Adriane Mendes
Vítima era de Votorantim
Família aponta que motorista dirigia na contramão e reclama da omissão de socorro
Família aponta que motorista dirigia na contramão e reclama da omissão de socorro
O impacto do atropelamento quebrou o para-brisa e o retrovisor do VW Passat - Por: Adival B. Pinto
O empresário Alberto Matias Ferreira Soares, 20 anos, prestou depoimento e saiu sem falar com a imprensa - Por: Adival B. Pinto
Os pais do ajudante geral Deivid Wellington da Silva, 23 anos, morto por atropelamento no início do mês no Parque Campolim, querem que o empresário Alberto Matias Ferreira Soares, 20 anos, que o atropelou e não o socorreu, seja condenado e pague pelo crime que cometeu. A vítima, que nas horas de folga ajudava a mãe a vender doces, tinha a guarda da filha de 5 anos de idade e se preparava para se submeter a uma cirurgia de recomposição da caixa craniana, também em virtude de um atropelamento quando tinha apenas 6 anos de idade, cujo atropelante também era inabilitado.
"Como que um pai e uma mãe deixa um filho dirigir sem habilitação? Meu filho foi atropelado covardemente pelas costas e podemos ver nas imagens que o motorista sequer pisou no freio", desabafa o vigilante Sebastião Amaral da Silva, pai de Deivid. Assim como ele, a mãe do jovem morto, a comerciante Rodmeire Fernandes, clama por justiça: "com o para-brisa inteiro ele (o motorista) não viu meu filho, mas com o vidro todo estilhaçado conseguiu desviar de outro carro estacionado e fugir", comenta.
Para os pais, o mais revoltante é a frieza com que o empresário teria agido após o acidente, omitindo socorro. Eles não aceitam a versão da fuga por medo de represálias, sendo que a rua Augusto Lippel, onde aconteceu o acidente, seria praticamente deserta. Além disso, eles entendem que o atropelamento aconteceu entre 7h e 7h20, ou seja, quando já havia amanhecido e a visibilidade era normal. Separada de Sebastião, era Rodmeire que vivia com o filho numa casa modesta no Jardim São Lucas, em Votorantim, onde mantém um comércio de doces. Segundo ela, era Deivid quem praticamente sustentava a casa. Ela lembra também que o filho tinha adoração pela filha, fruto de um relacionamento que não deu certo e cuja mãe abriu mão de sua educação.
A mãe de Deivid recorda ainda que quando bebê, ele teve uma série de problemas de saúde, começando a andar apenas aos 2 anos de idade. Entretanto, sua maior superação se deu aos 6 anos de idade, ao ser atropelado por um adolescente que pilotava uma moto. Deivid sofreu traumatismo craniano e como consequência passou a ter dificuldades no aprendizado, precisando ser assistido por vários anos pela Associações dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). E devido ao acidente sofrido na infância é que Deivid se preparava para a cirurgia que deveria acontecer provavelmente no próximo mês. "Meu filho não vai voltar, eu sei, mas quero que o empresário pague pelo que fez, também para não repetir isso com o filho de outras pessoas", afirma a mãe, que agora também se preocupa com o estado emocional da neta.
Maria Teresa dos Santos, irmã de Deivid, também se diz muito revoltada, e questiona como o motorista não enxergou seu irmão em plena luz do dia, sendo que a roupa da Deivid, nas cores branca e azul, facilitaria a visibilidade. Ela também acusa o empresário de estar dirigindo na contramão no momento do acidente.
O caso
O ajudante geral Deivid Wellington da Silva, foi atropelado em torno das 7h do dia 2 deste mês na rua Augusto Lippel, já perto do seu local de trabalho, um condomínio residencial situado naquela mesma rua do Parque Campolim. Câmeras de condomínios captaram a cena do acidente e mostra que o condutor fugiu sem prestar socorro à vítima. O ajudante geral não resistiu e morreu na madrugada do dia seguinte.
O empresário Alberto Matias Ferreira Soares não se apresentou espontaneamente à polícia e no dia em que prestou depoimento ao delegado Sílvio Miguel Marques Vicentin, do 3º Distrito Policial, saiu sem falar com a imprensa. No dia do acidente ele dirigia um VW Passat. A investigação, a princípio, é de homicídio culposo (sem intenção de matar) com as qualificadoras de o motorista não ter habilitação nem prestar socorro à vítima, mas não está descartada a hipótese do inquérito ser alterado para homicídio doloso.


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