Wilson Gonçalves Júnior
Réu se diz inocente e sobrevivente confirma que foi ameaçado pelo irmão de Maninho
Por: Aldo V. Silva
Defesa de Everson alega inocência - Por: Adival B. Pinto/Arquivo
Por: Aldo V. Silva
Minutos antes, um dos sobreviventes da chacina, Samuel, afirmou que soube de Jair "Punk", que "Maninho" e Wellington "Bicho" foram os autores do crime. Samuel disse, inclusive, que foi ameaçado pelo irmão de "Maninho", conhecido como Fio. Porém, não levou o fato a sério, já que pensou se tratar de uma brincadeira. A ameaça teria sido feita porque Samuel chegou a vender droga para o irmão de "Maninho". Samuel teria, quando "Fio" foi preso por tráfico, devolvido uma quantia de droga para a mãe do acusado. Entretanto, quando saiu da cadeia, "Fio" começou a cobrá-lo,já que não acreditou que o entorpecente havia sido devolvido.
Manhã
O segundo depoimento, do investigador Jeferson, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), durou aproximadamente quarenta minutos e encerrou a fase de testemunhas na parte da manhã. Até o momento, foram ouvidas apenas testemunhas de acusação.
Em seu depoimento, frente aos jurados, o investigador disse que os relatos passados por Jair "Punk", de que os autores do crime seriam Maninho e Wellington Barros, o Bicho, foi compatível com o que foi afirmado pelas testemunhas sobreviventes no dia da reconstituição do crime.
De acordo com a testemunha, "Punk" disse que Maninho utilizou uma pistola 380, a qual chamou de "quadrada". Foi informado ainda que o depoimento de "Punk", dado na delegacia, foi gravado, com consentimento do próprio Jair. O vídeo será mostrado hoje no julgamento, para que os jurados possam ter conhecimento do que Jair "Punk" disse sobre o crime e seus autores.
O investigador lembrou ainda que Punk afirmou que ganharia duas pedras de crack com sua participação no crime, e que Bicho ganharia um quilo de maconha.
O advogado de defesa, Glauber Bez, perguntou ao delegado Acácio Aparecido Leite e ao investigador se o depoimento de Jair Punk pode ser levado em consideração, já que ele era na época usuário de entorpecente e também sempre foi taxado como uma figura emblemática no bairro.
Primeiro depoimento
O autor e mandante da chacina de Votorantim, Everson Severino da Silva, começou 11h30. O primeiro ouvido foi o delegado Acácio Aparecido Leite, que comandou as investigações do crime. O depoimento durou uma hora e dez minutos.
O corpo de jurados é formado por sete pessoas, seis mulheres e um homem. No início do julgamento, durante 10 minutos, o juiz Fábio Cavalheiros Nascimento, explicou aos jurados sobre o trabalho que teriam pela frente e ainda comentou sobre todo o trâmite do processo, até a data de hoje, quando será julgado o caso.
No depoimento, Acácio Aparecido Leite confirmou que o outro acusado, Jair Martins, o Punk, absolvido na sequência, informou que tinha sido convidado a dar um susto nas vítimas. Entretanto, quando chegou no meio do caminho, Maninho e o outro autor dos tiros, mostraram que realmente queria matar os jovens. Diante da ação, Punk teria se recusado a participar do crime.
E teria ouvido a seguinte afirmação de Maninho: "Boca aberta não entra mosca". Outras afirmações ouvidas por Punk ainda foram: "Honraram nossa quebrada" e "não viu nada". Ditas por Maninho logo após o crime.
A motivação do crime seria que uma das vítimas sobreviventes (Samuel) teria furtado droga de Maninho, escondida no mirante em que os jovens foram assassinados.
Antes do julgamento
Enquanto a defesa de Everson Severino da Silva, o Maninho, acusado de ser o mandante e também um dos executores da chacina de Votorantim, trabalha com a tese de que o réu não cometeu o crime e vai pedir sua absolvição; a acusação, o promotor Wellington dos Santos Veloso, acredita que tem provas substanciais para que sua condenação seja de 80 anos de cadeia. O julgamento ainda não começou e logo mais deve acontecer o sorteio do corpo do júri. A previsão é que a sentença seja divulgada às 20h.
A chacina de Votorantim ocorreu no Vossoroca, no dia 23 de outubro de 2007. Foram mortos Elvis Aparecido Silva, de 16 anos; Mariane Caren da Silva, de 15; Danielli Miranda Raimundo, 14 anos; Jhosely Lopes dos Santos, 15, e André Gonçalves Rodrigues, de 21 anos. A vítima S.L.F, na época com 18 anos, levou dois tiros no braço e sobreviveu. R.S.P, de 16 anos e R.B, de 15, nada sofreram. Nenhum deles tinha passagem pela polícia.



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