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Notícia publicada na edição de 07/12/2010 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 6 do caderno A
A represa de Itupararanga responde por 70% do abastecimento de Sorocaba e Votorantim
Foto:Aldo V. Silva
A Represa de Itupararanga, responsável pelo abastecimento de nove municípios da região de Sorocaba, no interior de São Paulo, perdeu 12% das matas ciliares nos últimos cinco anos, conforme estudo divulgado pela Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), câmpus de Sorocaba.
A ocupação irregular, causada principalmente pela especulação imobiliária, levou ao desmatamento de uma área estimada em 10 mil hectares (100 milhões de metros quadrados). O despejo de esgotos sem tratamento já compromete a qualidade da água de um dos últimos mananciais ainda limpos no entorno da Grande São Paulo.
O reservatório responde por 70% do abastecimento de Sorocaba e Votorantim, com populações que somam 720 mil habitantes, e por até 50% da água consumida nas outras sete cidades - Alumínio, Cotia, Ibiúna, Mairinque, Piedade, São Roque e Vargem Grande Paulista.
As terras que margeiam a represa foram transformadas em Área de Proteção Ambiental (APA) por lei estadual de 1º de dezembro de 1998. O objetivo era proteger o manancial, mas algumas prefeituras autorizaram a instalação de loteamentos nas margens.
De acordo com André Cordeiro Alves dos Santos, professor da Ufscar e membro do conselho gestor da APA, os estudos que envolvem a represa serão apresentados à comunidade. O objetivo, segundo ele, é criar um banco de dados público que ajude na preservação. “A água da Itupararanga já foi muito melhor do que é hoje”, afirmou. A perda da mata ciliar faz com que resíduos de inseticidas usados nas lavouras sejam carreados para a represa.
O conselho gestor já elaborou um plano de manejo para a APA, mas sua eficácia depende da adoção pelas prefeituras, segundo Santos. “Os municípios vão ter de decidir se é melhor lotear, usar para o turismo ou para o abastecimento público. A escolha está entre abrir loteamentos ou ter água para beber”, afirmou. As pesquisas sobre a qualidade da água são feitas pelo Grupo de Pesquisa de Microbiologia Ambiental, formado por docentes e alunos da universidade. (AE)

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