quinta-feira, 1 de março de 2012

Desolado, proprietário encontra caminhão picado no pátio do guincho‏

Folha de Votorantim
Matheus Casagrande





“Não acredito no que estou vendo. Não é possível uma coisa dessas”, diz vítima inconformada

Passado o susto que teve quando soube que seu caminhão foi roubado no Guarujá, no último dia 24, o sentimento que assola o motorista autônomo José Aparecido Casasanta, 55 anos, é de inconformismo. Foi num estado indescritível de revolta que ele ficou quando viu pela primeira vez, no pátio do guincho Center Car Paraná, no Jardim Archila, a cabine de seu caminhão Scania R420, ano 2010, completamente picada, momento testemunhado pela reportagem da Folha de Votorantim, por volta de 11 horas de ontem.
O veículo é um dos que estavam no galpão de um desmanche, no Parque São João, no momento em que uma equipe de Força Tática da Polícia Militar chegou, por volta de 21 horas de anteontem. “Não acredito no que estou vendo. Não é possível uma coisa dessas”, dizia Casasanta, enquanto olhava só a carcaça vermelha da cabine do Scania e as diversas peças espalhadas na carroceria de outro caminhão, pertencente à quadrilha.
“O pior é a sensação de impotência que a gente sente. Essas coisas não podem ficar impunes”, ele desabafa. A insatisfação de Casasanta era compartilhada pelos que lhe acompanhavam, o filho, um amigo e Remo Fordiani, 52 anos, o motorista que dirigia o caminhão no momento do assalto. Com 30 anos de profissão e vítima de assalto pela primeira vez, Fordiani se sentia incrédulo. “Eu penso que nós não temos segurança nenhuma neste país. Nós trabalhamos dia e noite, levamos o alimento que as pessoas precisam para depois passar por isso. Esta foi a única vez na vida que senti nojo de ser humano”, ele diz, carregando algumas peças de roupa suas que ele conseguiu encontrar entre os objetos do caminhão.
Assim como Fordiani, Casasanta mora em Pirangi/SP, região de Ribeirão Preto. Com 36 anos de estrada, ele é motorista autônomo, assim como o filho e o genro. Ele próprio faz as entregas. Nos últimos dois meses, contratou Fordiani, seu amigo, porque teve que tratar de um problema no estômago. “Graças ao bom Deus, é a primeira vez que me acontece algo. Não sei o que teria feito se fosse eu que estivesse naquele caminhão. Era eu que rodava nesse caminhão. Eu fico triste de ver ele desse jeito.”, ele diz, ainda bastante indignado com a perda que teve. O veículo tem valor estimado em R$ 320 mil. “Mesmo com o reembolso do seguro, terei prejuízo.”

O roubo
No dia do assalto, Fordiani tinha acabado de sair da Cargill, no Guarujá. Por volta de 23h40, ele estava na rua Professor Idalino Pinez, mais conhecida como rua do Adubo, uma via de acesso à cidade bastante utilizada por caminhoneiros, quando foi rendido. Primeiramente, um caminhão lhe trancou a passagem, em um cruzamento com o semáforo fechado. Fordiani esperava o caminho abrir, quando o assaltante lhe quebrou o vidro do passageiro, entrou na cabine e lhe rendeu, com uma arma de fogo em punho.
Remo Fordiani dirigiu sob a mira do assaltante até Cubatão. A partir daí, Fordiani foi para a cama da cabine, com a cabeça coberta. Os ladrões esperaram por aproximadamente duas horas e meia para prosseguir viagem, enquanto outros membros seguiam na frente, de carro, checando se o caminho estava livre de comandos policiais. “Eles acompanhavam tudo pelo celular”, explica o motorista. Durante a espera, os ladrões se ocuparam de desativar o rastreador do caminhão.
No quilômetro 32 da rodovia Anchieta (São Paulo/Baixada Santista), Fordiani desceu do caminhão. Ainda sob a mira de um homem armado, a vítima ficou em um matagal fechado, no alto de um barranco que margeia a rodovia. “Ele dizia o tempo todo para eu não olhar pra ele, sempre com a arma apontada.” A espera era para que o caminhão chegasse ao seu destino. Fordiani calcula que desceu do veículo aproximadamente às 3 horas da madrugada, sendo que ele foi libertado às 6h30.

Encontro
A carreta do Scania foi encontrada abandonada em uma rua de Diadema. Casasanta foi para lá resgatar o veículo. Quando chegou em casa, em Pirangi, no final da noite de anteontem, seu celular tocou. A Polícia Militar tinha encontrado a cabine do caminhão, em Votorantim.
Sargento Mota e soldados Jesus e Adilson, da Força Tática, chegaram até o galpão, localizado na rua Pedro Moreira de Souza, através de denúncias. Foram presos Renato Aparecido dos Santos, 37 anos, Reginaldo Rodrigues de Oliveira, 28, Alex Freire Pereira, 28, e Evaldo Silva, 38.
Quando a equipe da PM chegou, Renato estava do lado de fora do barracão. Os outros três estavam desmontando os veículos.
Além do Scania, havia outro caminhão, pertencente à quadrilha, e um outro Ford Cargo 2422 ano 11/12, que seria o próximo a ser picado. Este caminhão era de cor prata, placas MIN-7413, de Descanso/SC, e foi furtado em Itajaí/SC, segundo a polícia.
Também havia no galpão e foram apreendidas diversas ferramentas utilizadas pela quadrilha, entre elas, cilindros de oxigênio e acetileno, para uso de maçarico e uma empilhadeira, além de diversas placas de veículos derretidas, provenientes dos veículos já roubados. Também foram apreendidos oito celulares utilizados pela quadrilha e diversos documentos, além de dois automóveis utilizados pela quadrilha, um VW Polo preto e um VW Gol azul. Segundo vizinhos, os acusados estavam naquele galpão há cerca de três meses.
No local, nota-se que os mecânicos eram meticulosos em alguns detalhes. Na entrada do prédio, onde havia constante circulação de caminhões, o chão era pintado de cinza escuro, para ocultar marcas de pneus. Mais aos fundos, no muro lateral, um pedaço da parede estava sem reboco, com os tijolos à vista. Caso houvesse algum problema, bastaria um chute para abrir um buraco para fugir pelos fundos.
Na Delegacia Central, para onde foram conduzidos, os acusados foram autuados em flagrante por receptação, mas foram soltos após pagar fiança de R$ 57 mil. O caso está sob investigação da Polícia Civil.

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