Notícia publicada na edição de 24/05/2013 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 4 do caderno A
Daniela Jacinto
Sorocaba ainda precisa aderir ao programa. Itu e Itapetininga já estão desenvolvendo ações
A coordenadora Maria Vilma Roberto detalhou o plano a representantes dos municípios - Por: Aldo V. Silva
Uma
reunião técnica realizada ontem em Sorocaba apresentou aos
representantes dos municípios da macrorregião o Plano Nacional dos
Direitos da Pessoa com Deficiência - Viver Sem Limite. Lançado pelo
governo federal no final de 2011, o programa visa garantir a autonomia e
melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência. A
apresentação aqui na cidade foi feita por Maria Vilma Roberto,
coordenadora paulista do plano.
Conforme Vilma, Sorocaba ainda não tem nenhuma ação do programa e
precisa aderir. Cidades como Itu e Itapetininga já estão desenvolvendo
pelo menos uma das propostas. "Meu papel é ajudar a implementar na
cidades. Muitas ainda não aderiram, como Sorocaba, porque o programa foi
lançado em uma época de eleições e a maioria dos municípios estava em
processo eleitoral, mas percebo que Sorocaba tem um grande interesse e
acredito que agora a cidade irá avançar muito na questão dos direitos
das pessoas com deficiência", disse Vilma.
O Plano Viver Sem Limite incentiva políticas de acesso à educação,
inclusão social, atenção à saúde e acessibilidade. Para isso é preciso a
adesão dos municípios, que devem se manifestar de acordo com as
principais necessidades. O governo federal pretende investir no programa
R$ 7,6 bilhões até 2014 como forma de ressaltar o compromisso do Brasil
com as prerrogativas da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com
Deficiência, da ONU. Segundo o Censo IBGE/2010, 45 milhões de
brasileiros declararam possuir algum tipo de deficiência.
Propostas
Durante o encontro, que foi realizado no auditório da Secretaria da
Cidadania (Secid) em dois períodos - pela manhã e à tarde - a
coordenadora Maria Vilma Roberto explicou como funciona cada proposta do
Plano Viver Sem Limite. Há incentivos para a área da Educação, com
salas de aula com recursos multifuncionais, entre outras propostas. Na
área da Inclusão Social, o destaque fica por conta das residências
inclusivas. Ela cita como exemplo o caso de deficiência auditiva, em que
a campainha, ao invés de tocar, acende um luminoso. Essas residências
são destinadas a jovens e adultos com deficiência em situação de
dependência. Na área da Acessibilidade, entre as propostas está a
construção de casas e apartamentos adaptáveis pelo Programa Minha Casa,
Minha Vida, já que antes esse programa não era acessível, pois as
cadeiras de roda não faziam giro nos sanitários, entre outras
dificuldades.
Com relação à Saúde, um dos destaques é o programa nacional de triagem
neonatal. "O atendimento precoce pode evitar muitas deficiências.
Queremos testes não só do pezinho, mas também do olhinho, orelhinha",
observa Vilma, que tem deficiência visual. "Todos esses benefícios são
direitos que a gente tem. Estão na lei há muito tempo e precisam ser
cumpridos", diz.
Ainda na área da Saúde, Vilma falou sobre a implantação de serviços em
Centro-Dia de Referência, em que serão realizados diversos tipos de
assistência para as pessoas com deficiências e suas famílias. "O povo
brasileiro precisa ser sensibilizado para a diversidade humana. Hoje não
somos mais invisíveis, somos política nacional. E quem vai fiscalizar?
Nós. Se não fosse a nossa pressão, não existiria o Viver sem Limites",
ressalta.
Conscientização
Na ocasião, Maria Vilma Roberto avisou que o programa aberto atualmente é
o de equipamentos para assistência social. São apenas dez dias para a
adesão. "Sorocaba é o primeiro município que dou essa informação, tem de
tirar o atraso da região", alfineta. Ainda conforme Vilma, as
residências inclusivas são pouquíssimas em todo o Estado de São Paulo.
"Também esperamos que os municípios da região de Sorocaba façam a
adesão", acrescenta.
No período da tarde participaram representantes das prefeituras de
Sorocaba, Itapetininga, Araçoiaba da Serra, Votorantim, Piedade e Porto
Feliz. Entre os presentes estava a prefeita de Araçoiaba Mara Melo, que
também foi se informar e saber como fazer para aderir ao programa. Ela
disse que ficou especialmente interessada na proposta das residências
inclusivas. Também estiveram no encontro representantes de seis
conselhos das pessoas com deficiências e ainda dois cadeirantes e
diversas pessoas com deficiência visual.
Na avaliação do cadeirante Eduardo José Hoffart, membro do Conselho
Municipal da Pessoa com Deficiência (CMPD), nessas horas é preciso
aproveitar as oportunidades e abraçar a causa. "Deveria ter campanhas
educativas para a população brasileira. A sociedade ainda não se
conscientizou de que as pessoas com deficiência estão saindo na rua,
participando mais ativamente da sociedade e Sorocaba infelizmente é uma
cidade problemática, com calçadas bastante danificadas, prédios públicos
que a gente não tem acesso. Só mesmo quem vive sabe o que é chegar num
determinado estabelecimento comercial e ter que ser atendido na rua por
não ter acesso. É uma situação que a gente vive constrangido".
Para Edmar Carvalho Júnior, presidente do CMPD, em teoria tudo o que foi
apresentado é fantástico, mas ele lembra que há milhares de leis
aprovadas e não aplicadas. "Meu medo é que seja mais um pacote desses
pra inglês ver". Mais informações no site www.brasil.gov.br/viversemlimite

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