Notícia publicada na edição de 11/04/2011 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 5 do caderno A
Wilson Júnior
Manifestações contrárias e favoráveis à privatização marcaram a votação
Foto: Aldo V. Silva
Em meio a manobras, bate-boca, confusão e apelo de parte da população, o projeto de lei de privatização dos serviços de abastecimento de água, tratamento de esgoto e destinação final do lixo, antes gerenciadas pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), foi aprovado por 8 votos favoráveis e 3 contrários, em sessão realizada na noite de ontem, na Câmara de Vereadores de Votorantim. O manifesto, com 4.200 assinaturas, protocolado na sexta-feira e que pedia a suspensão da votação ontem, recebeu parecer contrário das comissões do Legislativo. A sessão foi interrompida logo após a votação, por dez minutos e teria sequência na continuidade. Porém, devido ao clima tenso instalado na Câmara, os trabalhos foram suspensos e outros três projetos serão votados na próxima segunda-feira.
Cerca de 150 pessoas se aglomeraram no plenário da Câmara de Votorantim e a plateia se dividia com faixas e cartazes entre favoráveis ao projeto de lei do prefeito Carlos Augusto Pivetta (PT) e a maioria contrária à cessão dos serviços a iniciativa privada. Grande parcela dos presentes representava dois grupos políticos que disputam o poder no município, desde a sua emancipação de Sorocaba. "Vou ser sincero para você, aqui só tem partido, tanto da situação como oposição. Vejo meia dúzia aqui que pertence a uma comunidade, o restante é de partido", enfatizou o líder do governo no Legislativo, Francisco Amorim, Chico Amorim (PT).
Já na abertura da sessão, o vereador Pedro Nunes Filho (PDT) usou do regimento interno para inverter a ordem do dia e antecipar a votação do projeto de lei de privatização dos serviços de água, esgoto e destinação final do lixo.
Ao subir no plenário, Pedro Nunes evocar reação dos presentes, sendo necessário primeira intervenção do presidente da Casa, Marcos Antônio Alves, Marcão Papeleiro. "Só quero dizer aqui que nós estamos dando um passo a frente de muitos municípios. Nós temos consciência de que hoje a concessão ainda é o melhor caminho, não só para Votorantim, mas para todos os municípios que estão com o serviço autônomo".
A vereadora da oposição, Fabíola Alves da Silva Pedrico (PSDB), respondeu, ao falar que o prefeito Carlos Augusto Pivetta, distribuiu recentemente, uma revista de governo, com a informação de que em dois anos foram implantados mais de 57 quilômetros de novas redes de água e esgoto, atingindo 100% das redes do municípios, para atender os novos empreendimentos. "Se a cobertura da cidade está 100%, por que então fazer a concessão? Mas tem vereador aqui que faz críticas duras as concessões das rodovias (estaduais). Lá (Assembleia Legislativa) o vereador não tem poder de voto e aqui eles têm poder. Aqui vocês podem impedir que tenha a concessão", critica direta aos petistas, sobre o que sempre chamaram de privatização dos rodovias e não aceitam que o termo seja usado em Votorantim.
Confusão
Três pessoas, todas ligadas a partidos políticos e que saíram candidatos a vereador na eleição passada, foram retiradas da sessão, por causa de manifestações, ferindo o regimento interno do legislativo.
A vereadora Fabíola Alves da Silva citou que o presidente só retirava pessoas ligadas à oposição. O presidente Marcão Papeleiro se defendeu: "Na verdade, não me atentei se as pessoas são contra ou a favor. Sei que são de um grupo político, que pode ser favorável ou não. Só pedi a retirada, porque existe o regimento e não pode se manifestar".






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