segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Lojistas têm dificuldades em conseguir mão de obra qualificada entre os jovens

Jornal Cruzeiro do Sul
André Moraes

Atualmente, em Sorocaba e Votorantim há mais de 1,1 mil vagas abertas, boa parte para os shoppings




 No CAT, são 180 vagas para o comércio e, no PAT, 407 oportunidades - Erick Pinheiro


Atualmente, existem mais de 1,1 mil vagas de empregos em Sorocaba e Votorantim, disponíveis nos órgãos de atendimento aos trabalhadores das duas cidades. Porém, os que estão procurando novos funcionários enfrentam dificuldades, já que há a falta de qualificação em diversos candidatos. De acordo com representantes do setor do comércio, muitos adolescentes e jovens procuram essa área de atuação do mercado, porém, o despreparo para o atendimento ao público, por exemplo, faz com que muitos currículos sejam descartados e as vagas demorem para ser preenchidas.

A coordenadora do Centro de Atendimento ao Trabalhador (CAT) de Votorantim, Sandra de Oliveira Arruda Portela, revela que diariamente empresas do comércio procuram o órgão para anunciar as vagas disponíveis. Isso ocorre, principalmente, por conta das instalações de shoppings em Sorocaba e da ampliação de um empreendimento naquela cidade. Atualmente, o CAT possui 180 vagas para o setor do comércio e 80 para a indústria. "Mas, na semana que vem, vamos ter duas empresas dentro do CAT procurando trabalhadores para o shopping Iguatemi. Cada uma delas tem 35 vagas disponíveis", revela. Segundo Sandra, as funções mais procuradas pelos empresários são de operador de caixa, balconista, atendente, vendedores, ajudante de cozinha e cozinheiro.

Já em Sorocaba, o Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT) possui 407 vagas abertas para o comércio e 463 para a indústria, totalizando 870. Do total de vagas disponíveis para o comércio, 45% são direcionadas para os shoppings que estão prestes a serem inaugurados. Apesar de todas essas oportunidades, o problema é que os que procuram um emprego chegam despreparados e sem nenhum conhecimento sobre a área que almejam atuar, conforme diz a coordenadora do CAT. "Está começando a ficar complicado achar gente na área de atendimento, por exemplo. Ainda mais para shoppings, que exigem mais qualificação. Acho que as pessoas têm que buscar, porque as empresas e as Prefeituras oferecem cursos na área de vendas e atendimento. São cursos abertos, por isso, o ideal seria as pessoas irem em busca", relata.

Ela acredita que as pessoas não estão acompanhando as exigências do mercado, que procuram trabalhadores com, no mínimo, o Ensino Médio completo. "Se a pessoa não se especializar e não ir atrás, fica difícil. Hoje o mercado exige mais, porque as faculdades estão mais acessíveis, há várias possibilidades. Hoje não podemos dizer que pessoa não estuda porque não tem condições", argumenta Sandra.

Associações comerciais

O presidente da Associação do Centro de Sorocaba (Aceso), Hudson Pessini, acredita que essa falta de qualificação ocorre pelo pequeno número de instituições que preparam os jovens para o mercado de trabalho. Adicionada a isso a falta de vontade do jovem de procurar por esses cursos, já que esperam que tudo caia em suas mãos de uma hora para outra. "A gente vê muito aqui no Centro algumas mães trazendo os currículos de seus filhos de 16 anos, por exemplo. Isso mostra uma má vontade tão grande que fica difícil de dar a oportunidade", revela. Ele ainda diz que os jovens estão com uma mentalidade de que vão conseguir rios de dinheiro em pouco tempo, mas ele informa que não é bem assim que funciona. "Eles precisam se empenhar para crescer no mercado. Há muitos jovens que chegam em alguma loja, trabalham um ou dois dias e simplesmente não vão mais, sem dar nenhum satisfação. Isso fica como um ponto negativo no currículo", considera.

Já o presidente da Associação Comercial de Sorocaba (Acso), Nilton da Silva César, opina que as próprias empresas também podem investir na qualificação do seu funcionário. "Uma das principais causas do fracasso ou sucesso de empresa é o pessoal. Pessoal qualificado traz mais produtividade e isso faz com que empresa cresça", afirma. César acredita ainda que os gastos que o estabelecimento teria com a profissionalização do funcionário compensaria depois, já que ele teria uma melhor capacidade de fornecer lucros à empresa. "Não estamos no apagão da mão de obra, mas precisamos capacitar o pessoal", opina.



Comércio apela às placas para atrair trabalhadores

No Centro de Sorocaba, bastar andar poucos metros para avistar placas de "Admite-se vendedor" e "Aceita-se currículos". A grande maioria das lojas está em busca de novos trabalhadores, para reforçar suas equipes. Isso ocorre muito visando as vendas de final de ano, que costumam ser grandes. Porém, os responsáveis pelos estabelecimentos são unânimes: falta qualificação. "A gente está sofrendo mais para achar mão de obra do que para atrair clientes", diz a proprietária de uma lanchonete na região central, Crislaine Santana Rodrigues.

O estabelecimento está precisando de novos funcionários, para os cargos de atendente e cozinheiro, por exemplo, mas ainda não conseguiu encontrar pessoas dispostas a realizar o trabalho com força de vontade. "É difícil, porque o pessoal chega aqui totalmente despreparado. O fato de não ter experiência a gente não liga, mas tem que ter, pelo menos, uma noção de como é o trabalho", relata. Outro problema, segundo Crislaine, é que quem possui preparo costuma receber várias propostas, então não fica tanto tempo na empresa. "E o pessoal está visando muito os shoppings, agora. Parece que todo mundo quer ir para o shopping", diz.

Uma loja de sapatos, localizada no Bulevar Braguinha, procura 30 novos funcionários e ainda não conseguiu encontrar nem perto da metade desse número. "Eles chegam aqui despreparados, aí acham o trabalho muito difícil e acabam saindo", afirma Elenice de Oliveira Marques, gerente do estabelecimento. Já uma loja de roupas, também naquele local, precisa de apenas mais um funcionário e mesmo assim passa por problemas para achar alguém para compor essa vaga. "A qualificação é um ponto que conta muito para conseguir emprego no comércio, por isso, é difícil. Alguns chegam aqui com a ilusão de que vão receber uma fortuna logo de cara, por isso, desanimam logo no começo, pois não sabem esperar", argumenta. (A.M.)

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