Notícia publicada na edição de 13/09/2011 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 6 do caderno A -
Carlos Araújo
Dulcinéia era moradora de Votorantim
A Delegacia da Defesa da Mulher quer apurar caso de 'morte suspeita'
Primo-irmão de Dulcinéia, Célio Gonçalves e a mãe da gestante falecida, Ana Aparecida Santiago, estiveram na DDM - Por: Erick Pinheiro
Após 36 dias internada no Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS), a paciente Dulcinéia Aparecida Santiago, que sofreu um aborto e ficou com o feto retido no corpo por pelo menos 14 dias, morreu na noite de domingo. A Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) vai abrir hoje inquérito policial para apurar o caso como "morte suspeita" e se teria havido eventual crime de homicídio culposo - sem intenção e que poderia ter sido causado por algum erro, imperícia, imprudência ou negligência de alguém. "Não estou dizendo que tenha havido erro, nós vamos apurar", disse a delegada de polícia Jaqueline Barcelos Coutinho.
A secretaria de Estado da Saúde, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que o CHS "vai também analisar internamente esse caso" e, se tiver havido problema de conduta médica, fará comunicação ao Conselho Regional de Medicina (CRM). O hospital, acrescenta a assessoria, está à disposição da DDM para qualquer esclarecimento. A mãe de Dulcinéia, Ana Aparecida Santiago, de 63 anos, após receber às 2h de ontem o "choque" da notícia da morte da filha, reagiu com resignação no início da noite: "Melhor deixar do jeito que está. O que adianta? Está morta, já morreu". Mas o primo-irmão de Dulcinéia, Célio Gonçalves, foi enfático: "Se o hospital errou, ele tem que pagar por isso."
Célio achou "estranho" o fato de no sábado ele ter visto Dulcinéia na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital Regional, onde estava entubada, e no domingo ter recebido a informação de uma parente de que ela tinha sido transferida para o Hospital Leonor Mendes de Barros (outra unidade do CHS) e com outros aparelhos. Moradora de Votorantim, Dulcinéia passava grande parte da sua rotina na casa da mãe, na Vila Hortênsia, e deixa o filho Caíque, de 6 anos, e o marido.
Estado grave
Nio dia 24 de agosto, o Cruzeiro do Sul publicou a história de Dulcinéia com o título: "Mulher estaria há 19 dias com feto morto; CHS nega". A DDM recebeu a teve conhecimento da situação por meio de denúncia anônima. Dulcinéia chegou ao CHS no dia 5 de agosto, acompanhada da mãe. Ana Aparecida. A mãe disse que naquele primeiro dia um exame de ultrassom já constatou o aborto. "Ela entrou falando e fizeram coma induzido, ela piorou na hora em que foi internada, mais de 20 dias sem falar, só dormindo", descreveu Ana Aparecida. De acordo com a denúncia, "os procedimentos médicos não estariam sendo adotados por ser uma pessoa carente".
Assim que tomou conhecimento da história, a delegada Jaqueline foi à UTI do CHS e manteve contato com o médico responsável pelo atendimento. Segundo o registro da ocorrência na DDM, o médico informou que a paciente era portadora de hipertireoidismo e que se tratava no sistema público de saúde há mais de dois anos. Segundo o médico, ela chegou em estado de choque ao Pronto-Socorro do CHS e essa descrição tinha relação com o fato de ela apresentar pressão muito baixa. Estava grávida de aproximadamente 21 semanas.
O médico (segundo a DDM) acrescentou que não haviam induzido o parto porque é conduta médica aguardar de 35 a 60 dias para que haja a eliminação do feto. Seu estado evoluíra para choque séptico (infecção generalizada), provavelmente causado pelo entubamento. Segundo o médico, naquele dia haviam acabado de iniciar a indução do parto com o medicamento Citotec.
O feto foi tirado em 19 de agosto, segundo a DDM. Em razão do quadro clínico da paciente, a DDM notificou o CHS para que, caso ela morresse, a necrópsia teria que ser feita pelo Instituto Médico Legal (IML). A delegada Ana Luiza Job de Carvalho Salomone disse ontem que essa determinação não foi cumprida e a necrópsia foi realizada pelo Serviço de Verificação de Óbito (SVO) que o hospital Regional mantém em convênio com a Pontifícia Universidade Católica (PUC). O SVO atua nos casos de morte não violenta ou que não exijam exame médico legal. A DDM também solicitou ao CHS o prontuário médico de Dulcinéia, que não foi fornecido pelo hospital.
Nota oficial
No mês passado, em nota oficial da Secretaria de Estado da Saúde, o CHS esclareceu que a paciente deu entrada na noite de 5 de agosto com estado de saúde extremamente debilitado em razão de duas doenças crônicas: hipertireoidismo e hipertensão. A paciente apresentava quadro de falta de ar, febre, hipertensão e quadro pulmonar de insuficiência cardíaca congestiva grave, e um procedimento de parto naquelas condições colocaria sua vida em risco.
De acordo com a Secretaria, um exame de imagem realizado pela equipe de obstetrícia constatou sofrimento fetal, e na impossibilidade clínica de realizar o parto, a paciente foi encaminhada imediatamente para cuidados na unidade de terapia semi-intensiva. No dia seguinte, em nova avaliação, constatou-se a morte do feto. E, como o quadro dela continuava grave, optou-se por aguardar a eliminação natural do feto, prática prevista dentro dos protocolos clínicos para o caso.
A secretaria de Estado da Saúde, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que o CHS "vai também analisar internamente esse caso" e, se tiver havido problema de conduta médica, fará comunicação ao Conselho Regional de Medicina (CRM). O hospital, acrescenta a assessoria, está à disposição da DDM para qualquer esclarecimento. A mãe de Dulcinéia, Ana Aparecida Santiago, de 63 anos, após receber às 2h de ontem o "choque" da notícia da morte da filha, reagiu com resignação no início da noite: "Melhor deixar do jeito que está. O que adianta? Está morta, já morreu". Mas o primo-irmão de Dulcinéia, Célio Gonçalves, foi enfático: "Se o hospital errou, ele tem que pagar por isso."
Célio achou "estranho" o fato de no sábado ele ter visto Dulcinéia na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital Regional, onde estava entubada, e no domingo ter recebido a informação de uma parente de que ela tinha sido transferida para o Hospital Leonor Mendes de Barros (outra unidade do CHS) e com outros aparelhos. Moradora de Votorantim, Dulcinéia passava grande parte da sua rotina na casa da mãe, na Vila Hortênsia, e deixa o filho Caíque, de 6 anos, e o marido.
Estado grave
Nio dia 24 de agosto, o Cruzeiro do Sul publicou a história de Dulcinéia com o título: "Mulher estaria há 19 dias com feto morto; CHS nega". A DDM recebeu a teve conhecimento da situação por meio de denúncia anônima. Dulcinéia chegou ao CHS no dia 5 de agosto, acompanhada da mãe. Ana Aparecida. A mãe disse que naquele primeiro dia um exame de ultrassom já constatou o aborto. "Ela entrou falando e fizeram coma induzido, ela piorou na hora em que foi internada, mais de 20 dias sem falar, só dormindo", descreveu Ana Aparecida. De acordo com a denúncia, "os procedimentos médicos não estariam sendo adotados por ser uma pessoa carente".
Assim que tomou conhecimento da história, a delegada Jaqueline foi à UTI do CHS e manteve contato com o médico responsável pelo atendimento. Segundo o registro da ocorrência na DDM, o médico informou que a paciente era portadora de hipertireoidismo e que se tratava no sistema público de saúde há mais de dois anos. Segundo o médico, ela chegou em estado de choque ao Pronto-Socorro do CHS e essa descrição tinha relação com o fato de ela apresentar pressão muito baixa. Estava grávida de aproximadamente 21 semanas.
O médico (segundo a DDM) acrescentou que não haviam induzido o parto porque é conduta médica aguardar de 35 a 60 dias para que haja a eliminação do feto. Seu estado evoluíra para choque séptico (infecção generalizada), provavelmente causado pelo entubamento. Segundo o médico, naquele dia haviam acabado de iniciar a indução do parto com o medicamento Citotec.
O feto foi tirado em 19 de agosto, segundo a DDM. Em razão do quadro clínico da paciente, a DDM notificou o CHS para que, caso ela morresse, a necrópsia teria que ser feita pelo Instituto Médico Legal (IML). A delegada Ana Luiza Job de Carvalho Salomone disse ontem que essa determinação não foi cumprida e a necrópsia foi realizada pelo Serviço de Verificação de Óbito (SVO) que o hospital Regional mantém em convênio com a Pontifícia Universidade Católica (PUC). O SVO atua nos casos de morte não violenta ou que não exijam exame médico legal. A DDM também solicitou ao CHS o prontuário médico de Dulcinéia, que não foi fornecido pelo hospital.
Nota oficial
No mês passado, em nota oficial da Secretaria de Estado da Saúde, o CHS esclareceu que a paciente deu entrada na noite de 5 de agosto com estado de saúde extremamente debilitado em razão de duas doenças crônicas: hipertireoidismo e hipertensão. A paciente apresentava quadro de falta de ar, febre, hipertensão e quadro pulmonar de insuficiência cardíaca congestiva grave, e um procedimento de parto naquelas condições colocaria sua vida em risco.
De acordo com a Secretaria, um exame de imagem realizado pela equipe de obstetrícia constatou sofrimento fetal, e na impossibilidade clínica de realizar o parto, a paciente foi encaminhada imediatamente para cuidados na unidade de terapia semi-intensiva. No dia seguinte, em nova avaliação, constatou-se a morte do feto. E, como o quadro dela continuava grave, optou-se por aguardar a eliminação natural do feto, prática prevista dentro dos protocolos clínicos para o caso.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.