terça-feira, 21 de maio de 2013

Ceretta e Votorantim

Folha de Votorantim
J. Cesar

Os corintianos de nossa cidade tiveram domingo dois motivos para comemoração. O primeiro, obviamente, o título de campeão paulista, com todos os méritos, diga-se. O segundo, Guilherme Ceretta, o juiz do jogo final.
Votorantinense, que residiu por muitos anos na rua Joaquim Fogaça, na Vila Dominguinho, ele deu seus primeiros passos como árbitro, apitando jogos do nosso varzeano. Foi-se aperfeiçoando ao longo dos anos até conseguir as primeiras oportunidades na Federação Paulista de Futebol. Agarrou-as perseverantemente, mostrando, mais do que a própria técnica tão necessária, a sua marcante personalidade. Seu valor começou a ser notado em jogos até inexpressivos para a grande mídia, aqueles de divisões inferiores, em cidades pequenas, onde a pressão é sempre maior. Impondo-se nesta fase inicial, começou a ser escalado para jogos de maior importância, inclusive os do Campeonato Brasileiro.
A prova maior de sua competência, que determinou de vez a confiança dos dirigentes em seu trabalho, ocorreu quando ele apitou São Paulo e Corinthians, jogo que marcou o 100º gol  do goleiro Rogério Ceni, feito em cobrança de falta. Ele esteve impecável, ganhando elogios da crônica esportiva.
Para o jogo decisivo de domingo, o juiz escalado era Rodrigo Bragueto; Ceretta nem imaginava que poderia ser ele até na quarta-feira, quando a federação resolveu retirar Bragueto, em razão dele ser proprietário de uma empresa que presta serviços a alguns clubes, incluindo o Corinthians. Realizado novo sorteio, quis o destino que coubesse ao votorantinense Ceretta a difícil incumbência de arbitrar o jogo mais importante do campeonato, aquele que automaticamente se insere na história..
Então, não lhe coube apitar um jogo a  mais como tantos outros. Era final entre Corinthians e Santos, este ainda tentando um feito inigualável ao longo de várias décadas: o tetracampeonato, algo que nem mesmo o Santos de Pelé conseguiu. E em plena Vila Belmiro, o conhecido alçapão, lotado, parecendo uma verdadeira panela de pressão.
Não foi tarefa fácil, mas Guilherme Ceretta mostrou categoria e personalidade, impondo-se, valorizando-se como árbitro, apesar de alguns poucos erros, que acabaram sendo mais controversos do que incriminatórios, se analisados à luz da velocidade imprimida à partida e de jogadas ríspidas em muitos momentos.
Num dos estados brasileiros em que o futebol é dos mais valorizados, e cuja vitrine se estende por todo o território nacional, e onde existe considerável número de árbitros capazes, há que se exaltar o fato do votorantinense Guilherme Ceretta ter participado de um sorteio entre os melhores árbitros de São Paulo. Com certeza, hoje, não somente seus amigos mais próximos, mas toda a família se ufaniza com esta imorredoura conquista, a de apitar a final de um campeonato paulista.
Assim, ele junta-se a outras duas personalidades que representaram a cidade, quando esta ainda era bem menor em relação a Votorantim dos dias atuais: Fiote, que no início dos anos sessenta integrou, ao lado de Pelé, o timaço bicampeão mundial do Santos e o comendador Alfredo Metidieri, que chegou a presidir a Federação Paulista em meados dos anos setenta.
Guilherme Ceretta está de parabéns e merece o reconhecimento de toda a cidade, cujo nome ele enlevou, mais uma vez. Esta final pode ser que abrevie a indicação de Ceretta ao quadro de árbitros da Fifa, sendo este mais um motivo de orgulho para a cidade.

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