segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O LEGADO DE ALBERT SCHWEITZER

Manoel Peres Sobrinho, AVLAH

É através dos gestos, palavras, atos de trabalho, de luta, de expressão, de comunicação, de instauração que o homem edifica seu destino ético – Ladrière, in Vie Sociale et destinée.

Num mundo tão materializado, eivado de concepções errôneas acerca da liberdade, da vida e de Deus, soa estranho aos ouvidos a história de alguém que se concebeu um súdito do Reino de Deus, e, que por sê-lo, aceita incondicionalmente o “ide” do seu Senhor.

Um “ide” para servir e servir sempre e a qualquer custo!

Ensina-nos, bom Senhor, a servir-te como desejas: dar sem calcular o custo, lutar sem preocupação com os ferimentos; trabalhar sem procurar descanso; fazer tudo sem esperar recompensa, senão a certeza de que estamos fazendo a tua vontade – Inácio de Loyola (1491-1556).

Com referência ainda ao desprendimento e abnegação, ensinaria Antonio Labriolla: É necessário trabalhar, é necessário consagrar-se, é necessário também sofrer para se obter um resultado.


 
O Profeta da Selva, como o descreveu Hermann Hagedorn em seu livro de mesmo título. Sim, ele foi um gigante que se minimizou para que seu Mestre e Senhor pudesse crescer nele e ser devidamente observado e reconhecido em suas obras. Foi filósofo, teólogo, músico, médico e missionário, tudo isso, para a glória de Deus.

Nasceu no dia 14 de janeiro de 1875, em Kaysersberg. Nascido entre dois países, diria Stefan Zweig, Alemanha e França, tão ligado a ambos que parte de suas obras é escrita em francês e parte em alemão. O filho do pároco cresceu na sua terra natal, Gunsbach, e em 1899 foi pregador oficial em São Nicolas, em Strasburgo, com todas as pequenas atividades diárias, como o ensino do catecismo e sermões eclesiásticos. Como Teólogo escreveu várias obras mundialmente famosas. Porém, a que mais chamou a atenção do mundo erudito foi The Quest of the Historical Jesus (A Procura do Jesus Histórico) onde declara que a ética de Jesus não tem pertinência para nós, porque era uma legislação de emergência que não é válida, porque eles esperavam erroneamente o fim da ordem atual do mundo. Na verdade, Schweitzer, tinha se inspirado em Weiss, um teólogo bastante avançado para a sua época.



Como músico, ainda nos informa Zweig, muita gente sabe dele apenas que recebeu o prêmio Goethe; que a espiritualidade protestante admira-o como extraordinário teólogo, o autor da Mística do Apóstolo Paulo; que os músicos o respeitam como autor do maior e mais profundo trabalho sobre Johann Sebastian Bach; os organistas o glorificam como sem igual entre todos os organistas da Europa e sobre cuja técnica escreveram o que há de mais profundo e instrutivo; os músicos o consideram como talvez o maior virtuose de seu tempo. Quando ele anunciava um concerto, dias antes, todos os lugares do teatro já estava sempre vendidos.

Mas não seria nem na teologia, como expert das ciências de Deus e nem na música, como o mais perfeito interprete de Bach que Schweitzer ser ia conhecido. Aliás, nem mesmo como Prêmio Nobel da Paz de 1952 como cidadão francês, mas como médico das selvas africanas. Em inóspita região da África, para ser mais exato, em Lambadére, no Gabão, fundou um hospital para o tratamento de lepra.



E ali, naquela região totalmente alienado da civilização exerceu o seu papel como médico abnegado. Toda a sua força, todo o seu humanismo, todo o seu conhecimento médico e idealismo cristão foram gastos ali, num continente que o próprio mundo civilizado havia esquecido. Só lembrado, no entanto, quando fosse para ser pilhado, roubado, saqueado e submetido à força para entregar sua gente à escravidão.

Mas foi justamente dali que o mundo começava a admirá-lo e que qual vela que brilhava enquanto se consumia em seu trabalho árduo e exaustivo na demonstração prática do grande amor por Jesus e pelas pessoas que sofrem que precisam de uma mão amiga, por não ter ninguém para minimizar sua solidão, sua dor e desesperança.
Faleceu no mesmo local onde fundara seu hospital, a 4 de setembro de 1965 cheio de dias e de honras.

Atualmente, o mundo presta uma justa homenagem a Albert Schweitzer declarando o dia 14 de janeiro, data do seu aniversário, como Dia do Enfermo. O mesmo enfermo que ela tanto amou e a quem devotou e consagrou a sua vida inteira.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Ouça a Rádio Votorantim