Notícia publicada na edição de 30/05/2013 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 009 do caderno A
Wilson Gonçalves Júnior
Audiência que discutiria os investimentos para 2014 é usada para reclamar problemas e promessas não cumpridas
A audiência pública realizada pelo Escritório Regional de Planejamento (Erplan), ligado à Secretaria Estadual de Planejamento, ocorrida na manhã de ontem, tinha a finalidade de discutir o orçamento estadual para 2014. Entretanto, o que se ouviu no encontro realizado no auditório do jornal Cruzeiro do Sul foram críticas a problemas já existentes e obras prometidas e não entregues principalmente em Sorocaba. As principais queixas, feitas na maioria pela sociedade civil, citaram os problemas vivenciados no Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS), a infraestrutura viária das estradas vicinais, a desativação de distritos policiais, a superlotação de alunos nas salas de aula das escolas estaduais, a desvalorização de professores e funcionários da área da saúde e a falta de vagas em creches.
Embora seja do PSDB, mesmo partido do governador Geraldo Alckmin, a prefeita de Piedade, Maria Vicentina, questionou o programa Melhor Caminho do governo estadual, criado com a intenção de melhorar as condições das estradas vicinais, mas que limita a apenas seis quilômetros por cidade. Segundo ela, seis quilômetros são irrisórios para um município com as características de Piedade, com uma malha viária de aproximadamente 3.800 quilômetros de estradas vicinais e com a economia baseada na agricultura. Além disso, a prefeita pediu também que seja revisto o valor pago pelo Estado pela merenda, que é de R$ 0,50 por aluno.
Já o morador de Sorocaba, Francisco Valério de Assis, o Gilson, que é presidente da Associação de Amigos de Bairro do Jardim Hollingsworth, Iporanga II e Adjacências, criticou o atendimento do Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS) e a demora de entrega do outro hospital prometido pelo governo estadual, o segundo Regional. Segundo ele, a saúde da região de Sorocaba está carente.
A representante do bairro Laranjeiras, Marieta Almeida Aragão Faria, também criticou a falta de vagas em creche e pediu que o Estado estude uma forma de diminuir o desperdício de alimentos, com a criação de um banco de alimentos, com destinação para as unidades escolares mais carentes das cidades da região de Sorocaba. Foram pedidos ainda um Hospital Regional nos municípios de Itapeva e Itararé, com a intenção de desafogar o Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS) e lembradas as promessas ainda não entregues como o Ambulatório Médico de Especialidades (AME) e da Rede Lucy Montoro. Acabaram citadas também a desativação de distritos policiais de Sorocaba e de um Batalhão da Polícia Militar no Éden.
A presidente da Câmara de Vereadores de Torre de Pedra, Fernanda Mattos Duarte (PSD), que é professora da rede municipal de ensino, criticou a superlotação nas salas de aula da rede estadual e a falta de valorização dos professores.
Estado
O diretor do Erplan de Sorocaba, Junior Barbosa - ao ser perguntado se o número de questionamentos e críticas feitas ontem era um reflexo das obras prometidas e não entregues pelo Estado - disse que a sociedade civil está se organizando para cobrar com mais veemência o poder público. Segundo ele, o governo tem encontrado dificuldade em relação às obras, diante de inúmeras amarras criadas por causa da legislação e até problemas para localizar empresas que realizam pequenas obras.
Barbosa destacou que a audiência de ontem foi marcada pela participação ativa da sociedade civil, que apresentou seus questionamentos. "A audiência é uma ótima contribuição, justamente para rever o que não foi feito e pensar no que deve ser feito. O contexto está interessante, com participação de 30 municípios e da sociedade civil." O orçamento do Estado para 2014 está estimado em R$ 173 bilhões.
O prefeito Antonio Carlos Pannunzio (PSDB) foi representado pela vice-prefeita Edith Di Giorgi. Ela recepcionou os convidados e deixou a audiência pública. Os prefeitos de Votorantim, Erinaldo Alves da Silva e de Piedade, Maria Vicentina, ambos do PSDB, e o deputado estadual Hamilton Pereira (PT) também não ficaram até o final do encontro. Os deputados estaduais Maria Lúcia (PSDB) e Carlos Cezar (PSB) não compareceram e mandaram assessores.
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