Maíra Fernandes
Por: Erick Pinheiro
"Queríamos que as pessoas passassem a ver a pedreira como possibilidade e, por isso, quando solicitavam um local para eventos, indicávamos lá. O pessoal da banda gostou da sugestão, o que acabou sendo uma experiência para nós e uma prova de que é possível", argumenta Leme, lembrando da tensão antes do show, com "pé atrás" quanto à complexa logística em se realizar um evento no local sem banheiro, sem energia elétrica e ao ar livre. Sem contar que o local, desativado há cerca de 20 anos, era utilizado com frequência por moradores de rua.
Passado o show, que acabou dando maior visibilidade ao local e potencializando a vocação para a realização de eventos, Leme já pensa em uma estruturação, após realizado estudo sobre melhor e mais segura forma de uso da pedreira. Um dos destaques do evento, pontua Leme, foi a acústica obtida na pedreira, e que não permitiu que o som "vazasse" para a vizinhança. "A ideia é pensar a estruturação e estamos tentando desenhar algo coerente a esse espaço natural", reforça. A primeira ideia é a construção de um mirante, mas a construção depende do resultado do estudo de impacto, que deverá ser realizado em parceria com outras secretarias.
Atentos
A pedreira voltou a ser comentada a partir de uma iniciativa do Coletivo O 12, de Votorantim. Em novembro eles realizaram o "Dança na Pedreira", em parceria com o Sesc Sorocaba e com a Secretaria do Meio Ambiente de Votorantim, com espetáculos de dança, workshop, lançamento de livro, concerto e discussões sobre o bom uso dos espaços públicos, além do reavivamento da história do local. Porém, em carta aberta publicada no blog do coletivo no início da semana passada e também enviada ao jornal, criticaram o estado que o local ficou após o show, além de salientar que, em release enviado pela assessoria de comunicação da Prefeitura Municipal, não citavam a ação desenvolvida pelo coletivo, que desencadeou a discussão sobre o espaço. "Pode parecer que, então, a missão do Coletivo O12 foi cumprida, pois a pedreira foi agora, de fato, "descoberta" por mais cidadãos. No entanto, a nossa é uma missão comprida. Basta voltar lá para perceber a lamentável situação em que o espaço se encontra após o evento. O despreparo para o seu uso revela que ainda há muito a fazer antes de uma produtiva e auto-sustentável re-apropriação. A pedreira está coberta por lixo e várias de suas árvores foram cortadas", denunciaram.
A equipe de reportagem esteve no local na quinta-feira da semana passada e não encontrou mais os objetos e lixo fotografados e divulgados pelo coletivo, bem como não encontrou árvores cortadas; apenas galhos caídos.
Triste com o que leu, o secretário pontuou que, participando do evento realizado pelo coletivo em novembro, foi provocado a olhar a cidade com as perspectivas de "cidades criativas", tema da discussão realizada. "Mesmo não sendo contatados enquanto secretaria, participamos do evento. E a ideia do show veio para provocar a cidade para o espaço", desabafa ele. "Pra gente foi uma experiência o evento que eles realizaram. A secretaria quer construir com a cidade, e fiquei triste por essa questão de autoria, é algo que não combina com coletivo que valoriza o processo colaborativo", pondera. Como esclarece Leme, apesar de louvável a iniciativa do coletivo e todo trabalho realizado, não há ineditismo em pensar a pedreira como potencial espaço cultural. Tanto nas gestões passadas como a de Glauber Piva já haviam levantada a possibilidade e, só não foi realizado um auto de Natal no local no ano passado, pois choveu no dia.
Sobre a denúncia de lixo no local e degradação de árvore, Leme defende que a limpeza do local é realizada por um outro setor e, possivelmente, as fotos tiradas antes da limpeza. "Levamos contêineres e, no final, o público realizou um arrastão para juntar o lixo. Antes do show também falei para o público sobre a importância de preservar o espaço, novo equipamento cultural do município", garante.
Em carta aberta publicada no blog e também enviada ao jornal, o Coletivo O12 criticou o estado que o local se encontra - Por: Erick Pinheiro
"A pedreira está coberta por lixo e várias de suas árvores foram cortadas", denunciaram os membros do coletivo - Por: Erick Pinheiro
Reportagem esteve no local para constatar as denúncias - Por: Erick Pinheiro
Recentemente a pedreira abrigou o show internacional da banda holandesa Focus - Por: Erick Pinheiro
"A ideia é que funcione com os devidos cuidados e especificidades" Clayton Leme, secretário de Cultura - Por: Erick Pinheiro





Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.