Audiência pública reuniu autoridades da área em Votorantim. Próximo encontro será em Ibiúna
Atualmente, todas as comportas da barragem de Itupararanga estão fechadas (Foto: Fernando Rezende)
VEREADOR HEBER MARTINS, presidente da Câmara, `dificuldades e resistência para debater a crise hídrica' (Foto: Fernando Rezende)
A preservação da represa de Itupararanga e os problemas de abastecimento de água que muitos municípios vêm enfrentando foram temas para a audiência pública que ocorreu ontem no salão social da Associação dos Aposentados (Apevo), em Votorantim. O encontro, promovido pelo Legislativo votorantinense, foi presidido pelo vereador Heber Martins, presidente daquela Casa de Leis, e autor da proposta da audiência.
Com 936 quilômetros de extensão, o reservatório tem volume útil de água estimado em 280 milhões de metros cúbicos e é responsável pelo abastecimento de Sorocaba, Votorantim, Alumínio, Piedade, São Roque, Mairinque e Ibiúna. Atualmente, todas as comportas da barragem estão fechadas.
A crise hídrica pela qual o Estado de São Paulo vem passando, assim como a falta de investimentos para tentar solucionar o caso foram debatidas pelos 60 participantes, conforme a equipe organizadora. Segundo Heber, a primeira causa para a preocupação com o problema da água, seja em âmbito estadual ou regional, é a falta de investimento. "Não temos visto essa preocupação, em nível de região, para o investimento, principalmente Sorocaba, onde temos visto que alguns pontos importantes de captação estão secando, como o ribeirão do Ferraz, no bairro do Éden", asseverou, acrescentando também que as adutoras que passam por Sorocaba são antigas e sempre estão se rompendo.
O presidente da Câmara de Votorantim reforçou, por outro lado, que a seca é um segundo ponto que precisa ser debatido e não apenas ser transferido para os consumidores. "A população vem fazendo sua parte, mas os poderes públicos fazem mais marketing em cima disso e passam a responsabilidade para a população", lamentou.
Heber chamou ainda a atenção para o aumento de loteamentos que surgem no entorno da represa de Itupararanga, a intensificação da agricultura e a mata ciliar que precisa ser recuperada. "Precisamos aproveitar este tempo de seca para fazer uma maior reflexão sobre esses pontos", afirmou, adiantando que Ibiúna se prontificou a ser sede da próxima reunião sobre a questão, que ainda não tem data marcada. Ainda segundo o vereador, foi feita uma ata do encontro, para que os questionamentos dos participantes sejam levados aos órgãos públicos, como a Área de Proteção Ambiental (APA), Companhia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e Polícia Ambiental.
SEM COMPARATIVOS - O presidente do Legislativo votorantinense, Heber Martins, destacou também, por outro lado, que não se tem como comparar a crise no Sistema Cantareira, que abastece a região metropolitana de São Paulo, com problemas encontrados na represa de Itupararanga, mas é preciso tomar cuidados para que não se tenha muitas sangrias para outras cidades. "Nós temos uma fonte aqui, mas se não cuidarmos só vai sair. E quem paga é a população", afirmou, explicando que a população ainda precisa de mais informações. "A gente percebe que se fala uma coisa, mas está se mostrando outra", frisou, adiantando que há, inclusive, quem defenda deslocar água da Itupararanga para abastecer Itu.
Contudo, por meio de nota, a Votorantim Energia esclarece que não tem qualquer informação sobre a possibilidade ou viabilidade de a represa de Itupararanga abastecer a outros municípios, como Itu. Destaca ainda que as chuvas das últimas semanas foram suficientes para manter o volume de água de sua represa de Itupararanga estável para o abastecimento da região de Votorantim e Sorocaba. Reforça também que o abastecimento público é prioridade e que não há risco para o abastecimento.
Questionada sobre o atual nível do reservatório, a Votorantim Energia não se pronunciou.
SITUAÇÃO SOROCABANA - Representando o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Sorocaba, o diretor operacional de água Rodolfo Barbosa, disse que a Autarquia não aumentou a quantidade de captação de água em Itupararanga, assegurada por uma outorga que permite a captação de 1.950 litros por segundo, direcionada à região do Éden. Conforme a assessoria do Saae, a água direcionada àquela região passa pela rede distribuição que parte da Estação de Tratamento de Água (ETA) do Cerrado.
A conselheira do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Condema), Idatil Lopes, disse que situação do Itupararanga não é tão confortante, porém. Ela afirmou no encontro de ontem, em Votorantim, que faltaram técnicos ambientais que falassem sobre a crise de forma técnica. "Uma crise envolve muitas partes e setores. Um chuveiro não gasta mais do que uma indústria. É preciso serem aprofundados os casos. Se a situação continuar como está, pode ser que, daqui a dois anos, a água não se esgote totalmente, mas haverá caos em certos setores", destacou. Contudo, o presidente da Câmara de Votorantim justificou-se, afirmando que estendeu o convite diversos órgãos: "Sentimos uma dificuldade e resistência por parte das pessoas que entendem do assunto para debates".
Também estiveram presentes à Audiência Pública de ontem, compondo a mesa, o diretor da Águas de Votorantim, Alex Macedo; a presidente da Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Município de Votorantim, Lucélia Ferrari; o presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Votorantim e Região, Aristides Fernandes; o diretor de gestão de Meio Ambiente da Prefeitura de Sorocaba, Vital Dias Mota Júnior; o secretário municipal de Meio Ambiente de Votorantim, Carlos Alberto Leite, e o presidente da subsecção votorantinense da Ordem dos Advogados do Brasil, Adriano Pedroso.
NASCENTE DO PARQUE DA BIQUINHA SECA - A nascente que dá nome ao Parque da Biquinha, localizado no Jardim Emília, em Sorocaba, secou. Conforme funcionários, não se tem uma data certa de quando a seca começou. A Secretaria do Meio Ambiente do Município, por meio da assessoria de comunicação da Prefeitura, informou que a seca deu-se por causa da estiagem que ocorre na região, porém ainda não há uma posição sobre a solução que será dada para o problema.
Com 936 quilômetros de extensão, o reservatório tem volume útil de água estimado em 280 milhões de metros cúbicos e é responsável pelo abastecimento de Sorocaba, Votorantim, Alumínio, Piedade, São Roque, Mairinque e Ibiúna. Atualmente, todas as comportas da barragem estão fechadas.
A crise hídrica pela qual o Estado de São Paulo vem passando, assim como a falta de investimentos para tentar solucionar o caso foram debatidas pelos 60 participantes, conforme a equipe organizadora. Segundo Heber, a primeira causa para a preocupação com o problema da água, seja em âmbito estadual ou regional, é a falta de investimento. "Não temos visto essa preocupação, em nível de região, para o investimento, principalmente Sorocaba, onde temos visto que alguns pontos importantes de captação estão secando, como o ribeirão do Ferraz, no bairro do Éden", asseverou, acrescentando também que as adutoras que passam por Sorocaba são antigas e sempre estão se rompendo.
O presidente da Câmara de Votorantim reforçou, por outro lado, que a seca é um segundo ponto que precisa ser debatido e não apenas ser transferido para os consumidores. "A população vem fazendo sua parte, mas os poderes públicos fazem mais marketing em cima disso e passam a responsabilidade para a população", lamentou.
Heber chamou ainda a atenção para o aumento de loteamentos que surgem no entorno da represa de Itupararanga, a intensificação da agricultura e a mata ciliar que precisa ser recuperada. "Precisamos aproveitar este tempo de seca para fazer uma maior reflexão sobre esses pontos", afirmou, adiantando que Ibiúna se prontificou a ser sede da próxima reunião sobre a questão, que ainda não tem data marcada. Ainda segundo o vereador, foi feita uma ata do encontro, para que os questionamentos dos participantes sejam levados aos órgãos públicos, como a Área de Proteção Ambiental (APA), Companhia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e Polícia Ambiental.
SEM COMPARATIVOS - O presidente do Legislativo votorantinense, Heber Martins, destacou também, por outro lado, que não se tem como comparar a crise no Sistema Cantareira, que abastece a região metropolitana de São Paulo, com problemas encontrados na represa de Itupararanga, mas é preciso tomar cuidados para que não se tenha muitas sangrias para outras cidades. "Nós temos uma fonte aqui, mas se não cuidarmos só vai sair. E quem paga é a população", afirmou, explicando que a população ainda precisa de mais informações. "A gente percebe que se fala uma coisa, mas está se mostrando outra", frisou, adiantando que há, inclusive, quem defenda deslocar água da Itupararanga para abastecer Itu.
Contudo, por meio de nota, a Votorantim Energia esclarece que não tem qualquer informação sobre a possibilidade ou viabilidade de a represa de Itupararanga abastecer a outros municípios, como Itu. Destaca ainda que as chuvas das últimas semanas foram suficientes para manter o volume de água de sua represa de Itupararanga estável para o abastecimento da região de Votorantim e Sorocaba. Reforça também que o abastecimento público é prioridade e que não há risco para o abastecimento.
Questionada sobre o atual nível do reservatório, a Votorantim Energia não se pronunciou.
SITUAÇÃO SOROCABANA - Representando o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Sorocaba, o diretor operacional de água Rodolfo Barbosa, disse que a Autarquia não aumentou a quantidade de captação de água em Itupararanga, assegurada por uma outorga que permite a captação de 1.950 litros por segundo, direcionada à região do Éden. Conforme a assessoria do Saae, a água direcionada àquela região passa pela rede distribuição que parte da Estação de Tratamento de Água (ETA) do Cerrado.
A conselheira do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Condema), Idatil Lopes, disse que situação do Itupararanga não é tão confortante, porém. Ela afirmou no encontro de ontem, em Votorantim, que faltaram técnicos ambientais que falassem sobre a crise de forma técnica. "Uma crise envolve muitas partes e setores. Um chuveiro não gasta mais do que uma indústria. É preciso serem aprofundados os casos. Se a situação continuar como está, pode ser que, daqui a dois anos, a água não se esgote totalmente, mas haverá caos em certos setores", destacou. Contudo, o presidente da Câmara de Votorantim justificou-se, afirmando que estendeu o convite diversos órgãos: "Sentimos uma dificuldade e resistência por parte das pessoas que entendem do assunto para debates".
Também estiveram presentes à Audiência Pública de ontem, compondo a mesa, o diretor da Águas de Votorantim, Alex Macedo; a presidente da Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Município de Votorantim, Lucélia Ferrari; o presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Votorantim e Região, Aristides Fernandes; o diretor de gestão de Meio Ambiente da Prefeitura de Sorocaba, Vital Dias Mota Júnior; o secretário municipal de Meio Ambiente de Votorantim, Carlos Alberto Leite, e o presidente da subsecção votorantinense da Ordem dos Advogados do Brasil, Adriano Pedroso.
NASCENTE DO PARQUE DA BIQUINHA SECA - A nascente que dá nome ao Parque da Biquinha, localizado no Jardim Emília, em Sorocaba, secou. Conforme funcionários, não se tem uma data certa de quando a seca começou. A Secretaria do Meio Ambiente do Município, por meio da assessoria de comunicação da Prefeitura, informou que a seca deu-se por causa da estiagem que ocorre na região, porém ainda não há uma posição sobre a solução que será dada para o problema.
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