domingo, 18 de janeiro de 2015

Morre bebê que teve internação ordenada pela Justiça

Jornal Cruzeiro do Sul
Thiago Arioza


Rafaela e Peter foram levados ao Incor no dia 6 de janeiro - Carolina Cabral/Cortesia/Arquivo (6/1/2015)


Faleceu na noite de sexta-feira a bebê Rafaela Monte Martho, que desde seu nascimento esperou 14 dias no Hospital Regional de Sorocaba para ser transferida ao Hospital do Coração (Incor), em São Paulo, onde foi submetida a uma cirurgia na sexta-feira. Foram 24 dias de luta para sobreviver à cardiopatia, deformidade congênita no coração. Peter Augusto de Almeida Medeiros, outro bebê que nasceu com o mesmo problema, e que aguardou 53 dias até conseguir uma vaga no Incor, também foi operado e passa bem. Nos dois casos, as famílias conseguiram liminar na Justiça para a realização de cirurgia.

Segundo Jaqueline Carvalho, tia de Rafaela, a família da criança pretende processar o governo do Estado caso fique provado que as chances de vida da menina diminuíram, devido à demora em conseguir uma vaga e realizar a cirurgia. "No atestado de óbito consta como motivo da morte o que já sabíamos: cardiopatia. Mas ela passou por necropsia e um laudo será entregue no prazo de 15 a 20 dias, com detalhes", informou. O sepultamento ocorrerá às 8h deste domingo, no cemitério municipal São João Batista, em Votorantim.

De acordo com Jaqueline, Rafaela entrou para o centro cirúrgico por volta de 10h de sexta-feira. Após a operação, seu estado de saúde era considerado estável, chegou a ser desentubada pela equipe clínica e ser carregada pela mãe. Por volta das 19h, segundo a tia, começou a apresentar dificuldade para respirar, foi novamente entubada, mas teve uma parada cardíaca e faleceu às 22h2.

Peter Augusto

Com dois meses e dois dias de vida, Peter foi operado no mesmo dia que Rafaela, às 12h30. Conforme Cristiane Kelly de Oliveira, tia do paciente, a cirurgia que durou 4h10 foi para corrigir uma estenose pulmonar com a inserção de um stent, espécie de mola que expande a válvula do coração para a correta circulação sanguínea. O menino segue respirando com ajuda de aparelhos, acordado e com situação clínica estável. Segundo a tia, a depender de sua recuperação, os médicos tentarão retirar a respiração artificial na segunda-feira.

Ele deverá aguardar por no mínimo três meses até a próxima cirurgia, que pretende corrigir a má formação de outras artérias. Ainda deverá ser submetido a um terceiro procedimento, relacionado a uma má formação denominada isomerismo ventricular.

A família de Peter teve a internação no Incor negada pela Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde. Segundo Cristiane, ele deveria ter passado pela cirurgia com dois dias de vida, pois o problema no coração foi diagnosticado no quarto mês de gestação.

Secretaria nega

A Secretaria de Estado da Saúde informou que não houve demora para transferir as crianças ao Incor. O motivo da espera, segundo a assessoria de imprensa da secretaria, foi para que os recém-nascidos tivessem condições clínicas para serem encaminhados à cirurgia.

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