A Taxa de Mortalidade Infantil em Votorantim teve uma redução de 7,9% no ano de 2013 em comparação com os dados oficiais de 2012. O índice é calculado com o número de óbitos de crianças menores de um ano de vida para cada mil nascidos vivos e é considerado um dos mais importantes indicadores de qualidade na área da saúde. Os números de 2013 foram divulgados pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) na semana passada.
O índice de Votorantim em 2013 foi de 12,8 óbitos para cada mil nascidos vivos, sendo que, no ano anterior havia ficado em 13,9. Para a Secretaria da Saúde de Votorantim, a redução é resultado de um trabalho amplo e cuidadoso na assistência às crianças e também às gestantes, pois o pré-natal é essencial para garantir condições adequadas à formação do bebê, para prolongar a gestação até o final, evitando abortos e os nascimentos prematuros.
A titular da pasta, Izilda Maris Chiozzotto de Moraes, pontua que esse trabalho deve ser avaliado a longo prazo porque o maior desafio não é apenas baixar, mas manter o índice, o que só é possível com um trabalho permanente de verificação de vários outros indicadores, ações de vigilância e aprimoramento constante no sistema de saúde. "Acompanhamos, por exemplo, o elevado número de mulheres que inicia o pré-natal tardiamente, sendo comprovado que os cuidados devem ser iniciados assim que há a confirmação da gravidez", citou a secretária. Ela destaca que esse é um dos desafios a serem superados na cidade, garantindo a conscientização das mulheres de que têm o dever de procurar um atendimento e iniciar o pré-natal o quanto antes.
"É no primeiro trimestre de gestação que são feitos os primeiros exames, incluindo a urocultura e o exame de Sífilis, a gestante é avaliada e deve tomar ácido fólico, que evita malformações neurológicas, além de receber outros cuidados necessários e importantes para uma gestação saudável", acrescentou a secretária. Em novembro do ano passado, o Comitê Municipal de Mortalidade Infantil de Votorantim fez uma reunião com todos os gerentes de unidades de saúde da cidade para apresentar dados sobre a revisão do protocolo do pré-natal e um dos temas abordados foi justamente o ingresso da gestante no pré-natal, recomendando que as unidades reforcem a orientação às mulheres nesse sentido.
Gestantes que faltam às consultas já são procuradas pela rede, num trabalho de busca ativa para o retorno da paciente ao pré-natal. Outra medida importante é garantir que o bebê seja acompanhado por pediatra, para isso, todas as crianças já saem da maternidade com a primeira consulta agendada. Nesta consulta, além do exame clínico do bebê, verificando a curva do crescimento, são reforçadas orientações sobre amamentação, podendo auxiliar as mulheres que encontram dificuldades para o aleitamento, informações sobre próximas consultas e o calendário de vacinação.
Cerca de 75% das mulheres de Votorantim fazem o pré-natal e o parto pela rede municipal, mas muitas das que não fazem o acompanhamento da gravidez na rede pública, optam por passar o bebê no pediatra das UBSs que ficam nos bairros. É o caso de Luzia Pelissari Monteiro, de 37 anos, mãe de Isadorah, de 5 meses, inscrita na UBS Itapeva. "É mais prático e eu gosto muito da médica que atende aqui. Minha filha está ótima", comentou explicando que amamentou com leite materno até os quatro meses e Isadorah tem tomado todas as vacinas e tido um crescimento adequado.
A repositora Rogiane Alves do Carmo, de 26 anos, levou Júlia, de dois meses, para vacinar esta semana. "Faço tudo direitinho, é minha terceira filha e já passou por duas consultas com pediatra aqui", explicou Rogiane, que teve um pré-natal tranquilo, também acompanhado corretamente e com todos os exames feitos e o parto na 39ª semana. Quem segurou Júlia para as vacinas foi a avó, Adelina da Silva, que teve cinco filhos e seis netos. "A vacina é dolorida, mas é para o bem da criança, uma coisa que não pode deixar de fazer", comentou. Com dois meses, Júlia recebeu a vacina contra o rotavírus, a vacina VIP, que protege contra a Poliomielite, e a pentavalente, que protege contra cinco doenças, Difteria, Tétano, Coqueluche, Haemophilus influenza tipo B e Hepatite B.
Carregando o forte Murilo, de um ano e três meses, Juliana Nunes, de 33 anos, também visitou a sala de vacinas esta semana na UBS Itapeva. Ela, que já é mãe de Matheus, de 7 anos, contou que teve uma gravidez bastante cuidadosa, fazendo todas as consultas e seguindo as recomendações, resultando numa gestação tranquila. "Correu tudo bem e com ele também. O Murilo está saudável, passando direitinho por cada etapa e crescendo", orgulha-se a mãe.
Revisão de protocolo e mais exames
Como a infecção urinária é sabidamente um fator de risco para abortos e partos prematuros, além de ser muito comum nas grávidas, em Votorantim, a partir deste ano, as gestantes estão fazendo três uroculturas, uma em cada trimestre da gestação e não mais dois exames, como preconiza o Ministério da Saúde. No ano passado, da mesma forma, já foi incluído o terceiro exame para detecção da Sífilis, uma outra doença bastante preocupante quando passada de mãe para filho, a chamada Sífilis Congênita.
Os dados divulgados pela Fundação Seade confirmam que a Secretaria da Saúde e o Comitê Municipal estão corretos ao manter o foco na prevenção prematuridade e para garantir uma melhor participação das mulheres e ampliar o acompanhamento que recebem durante a gestação para tentar evitar que o parto ocorra precocemente. A Mortalidade Infantil é desmembrada em três outros indicadores entre as crianças menores de um ano e, em Votorantim, a maioria dos óbitos se concentra nas faixas chamadas de Neonatal Precoce (0 a 6 dias de vida) e Neonatal Tardia (7 a 27 dias de vida).
Em Votorantim, as gestantes que têm identificados fatores de risco, como hipertensão, diabetes, doenças do coração, por exemplo, passam a ser acompanhadas no Ambulatório de Saúde da Mulher, podendo ter indicações de mais exames necessários para cada caso. Além das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e do Ambulatório de Saúde da Mulher, o protocolo do pré-natal se refere também a práticas e condutas no Hospital Municipal.
Secom Votorantim
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