domingo, 11 de agosto de 2013

Mais um grande passo

Jornal Cruzeiro do Sul
Andrea Alves

 Bailarino Gustavo Henrique Pacheco é o único brasileiro que ganhou uma bolsa integral para estudar na Miami City Ballet School



 A conquista representa bolsa de estudo de 100%, mais auxílio moradia, no entanto Gustavo precisa angariar verba para que possa viajar e se estabelecer nos EUA até que consiga um trabalho - Érick Pinheiro

Gustavo Henrique Pacheco teve contato com a dança de maneira bem informal, aos 9 anos, numa igreja que frequentava em sua cidade, Votorantim. Foi o pessoal da igreja que o incentivou a procurar uma academia de ensino especializado. Isso só aconteceu aos 13 anos, idade considerada tardia para quem pretende se dedicar à dança com objetivos profissionais, quando Gustavo começou a ter aulas de dança. Levou um tempo ainda para que se dedicasse ao balé clássico, mas tudo aconteceu muito rápido em sua vida. Hoje, aos 19 anos, ele é o único brasileiro que ganhou uma bolsa integral para estudar na Miami City Ballet School. Essa conquista representa bolsa de estudo de 100%, mais auxílio moradia, no entanto Gustavo precisa angariar verba para que possa viajar e se estabelecer nos Estados Unidos até que consiga um trabalho para complementar seu sustento durante o período letivo do curso, que dura aproximadamente um ano. O bailarino deve embarcar para Miami no dia 1º de setembro. Gustavo agora corre contra o tempo, mas não é a primeira vez que se vê nessa situação. Há cinco meses, ele recebeu a notícia de que foi aprovado fazer um curso de verão, com duração de 5 semanas, nessa mesma academia. "Tive três meses para angariar verbas para que eu pudesse viajar. Consegui e fui no meio desse ano. Agora, tenho menos tempo ainda."

Quando aconteceu o convite para o curso de verão, a professora de balé de Gustavo, Maira Cury, promoveu rifas e arrecadações e a academia promoveu apresentações de espetáculos de dança no Auditório Municipal Francisco Beranger, com apoio da Secretaria de Cultura de Votorantim, para arrecadar fundos. Agora, com o tempo ainda mais curto, a bailarina Mônica Minelli está em contato com empresários das cidades de Sorocaba e Votorantim com o intuito de angariar apoio para os estudos de Gustavo. "Ele é um representante da região, vai levar o nome do Brasil, de Votorantim para fora e merece apoio. Fora do Brasil, é muito comum as pessoas investirem nesses profissionais. Além do mais, Gustavo não vai parar por aí", enfatizou Mônica.

Nas nuvens

Foi durante o estudo de verão que Gustavo conquistou a bolsa integral para o curso extensivo da Miami City Ballet School. Segundo o jovem, é muito raro que os responsáveis pela academia norte-americana concedam bolsas de estudos de 100% com auxílio moradia. Mas esse ano, quatro bailarinos tiveram o privilégio da contemplação: um norte-americano, um equatoriano, um francês e o brasileiro Gustavo foram convidados a ser alunos da renomada escola. "Como aluno, temos grandes possibilidades de integrar a companhia de dança da escola", sonha Gustavo.

"Tudo que vivi até agora não parece real", diz Gustavo, que voltou das cinco semanas em Miami com aprimoramento técnico e muita vivência. Teve que aprender a se virar sozinho, sem a mãe por perto para fazer um lanche ou cuidar de um resfriado, e teve que aprender a lidar com o espírito altamente competitivo que impera nos bailarinos que, assim como ele, estão lá agarrando oportunidades que aparecem. "Aprendi a relevar essa coisa da competição exagerada. Alguns levam a competição para fora da sala de dança, mas eu prefiro a humildade entre os amigos, prefiro saber separar o momento de ser competitivo", diz o menino que cresceu no Jardim Clarice e arriscou os primeiros passos com a professora de balé Karen Pécora. Aluno da Academia Mônica Minelli, Gustavo terminou o 7º Grau do Ballet Clássico sendo aprovado pelos examinadores do Royal Academy of Dance com a nota 96, a mais alta dos alunos da academia sorocabana. Gustavo também foi aprovado para um curso da American Academy of Ballet of NY City, mas optou por ingressar na Miami City Ballet School.

Destaques
A bailarina e professora destaca que algumas de suas alunas também estão colhendo os frutos de tanta dedicação. Gabriele Villela Gonçalves e Emília Hanna Pascal, ambas de 14 anos, ganharam bolsa parcial para cursos da Miami City Ballet School, mas não vão ingressar naquela escola porque preferiram se preparar para outras audições. Carolina César, 12 anos, foi convidada para um curso em Mônaco, mas já tinha aceitado participar de um curso de duas semanas na mesma escola de Miami. A adolescente Helena Rocha, de 16 anos, foi convidada por bailarina que integrou a produção do filme Cisne Negro para se apresentar, nesse último mês de julho, como solista na final do curso da American Academy of Ballet of NY City.

"O Brasil tem sido uma máquina de fazer artistas", afirmou Mônica Minelli. "Acho que o fato das coisas serem mais difíceis no nosso país, faz com que as pessoas lutem pelas oportunidades e se agarrem a elas com afinco. Sorocaba também tem seus méritos nessas conquistas. As academias da cidade estão preparando bailarinos não apenas para mostrá-los aos pais, mas para as audições que acontecem no mundo todo.

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