terça-feira, 9 de julho de 2013

Eventos culturais marcam os 138 anos da Estação Ferroviária

Diário de Sorocaba

Filmes e fotografias antigas sobre a extinta Estrada de Ferro Sorocabana säo os destaques

Um dos principais cartões postais e históricos da cidade e xodó do sorocabano, a Estação Ferroviária, celebra nesta quarta-feira, 10 de julho, os 138 anos de conclusão das obras da então recém-criada Via Férrea Sorocabana. Obra do idealismo e determinação de Luiz Matheus Maylasky, a ferrovia é o marco de importantes fases do desenvolvimento de Sorocaba e, para comemorar a data, a Prefeitura de Sorocaba, por meio da Secretaria da Cultura e Lazer, programou uma série de eventos.

Haverá, por exemplo, uma exposição de fotos antigas e a exibição de vídeos e documentários que falam desse patrimônio local. Além disso, o Museu da Estrada de Ferro vai exibir, até o dia 3 de agosto, a pena que pertenceu a Maylasky e com a qual o visionário húngaro registrou seus feitos na história da cidade, de São Paulo e do Brasil. O Museu, instalado na rua Dr. Álvaro Soares, 553, bem em frente à Estação Ferroviária, poderá ser visitado de quarta-feira a sábado, das 9 às 12 e das 13 às 16h30.

Já exposição de fotos, que conta com o apoio de ferreomodelistas sorocabanos, acontecerá a partir das 13 horas de amanhã, na Casa do Turista, anexa à Estação, na avenida Dr. Afonso Vergueiro. No mesmo local, a partir das 19 horas, haverá exibição dos filmes "Estrada de Ferro Elétrica Votorantim", "O Trem Paulista", um cine-jornal produzido em 1958 por Landa Lopes, "A Estrada de Ferro Sorocabana" e "Bandeirante Apiaí". As atrações são gratuitas. "Estrada de Ferro Elétrica Votorantim" (15 minutos) é uma película rara de 1922 sobre a inauguração do serviço de bondes elétricos entre a Estação Paula Souza, em Sorocaba, e a fábrica de tecidos que compunha o núcleo industrial da Família Pereira Ignácio, no então distrito de Votorantim. Já "O Trem Paulista" (10 minutos) trata-se de um filme produzido em 1962 pela Cia. Cinematográfica Cruzeiro do Sul para divulgar os investimentos realizados pelo Governo Estadual nas ferrovias paulistas. Contém cenas raras de Sorocaba, Bauru, Araraquara e outras cidades. Acervo resgatado e divulgado pelo Museu da Imagem e Som, Associação Paulista de Modelismo Ferroviário e Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba.

O "Cine-jornal", por outro lado, com 8 minutos de duração e produzido em 1958 pela Esplanada Filmes, da produtora Landa Lopes, mostra a inauguração do refeitório dos funcionários das oficinas da antiga Estrada de Ferro Sorocabana no Município e a visita da comitiva ao recém-criado Instituto Educacional "Matheus Maylasky". Documentário de posse do IHGGS (Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Sorocaba). "A Estrada de Ferro Sorocabana", outra edição do cine-jornal produzido no mesmo ano com reportagem sobre melhoramentos na ferrovia, como o desembarque de trens-unidades importados do Japão, inauguração do ramal de Theodoro Sampaio e diversas obras, também trata-se de documentário obtido após pesquisa no acervo do IHGGS em 1994 por Stênio Gimenez, enquanto que "Bandeirante Apiaí" (20 minutos) é um filme de 1997, inédito, com imagens gravadas por Stênio Gimenez na viagem inaugural do que foi a última iniciativa do Estado em promover o transporte de passageiros pela ferrovia, entre Sorocaba e Apiaí. O serviço durou até 1º de março de 2001.


Maylasky e a Estrada de Ferro Sorocabana

A então Companhia de Ferro Sorocabana nasceu de um capricho de Luiz Matheus Maylasky, o `estrangeiro misterioso', como o chamavam. Nasceu em Lemberg (Hungria), em 21 de agosto de 1836. Chegou a Sorocaba ninguém sabe de onde e sem um tostão no bolso. Foi acolhido pelos padres beneditinos do Mosteiro de São Bento, onde logo reconheceram que se tratava de alguém de raros conhecimentos, pois falava diversos idiomas e, em especial, o latim.

Logo conquistou a simpatia de Sorocaba. Bem relacionado pelo seu modo culto, tornou-se em pouco tempo o homem que, mais tarde, prestaria relevantes serviços não só ao povo local, como também trazendo um melhoramento à terra que em boa hora teve a suprema ventura de o acolher em sua sociedade. Na rua da Quitanda, hoje rua Maylasky, esquina a Penha, no Centro, existia num prédio antiquíssimo um velho descaroçador de algodão movido a vapor que não funcionava, devido a sérios problemas na máquina. Maylasky, sabendo disso, examinou o equipamento e, por conhecer um pouco de mecânica, comprometeu-se repará-lo, o que fez, deixando o descaroçador em condições de uso.

Corria o ano de 1867, era das famosas Feiras de Sorocaba. Não havia nenhuma fábrica na cidade, a não ser algumas máquinas de beneficiar algodão. Surgiu sua primeira iniciativa: estabelecer em Sorocaba o `Trust' do algodão, quando nos Estados Unidos estava ocorrendo a "Guerra da Secessão" e onde, devido a isso, estagnara-se a cultura do algodão, criando, assim, a oportunidade de novos fornecedores estabelecerem o comércio desde produto no mercado europeu, em especial na Inglaterra.

Maylasky estabeleceu-se com um grande armazém na rua do Commercio (hoje Barão do Rio Branco). Comprava algodão e, depois de beneficiar, o remetia para os centros industriais e para o estrangeiro, conquistando a confiança na praça de São Paulo, Santos e Rio de Janeiro. Instruía também os pequenos lavradores, auxiliando em seus plantios e até com dinheiro, tornando-se, com isso, uma pessoa relevante na sociedade sorocabana. Em 1868, resolveu fundar uma fábrica de tecidos em Sorocaba. Transposto o maquinário à cidade, construiu um barracão para estabelecer sua fábrica, cujo prédio serviu mais tarde para as oficinas de locomoção da "Sorocabana". 

A ESTRADA DE FERRO - Em 1869, surgiu a ideia dos ituanos de construírem uma via férrea interligando Jundiaí a Itu. Face ao alto custo do empreendimento, capitalistas sorocabanos foram convidados para entrarem como acionistas da "Companhia Ituana", que formara-se para construir a linha. Maylasky se pôs à frente, convidando as pessoas de relevância da cidade para o levantamento do capital necessário. Porém, era de interesse dos sorocabanos de que esta linha não ficasse só até Itu, mas que se estendesse até Sorocaba, para que também esta se beneficiasse da ligação férrea.

Consta que essa reunião de 20 de janeiro de 1870. na qual a comissão sorocabana foi muito mal recebida, estimulou Maylasky a organizar e fundar em Sorocaba, em 1870, a "Companhia Sorocabana", a fim de construir uma via férrea de Sorocaba a São Paulo, intento que foi levado a efeito, inaugurando-se o tráfego em 10 de julho de 1875.

Três anos depois de inaugurada, a Sorocabana estendeu suas linhas até Tietê, Tatuí, Itapetininga e Botucatu. Também em 1877, os trilhos da Companhia Ituana atingiam Piracicaba, onde promoveriam a integração com o transporte fluvial à vapor. Como as duas ferrovias serviam à mesma região e tinham os mesmos interesses, elas uniram-se, formando a maior rede ferroviária do Estado, com 820 quilômetros de extensão. 

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