César Santana
Foram 46 casos confirmados da doença, segundo a Secretaria Municipal de Saúde
Carlos Alberto Lazar, coordenador de Moléstias Contagiosas da PUC - Por: Pedro Negrão
A doença, que afeta as meninges (membranas que protegem o encéfalo, a medula espinhal e outras partes do sistema nervoso central) pode ser adquirida de duas maneiras: através de vírus ou bactérias. Embora os casos virais sejam mais comuns (em Sorocaba correspondem a mais de 85% dos casos nos últimos três anos), os bacterianos são os mais perigosos, como explica o professor coordenador da disciplina de Moléstias Infecciosas da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Carlos Alberto Lazar. "Geralmente as infecções bacterianas são mais graves, mas há exceções", conta. De acordo com o especialista, são três os fatores básicos que influem na gravidade da doença. "A potencialidade da bactéria, a imunidade do paciente e o tempo de diagnóstico, pois quanto mais cedo a pessoa for internada, melhores são os resultados", diz.
O infectologista explica ainda que uma parcela específica da população está mais propensa a adquirir a meningite por conta da baixa imunidade que apresentam naturalmente. "Pessoas nos extremos da vida, ou seja, lactentes e idosos sofrem maior risco. Além disso, portadores de AIDS, diabetes e câncer, entre outros males, também estão nesse grupo justamente por conta da maior propensão a infecções". Segundo Lazar, a meningite é adquirida principalmente através da inalação do vírus ou bactéria, já que trata-se de uma moléstia contagiosa, e pode acarretar uma série de problemas para o paciente. "Pode causar sequelas que, dependendo dos fatores que influem no quadro da doença, podem ser mais graves como paralisia e retardo mental, ou mais leves como dificuldades cognitivas", relata. Em casos onde não é devidamente tratada, a meningite pode também levar a óbito.
Os sintomas da doença são, de certa forma, até mesmo comuns a outras moléstias: febre alta, dor de cabeça intensa que não se resolve com a ingestão de analgésicos comuns, vômitos que ocorrem muitas vezes sem que o paciente sinta náusea, falta de apetite, sonolência e irritabilidade são alguns dos mais frequentes. Diante dos quadros bacterianos, o tratamento deve ser mais específico, como explica Carlos Alberto Lazar.
"Primeiramente deve ser feita a internação e em caso de suspeita, a realização de exames mais específicos como a colheita do líquor. Ainda assim, independentemente do resultado, é importante que o paciente comece o tratamento com antibióticos o mais rápido possível", diz. Já em casos virais, o tratamento é mais generalizado. "É um tratamento de acordo com os sintomas apresentados, já que não existem medicamentos específicos para combater o vírus", explica Lazar.
O especialista alerta também para alguns cuidados preventivos em relação a meningite. "Hoje existem várias vacinas para essa prevenção, portanto é necessário manter o calendário vacinal, principalmente das crianças, em dia. Além disso, como é uma doença que ocorre em maior número no inverno, quando as pessoas ficam mais juntas em locais fechados, o ideal é evitar aglomerados. É importante também manter sempre uma boa alimentação", conclui Carlos Alberto Lazar. (Supervisão: Adalberto Vieira)

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