Manoel Peres Sobrinho
Certa vez perguntaram a uma mãe qual era o filho de sua preferência, visto ter 13. "Do que estiver doente até que se cure e do que estiver fora até que chegue", disse ela. O seu amor era igual para todos, mas poderia ser aumentado conforme a necessidade de cada um.
Cremos, não foi sem motivo que Anna Jarvis, "professora primária de Wesbster, na Virginia", idealizou o assinalamento de uma data para consagrar alguns instantes de nossa vida "àquelas que se constituem o objeto do mais puro amor humano e que contribuem anonimamente para o aperfeiçoamento de uma sociedade".
No segundo domingo de maio Anna Reevis Jarvis era lembrada por sua filha Anna Jarvis, e uma placa comemorativa existente na Igreja Episcopal de Grafton, West Virginia, assinala a primeira celebração pública do Dia das Mães, em 10 de maio de 1908. O Decreto assinado pelo então presidente dos Estados Unidos Woodrow Wilson, em 1914, veio efetivar essa festividade.
No Brasil, foi através da Associação Cristã de Moços, de Porto Alegre, RS, que em l919 foi promovida a primeira solenidade, e posteriormente efetivada através do Decreto nº 21.336 de 5 de maio de 1932, quando era presidente o Sr. Getúlio Vargas, também conhecido no Brasil como "o pai dos pobres".
"Uma mulher que vive fiel e tranqüila para a própria casa, tece fios de ouro na sorte dos seus filhos", disse Otto Von Lenener. Muitas vezes, ocorre, no entanto, o caso de que ela se transforme na "Mulher em frente do fogão", como disse Gióia Júnior. "Trincheira de mais de trinta anos", como disse o poeta sacro.
Ali, silente e operosa, vê os filhos crescerem. Vê também, o cansaço do marido e a sua indiferença, produto da angústia de um orçamento apertado. Vê tudo o mais acontecer. Mas o poeta, com lirismo e graça, tira de sua verve, palavras singulares e expressa com todas as forças de seu íntimo nestes "Poemas em Feitio de Oração", a sua petição: "Sobre a sua cabeça envelhecida estende a Tua poderosa mão", oh, Senhor! É o rogo de um coração agradecido em favor daquela que se constitui um retrato vívido de serenidade e paz, consolo e conforto, segurança e fortaleza, mesmo que desconheçamos as convulsões de um coração atormentado.
Essa deve ser a nossa oração por aquela que tantas noites passou em claro junto ao nosso berço, trincheira de suas mais angustiosas reflexões e oração. Ali, enquanto acalentava o filho amado, buscava dissipar o sono que lhe pesava nas pálpebras, sonhando com um futuro melhor e uma vida mais fácil para o fruto do seu amor.
Deve ser essa a nossa oração, por aquela que se deixou definhar para que crescêssemos.
Deve ser essa a nossa oração, por aquela que tantas vezes errou buscando infalivelmente acertar.
Deve ser essa a nossa oração porque sem sela não existiríamos.
Sejam elas brancas negras ou amarelas; cultas ou iletradas; ricas ou pobres, bonitas ou feias. Aliás, será que existe alguma mãe feia? Não! É claro que não há. Se existem indeléveis sulcos em seu rosto, se há embaraço em sua voz, se há lentidão em seus movimentos, se o seu corpo alquebrado já não tem a jovialidade e beleza da juventude foi porque muitas foram as suas lutas sem tréguas e sem fim. Neste caso devemos ler nesses traços de labuta verdadeiros índices de uma vida que se consome, porque quem ama dá o que de melhor tem. Foi assim que ela descobriu a melhor maneira de nos amar. Dando-se inteiramente, imitando "a vela que brilha enquanto se consome, e o sândalo que perfuma o machado que o corta".
Filho (a), lembra-te dos sábios conselhos de Marcelle Rinayre: "A maior alegria e o maior orgulho de uma mãe é ser admirada por seu filhos".
Filho (a), "Honra a tua mãe, para que se prolonguem teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá", Êxodo 20:12.
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