Diário de Sorocaba
Filmes e fotografias antigas sobre a extinta Estrada de Ferro Sorocabana säo os destaques
Um dos principais cartões postais e históricos da cidade e xodó do
sorocabano, a Estação Ferroviária, celebra nesta quarta-feira, 10 de
julho, os 138 anos de conclusão das obras da então recém-criada Via
Férrea Sorocabana. Obra do idealismo e determinação de Luiz Matheus
Maylasky, a ferrovia é o marco de importantes fases do desenvolvimento
de Sorocaba e, para comemorar a data, a Prefeitura de Sorocaba, por meio
da Secretaria da Cultura e Lazer, programou uma série de eventos.
Haverá, por exemplo, uma exposição de fotos antigas e a exibição de
vídeos e documentários que falam desse patrimônio local. Além disso, o
Museu da Estrada de Ferro vai exibir, até o dia 3 de agosto, a pena que
pertenceu a Maylasky e com a qual o visionário húngaro registrou seus
feitos na história da cidade, de São Paulo e do Brasil. O Museu,
instalado na rua Dr. Álvaro Soares, 553, bem em frente à Estação
Ferroviária, poderá ser visitado de quarta-feira a sábado, das 9 às 12 e
das 13 às 16h30.
Já exposição de fotos, que conta com o apoio de ferreomodelistas
sorocabanos, acontecerá a partir das 13 horas de amanhã, na Casa do
Turista, anexa à Estação, na avenida Dr. Afonso Vergueiro. No mesmo
local, a partir das 19 horas, haverá exibição dos filmes "Estrada de
Ferro Elétrica Votorantim", "O Trem Paulista", um cine-jornal produzido
em 1958 por Landa Lopes, "A Estrada de Ferro Sorocabana" e "Bandeirante
Apiaí". As atrações são gratuitas. "Estrada de Ferro Elétrica
Votorantim" (15 minutos) é uma película rara de 1922 sobre a inauguração
do serviço de bondes elétricos entre a Estação Paula Souza, em
Sorocaba, e a fábrica de tecidos que compunha o núcleo industrial da
Família Pereira Ignácio, no então distrito de Votorantim. Já "O Trem
Paulista" (10 minutos) trata-se de um filme produzido em 1962 pela Cia.
Cinematográfica Cruzeiro do Sul para divulgar os investimentos
realizados pelo Governo Estadual nas ferrovias paulistas. Contém cenas
raras de Sorocaba, Bauru, Araraquara e outras cidades. Acervo resgatado e
divulgado pelo Museu da Imagem e Som, Associação Paulista de Modelismo
Ferroviário e Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba.
O "Cine-jornal", por outro lado, com 8 minutos de duração e produzido em
1958 pela Esplanada Filmes, da produtora Landa Lopes, mostra a
inauguração do refeitório dos funcionários das oficinas da antiga
Estrada de Ferro Sorocabana no Município e a visita da comitiva ao
recém-criado Instituto Educacional "Matheus Maylasky". Documentário de
posse do IHGGS (Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de
Sorocaba). "A Estrada de Ferro Sorocabana", outra edição do cine-jornal
produzido no mesmo ano com reportagem sobre melhoramentos na ferrovia,
como o desembarque de trens-unidades importados do Japão, inauguração do
ramal de Theodoro Sampaio e diversas obras, também trata-se de
documentário obtido após pesquisa no acervo do IHGGS em 1994 por Stênio
Gimenez, enquanto que "Bandeirante Apiaí" (20 minutos) é um filme de
1997, inédito, com imagens gravadas por Stênio Gimenez na viagem
inaugural do que foi a última iniciativa do Estado em promover o
transporte de passageiros pela ferrovia, entre Sorocaba e Apiaí. O
serviço durou até 1º de março de 2001.
Maylasky e a Estrada de Ferro Sorocabana
A então Companhia de Ferro Sorocabana nasceu de um capricho de Luiz
Matheus Maylasky, o `estrangeiro misterioso', como o chamavam. Nasceu em
Lemberg (Hungria), em 21 de agosto de 1836. Chegou a Sorocaba ninguém
sabe de onde e sem um tostão no bolso. Foi acolhido pelos padres
beneditinos do Mosteiro de São Bento, onde logo reconheceram que se
tratava de alguém de raros conhecimentos, pois falava diversos idiomas
e, em especial, o latim.
Logo conquistou a simpatia de Sorocaba. Bem relacionado pelo seu modo
culto, tornou-se em pouco tempo o homem que, mais tarde, prestaria
relevantes serviços não só ao povo local, como também trazendo um
melhoramento à terra que em boa hora teve a suprema ventura de o acolher
em sua sociedade. Na rua da Quitanda, hoje rua Maylasky, esquina a
Penha, no Centro, existia num prédio antiquíssimo um velho descaroçador
de algodão movido a vapor que não funcionava, devido a sérios problemas
na máquina. Maylasky, sabendo disso, examinou o equipamento e, por
conhecer um pouco de mecânica, comprometeu-se repará-lo, o que fez,
deixando o descaroçador em condições de uso.
Corria o ano de 1867, era das famosas Feiras de Sorocaba. Não havia
nenhuma fábrica na cidade, a não ser algumas máquinas de beneficiar
algodão. Surgiu sua primeira iniciativa: estabelecer em Sorocaba o
`Trust' do algodão, quando nos Estados Unidos estava ocorrendo a "Guerra
da Secessão" e onde, devido a isso, estagnara-se a cultura do algodão,
criando, assim, a oportunidade de novos fornecedores estabelecerem o
comércio desde produto no mercado europeu, em especial na Inglaterra.
Maylasky estabeleceu-se com um grande armazém na rua do Commercio (hoje
Barão do Rio Branco). Comprava algodão e, depois de beneficiar, o
remetia para os centros industriais e para o estrangeiro, conquistando a
confiança na praça de São Paulo, Santos e Rio de Janeiro. Instruía
também os pequenos lavradores, auxiliando em seus plantios e até com
dinheiro, tornando-se, com isso, uma pessoa relevante na sociedade
sorocabana. Em 1868, resolveu fundar uma fábrica de tecidos em Sorocaba.
Transposto o maquinário à cidade, construiu um barracão para
estabelecer sua fábrica, cujo prédio serviu mais tarde para as oficinas
de locomoção da "Sorocabana".
A ESTRADA DE FERRO - Em 1869, surgiu a ideia dos
ituanos de construírem uma via férrea interligando Jundiaí a Itu. Face
ao alto custo do empreendimento, capitalistas sorocabanos foram
convidados para entrarem como acionistas da "Companhia Ituana", que
formara-se para construir a linha. Maylasky se pôs à frente, convidando
as pessoas de relevância da cidade para o levantamento do capital
necessário. Porém, era de interesse dos sorocabanos de que esta linha
não ficasse só até Itu, mas que se estendesse até Sorocaba, para que
também esta se beneficiasse da ligação férrea.
Consta que essa reunião de 20 de janeiro de 1870. na qual a comissão
sorocabana foi muito mal recebida, estimulou Maylasky a organizar e
fundar em Sorocaba, em 1870, a "Companhia Sorocabana", a fim de
construir uma via férrea de Sorocaba a São Paulo, intento que foi levado
a efeito, inaugurando-se o tráfego em 10 de julho de 1875.
Três anos depois de inaugurada, a Sorocabana estendeu suas linhas até
Tietê, Tatuí, Itapetininga e Botucatu. Também em 1877, os trilhos da
Companhia Ituana atingiam Piracicaba, onde promoveriam a integração com o
transporte fluvial à vapor. Como as duas ferrovias serviam à mesma
região e tinham os mesmos interesses, elas uniram-se, formando a maior
rede ferroviária do Estado, com 820 quilômetros de extensão.
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