Marcelo Roma
Fevereiro pode superar vendas de janeiro e dezembro
Segundo Júlio Marques, produção será recorde se calor persistir - ALDO V. SILVA
O intenso calor das últimas semanas e a falta de chuva, desde janeiro, fizeram aumentar significativamente o consumo e a produção de sorvetes. Em Sorocaba e Votorantim, indústrias ampliaram o volume em 50% na comparação com meses normais do verão. Nas sorveterias, faltam sabores, que precisam ser repostos e, nas fábricas, também há casos de falta de matéria-prima, como polpas de algumas frutas.
O dono da Polo Sorvetes, Júlio Cesar Marques, explica que a produção de janeiro e fevereiro está sendo muito maior que os mesmos meses de outros anos. Ele afirma que houve aumento de 50% e acredita, que se o calor continuar em fevereiro, a produção será recorde, superando os dois meses anteriores, janeiro e dezembro. Marques atribui o aumento do consumo ao forte calor e a ausência de chuvas. "Em janeiro do ano passado choveu bastante e isso prejudicou as vendas." Dias de chuvas são perdidos porque o consumo normalmente cai drasticamente. Na fábrica da Polo, em Sorocaba, o volume diário de sorvetes, atualmente, é de 25 mil litros.
Marques precisou contratar recentemente mais cinco funcionários para dar conta dos pedidos. A indústria emprega 25 pessoas. De acordo com o proprietário, a Polo mantém parceria com 30 sorveterias em Sorocaba e região, para o fornecimento exclusivo, além de 600 pontos de venda em padarias, bares, restaurantes e similares. Algumas polpas de frutas chegaram a faltar, por causa do alto volume de produção este mês, descreve Marques. Quando isso ocorre, se fabrica mais de outros sabores. A reposição é feita, geralmente, no dia seguinte nas sorveterias, se faltam alguns sabores.
A fábrica de sorvetes Ice Urla, localizada em Votorantim, também teve de aumentar o volume em 50% para atender a demanda. De acordo com a proprietária, Shirlei Ferraz, há dias em que é preciso recorrer às horas extras. O horário normal de funcionamento, das 8h às 18h, passa a ser então das 6h às 20h. São cinco pessoas que trabalham na fábrica. Shirlei afirma que é preciso aproveitar as altas temperaturas, quando o consumo aumenta bastante, pois, nos meses frios, há queda nas vendas e, consequentemente, na produção. "O brasileiro precisa aprender a tomar sorvete não só no calor", diz Shirlei. Ela também relaciona a falta de chuvas em janeiro e este mês ao maior volume produzido. "É algo atípico, que não aconteceu em outros anos", segundo ela.
Movimento intenso
A franquia da sorveteria Los Paleteros - no Parque Campolim, em Sorocaba - foi inaugurada no dia 11 de janeiro e há filas de clientes todos os dias e em quase todos os horários. A movimentação chama a atenção de quem passa pela avenida Antonio Carlos Comitre, principalmente aos finais de semana. Alguns sabores são exóticos, como paçoca e abacaxi com pimenta. A sorveteria tem sistema drive-thru, em que a pessoa pode comprar sem sair do carro. Há falta de determinados sabores por causa da procura maior e há pressa para a reposição. Os sorvetes são produzidos em Curitiba.
O proprietário da Polo Sorvetes diz que o tipo de sorvete mais vendido é o pote de dois litros, geralmente levado para casa. Para ele, o consumo menor de sorvete no Brasil, em relação a outros países, é um fenômeno cultural. "Muita gente ainda considera o sorvete com algo supérfluo, mas é um alimento saudável e que deveria ser mais consumido em todas as épocas do ano." De acordo com Marques, novos equipamentos de fabricação e linhas de crédito para pequenos fabricantes incentivaram o setor nos últimos anos. O mercado era dominado antes pelas grandes marcas.

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