terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Cidadania ajuda filho a conhecer a mãe aos 48 anos


Filho conhece a mãe aos 48 anos e começam uma nova história


Equipe de assistentes sociais ajuda catador de recicláveis a realizar o sonho de conhecer a mãe. O encontro foi neste terça-feira, em Votorantim.


Quarenta e oito anos foi o tempo esperado para o abraço entre mãe e filho, gesto que selou o encontro e a oportunidade de construir e viver uma nova história. Nesta terça-feira, dia 04, em Votorantim, em clima de emoção e ansiedade, o catador de recicláveis Arnaldo Mendonça, que vive na cidade há mais de dez anos com pouquíssimas referências sobre sua origem, realizou o desejo de conhecer a mãe e descobriu que tem uma grande família. Foram aproximadamente três meses de trabalho da equipe da Secretaria da Cidadania e Geração de Renda (Seci) para localizar Vera Mendonça que vive em Cotia, na Grande São Paulo, verificar a viabilidade do encontro e preparar a ocasião.

O nome dela na certidão de nascimento de Arnaldo foi o ponto de partida para buscar a história perdida há quase cinquenta anos quando o recém-nascido foi deixado aos três dias de vida no Instituto Dona Paulina de Souza Queiroz, em São Paulo. “Com a internet, telefonemas e paciência fomos encontrando as pistas e assim conseguimos localizar dona Vera que contou a mesma história apresentada pelo Arnaldo”, explicou a estagiária de Serviço Social, Lucimeire Ribeiro.

Vera confirmou que também tinha o grande desejo de reencontrar o filho, de quem precisou se separar quando tinha quinze anos, e o próximo passo das assistentes sociais foi fazer uma visita pessoalmente à casa dela em Cotia. Ao chegar lá, além dos detalhes e datas compatíveis com a versão contada por Arnaldo, a semelhança física de mãe e filho surpreendeu a equipe que deu continuidade aos preparativos para garantir o encontro, passando a atuar em parceria com a assistente social Eliete Edwigs Barbosa, da Secretaria de Desenvolvimento Social de Cotia.

Antes do abraço

“Oi mãe, estou muito feliz” foi a primeira manifestação de Arnaldo ao ser apresentado a Vera e antes de dar o primeiro abraço. A irmã mais velha, Maria Elisabete, de 50 anos também compareceu e se emocionou ao conhecer o irmão e pensar em como será a vida daqui em diante. “Temos que conversar e ir se adaptando”, falou destacando que sempre soube da existência do irmão mais novo, mas não imaginava que o encontraria. “Minha avó sempre falava sobre ele, mas eu não achava que ia acontecer”, revelou. Além de Maria Elisabete, Arnaldo tem mais três irmãos e nove sobrinhos que pretende conhecer em breve. “Quem sabe eu arrumo um serviço lá e posso ficar mais perto”, planejou.

O encontro da família Mendonça foi presenciado pelas equipes da Secretaria da Cidadania e da Comissão Municipal de Assistência Social (Comas), que ajudam a cuidar de Arnaldo e acompanharam a jornada para realizar o seu sonho. Alguns não contiveram as lágrimas ao ver a alegria e a pureza de Arnaldo ao presentear a mãe e várias vezes agradecer por tê-la perto. Antes de ir embora Vera conheceu os cachorros que são grandes companheiros de Arnaldo e o quartinho onde o filho guarda seus pertences.

Esse comportamento de um homem simples que vive na rua, mas não dispensa um bom banho, divide sua própria refeição com os cães Bob e Neguinho e trata a todos com educação que cativa muita gente. “Conhecemos o Arnaldo há muito tempo e damos assistência aqui na Cidadania. Ficamos muito satisfeitos em poder contribuir quando ele manifestou esse desejo de encontrar a mãe e mais ainda ao vermos que tudo deu certo e eles vão poder construir uma relação”, explicou a secretária da Cidadania, Ana Criguer.


21 pessoas reencontraram a família desde 2013



Desde o início do ano passado a equipe de Assistência Social da Secretaria da Cidadania e Geração de Renda (Seci) de Votorantim conseguiu promover o reencontro de 21 pessoas com suas famílias. O caso mais complexo foi o do catador de recicláveis Arnaldo, que conseguiu realizar o sonho de conhecer a mãe com quem só havia estado há 48 anos enquanto recem-nascidoe cuja família estava em Cotia, há cerca de oitenta quilômetros de Votorantim.

Moradores de rua, pessoas perdidas e com dificuldades na memória foram atendidas e reencontraram suas referências em um trabalho que inclui pesquisa de documentos, contato com instituições, hospitais e até cartórios, além do olhar técnico e, ao mesmo tempo, humano das assistentes sociais. “É um trabalho que exige paciência e dedicação, mas muito gratificante”, resumiu Sueli Maria Baldini de Moraes, diretora da Cidadania e também assistente social.

A estagiária Lucimeire Ribeiro explica que entre os casos resolvidos estava o de uma moradora de rua que não sabia onde estava a família e os familiares foram localizados na própria cidade de Votorantim. Também houve casos de pessoas perdidas e que foram identificadas e pacientes que haviam fugido de hospitais psiquiátricos e tiveram a família encontrada retornando para o tratamento. “Essa é uma das áreas de atuação do serviço social e de grande valia não apenas para quem é atendido e retorna para a família ou reencontra alguém, mas também para quem consegue cumprir essa missão”, explicou Lucimeire.



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Secom Votorantim

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