Jornal Cruzeiro do Sul
Thiago Arioza
Rafaela e Peter foram levados ao Incor no dia 6 de janeiro - Carolina Cabral/Cortesia/Arquivo (6/1/2015)
Faleceu na noite de sexta-feira a bebê
Rafaela Monte Martho, que desde seu nascimento esperou 14 dias no
Hospital Regional de Sorocaba para ser transferida ao Hospital do
Coração (Incor), em São Paulo, onde foi submetida a uma cirurgia na
sexta-feira. Foram 24 dias de luta para sobreviver à cardiopatia,
deformidade congênita no coração. Peter Augusto de Almeida Medeiros,
outro bebê que nasceu com o mesmo problema, e que aguardou 53 dias até
conseguir uma vaga no Incor, também foi operado e passa bem. Nos dois
casos, as famílias conseguiram liminar na Justiça para a realização de
cirurgia.
Segundo Jaqueline Carvalho, tia de Rafaela, a família da criança
pretende processar o governo do Estado caso fique provado que as chances
de vida da menina diminuíram, devido à demora em conseguir uma vaga e
realizar a cirurgia. "No atestado de óbito consta como motivo da morte o
que já sabíamos: cardiopatia. Mas ela passou por necropsia e um laudo
será entregue no prazo de 15 a 20 dias, com detalhes", informou. O
sepultamento ocorrerá às 8h deste domingo, no cemitério municipal São
João Batista, em Votorantim.
De acordo com Jaqueline, Rafaela entrou para o centro cirúrgico por
volta de 10h de sexta-feira. Após a operação, seu estado de saúde era
considerado estável, chegou a ser desentubada pela equipe clínica e ser
carregada pela mãe. Por volta das 19h, segundo a tia, começou a
apresentar dificuldade para respirar, foi novamente entubada, mas teve
uma parada cardíaca e faleceu às 22h2.
Peter Augusto
Com dois meses e dois dias de vida, Peter foi operado no mesmo dia que
Rafaela, às 12h30. Conforme Cristiane Kelly de Oliveira, tia do
paciente, a cirurgia que durou 4h10 foi para corrigir uma estenose
pulmonar com a inserção de um stent, espécie de mola que expande a
válvula do coração para a correta circulação sanguínea. O menino segue
respirando com ajuda de aparelhos, acordado e com situação clínica
estável. Segundo a tia, a depender de sua recuperação, os médicos
tentarão retirar a respiração artificial na segunda-feira.
Ele deverá aguardar por no mínimo três meses até a próxima cirurgia, que
pretende corrigir a má formação de outras artérias. Ainda deverá ser
submetido a um terceiro procedimento, relacionado a uma má formação
denominada isomerismo ventricular.
A família de Peter teve a internação no Incor negada pela Central de
Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde. Segundo Cristiane, ele
deveria ter passado pela cirurgia com dois dias de vida, pois o problema
no coração foi diagnosticado no quarto mês de gestação.
Secretaria nega
A Secretaria de Estado da Saúde informou que não houve demora
para transferir as crianças ao Incor. O motivo da espera, segundo a
assessoria de imprensa da secretaria, foi para que os recém-nascidos
tivessem condições clínicas para serem encaminhados à cirurgia.

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