Folha de Votorantim
J. Cesar
Os
corintianos de nossa cidade tiveram domingo dois motivos para
comemoração. O primeiro, obviamente, o título de campeão paulista, com
todos os méritos, diga-se. O segundo, Guilherme Ceretta, o juiz do jogo
final.
Votorantinense, que residiu por muitos anos na rua Joaquim Fogaça, na
Vila Dominguinho, ele deu seus primeiros passos como árbitro, apitando
jogos do nosso varzeano. Foi-se aperfeiçoando ao longo dos anos até
conseguir as primeiras oportunidades na Federação Paulista de Futebol.
Agarrou-as perseverantemente, mostrando, mais do que a própria técnica
tão necessária, a sua marcante personalidade. Seu valor começou a ser
notado em jogos até inexpressivos para a grande mídia, aqueles de
divisões inferiores, em cidades pequenas, onde a pressão é sempre maior.
Impondo-se nesta fase inicial, começou a ser escalado para jogos de
maior importância, inclusive os do Campeonato Brasileiro.
A prova maior de sua competência, que determinou de vez a confiança dos
dirigentes em seu trabalho, ocorreu quando ele apitou São Paulo e
Corinthians, jogo que marcou o 100º gol do goleiro Rogério Ceni, feito
em cobrança de falta. Ele esteve impecável, ganhando elogios da crônica
esportiva.
Para o jogo decisivo de domingo, o juiz escalado era Rodrigo Bragueto;
Ceretta nem imaginava que poderia ser ele até na quarta-feira, quando a
federação resolveu retirar Bragueto, em razão dele ser proprietário de
uma empresa que presta serviços a alguns clubes, incluindo o
Corinthians. Realizado novo sorteio, quis o destino que coubesse ao
votorantinense Ceretta a difícil incumbência de arbitrar o jogo mais
importante do campeonato, aquele que automaticamente se insere na
história..
Então, não lhe coube apitar um jogo a mais como tantos outros. Era
final entre Corinthians e Santos, este ainda tentando um feito
inigualável ao longo de várias décadas: o tetracampeonato, algo que nem
mesmo o Santos de Pelé conseguiu. E em plena Vila Belmiro, o conhecido
alçapão, lotado, parecendo uma verdadeira panela de pressão.
Não foi tarefa fácil, mas Guilherme Ceretta mostrou categoria e
personalidade, impondo-se, valorizando-se como árbitro, apesar de alguns
poucos erros, que acabaram sendo mais controversos do que
incriminatórios, se analisados à luz da velocidade imprimida à partida e
de jogadas ríspidas em muitos momentos.
Num dos estados brasileiros em que o futebol é dos mais valorizados, e
cuja vitrine se estende por todo o território nacional, e onde existe
considerável número de árbitros capazes, há que se exaltar o fato do
votorantinense Guilherme Ceretta ter participado de um sorteio entre os
melhores árbitros de São Paulo. Com certeza, hoje, não somente seus
amigos mais próximos, mas toda a família se ufaniza com esta imorredoura
conquista, a de apitar a final de um campeonato paulista.
Assim, ele junta-se a outras duas personalidades que representaram a
cidade, quando esta ainda era bem menor em relação a Votorantim dos dias
atuais: Fiote, que no início dos anos sessenta integrou, ao lado de
Pelé, o timaço bicampeão mundial do Santos e o comendador Alfredo
Metidieri, que chegou a presidir a Federação Paulista em meados dos anos
setenta.
Guilherme Ceretta está de parabéns e merece o reconhecimento de toda a
cidade, cujo nome ele enlevou, mais uma vez. Esta final pode ser que
abrevie a indicação de Ceretta ao quadro de árbitros da Fifa, sendo este
mais um motivo de orgulho para a cidade.
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