As réplicas, como a do bonde de passageiros, foram confeccionadas pelo aposentado Aparício Tarcitani - Por: Emidio Marques
Três miniaturas - bonde de passageiros, locomotiva elétrica e carro fúnebre - e uma maleta de refeição estão em exposição até dia 16 de abril, na Biblioteca Infantil Municipal "Renato Sêneca de Sá Fleury", no Centro de Sorocaba. As réplicas perfeitas foram confeccionadas pelo professor aposentado Aparício Tarcitani, que é filho de ferroviário, apaixonado pela história desse meio de transporte e pesquisador conhecido na cidade sobre o assunto. Além das miniaturas, a mostra traz um total de dezoito fotos antigas, em preto e branco e coloridas. São imagens de trilhos, bondes e trens que passavam por Sorocaba e Votorantim.
O professor conta que a ferrovia entre Votorantim e Sorocaba foi construída por ser um meio de transporte prático e eficiente, para atender a Fábrica de Tecidos de Votorantim. A inauguração do trecho Sorocaba à Fazenda Votorantim foi inaugurado em 1892. Era da Estação Paula Souza (hoje ponto final dos ônibus de Votorantim/Sorocaba) à Vila de Votorantim. Depois foi prolongada até Santa Helena (Itupararanga/Nova Baltar). Na época, os trens eram movidos a vapor. A eletrificação ocorreu em 1921, com o funcionamento da Usina Hidrelétrica. Nascia a Estrada de Ferro Elétrica Votorantim (EFEV). Foram comprados mais bondes para os passageiros e uma locomotiva elétrica apelidada de "prancha".
As locomotivas elétricas podem ser identificadas por uma antena, para captar eletricidade. Em São Paulo existem ônibus movidos à eletricidade, os trólebus também com antena. As locomotivas e trechos eletrificados de Sorocaba a Votorantim começaram a aumentar em 1922. Até 1949, data da inauguração do Cemitério São João Batista, os corpos das pessoas que morriam em Votorantim vinham para Sorocaba, num carro fúnebre branco (tem na exposição). Operários, passageiros comuns e cargas vinham nos bondes, de Sorocaba, passando pela Vila Assis, Barcelona, Parada do Alto, Ângelo Vial, Votorantim, Votocel e Chisto, até a Fábrica de Cimentos Santa Helena.
Em 22 de agosto de 1966 os bondes deixaram de circular e os operários passaram a andar de ônibus.
Dividia a comida
Na época não existia restaurantes nas fábricas, apenas refeitórios. As refeições dos funcionários eram transportadas pelos bondes até o seu destino. Cada maleta de refeição tinha uma chapinha com o nome do operário e destino (fábrica de tecidos, fábrica de papel e fábrica de cimento). O professor Tarcitani conta que existiam os "bondes do almoço" e os "bondes da janta". Os familiares dos operários que enviavam as maletas. Não era raro acontecer de alguma maleta extraviar e parar em outro destino, então os trabalhadores contavam com a solidariedade dos colegas para não passar fome. Muitos costumavam dividir a comida, explica.
Vocabulário da ferrovia
Algumas palavras são conhecidas de quem viveu na época da ferrovia ou gosta de História. Entre elas está: bitola (distância entre os trilhos); motorneiro (quem dirigia ou conduzia o trem ou bonde); guarda-freios (cobrador e responsável por engatar e desengatar os freios); via permanente (trilhos); e pantógrafo (coletor de eletricidade para o motor).
Serviço
A Biblioteca Infantil Municipal "Renato Sêneca de Sá Fleury" fica na rua da Penha, 673. Funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. A entrada é gratuita.

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