que sua motivação contrária ao desmembramento, deu-se pelo fato do Grupo Votorantim, por questões políticas e financeiras, encabeçar o Sim.

 
O fato, garante, foi comprovado tão logo a emancipação saiu vitoriosa e o primeiro prefeito Pedro Augusto Rangel, chegou ao poder, com o aval dos industriários. Formando a base da oposição, no primeiro mandato no Legislativo, juntamente com Lázaro Alberto de Almeida, o Labrego, Luizão foi contrário à lei que permitiu a redução dos impostos pagos pelo Grupo Votorantim. Eles pagavam de 0,30% (alíquota) de imposto a Sorocaba e reduziu para 0,18% para Votorantim e foi aprovado por sete votos a dois, criticou.


Sindicalista, o ex-vereador trabalhava no setor fundição da indústria têxtil da Votorantim e chegou a ser chamado pelo diretor da empresa, Mathias Gianolla, para conversar em três oportunidades. De acordo com Luizão, além da pressão, recebeu propostas financeiras para mudar de lado. Ofertas não aceitas. Recusei e disse que só queria o que fosse dividido com todos os trabalhadores.

 
O ex-vereador, em três legislaturas, admite que a cidade cresceu e se desenvolveu com o desmembramento. Mas para ele, isso só ocorreu, porque o Grupo não conseguiu eleger mais nenhum prefeito do seu lado, a não ser o primeiro. O interesse do Grupo na cidade pode ser visto hoje, já que não tem mais nenhuma indústria deles aqui.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Ouça a Rádio Votorantim