quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Sorocaba - Dengue chega a 864 casos confirmados

Notícia publicada na edição de 04/02/15 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 004 do caderno A
Giuliano Bonamim

Na Vila Nova Sorocaba, UBS recebe -- em média -- quatro novos casos por dia - ADIVAL B. PINTO


Sorocaba alcançou a indesejável marca de 864 casos de dengue nos 33 primeiros dias de 2015. O número é praticamente o dobro do registrado em todo o ano passado, que foi de 469 ocorrências. Esses dados atualizados foram divulgados ontem pela Área de Vigilância em Saúde do município.

A evolução dos registros da doença também assusta. Oficialmente, são 317 casos novos no intervalo de cinco dias. No penúltimo boletim produzido pela Secretaria da Saúde de Sorocaba (SES), a cidade tinha um total de 547 ocorrências nos primeiros 28 dias do ano. No período posterior, contabilizado entre 29 de janeiro e 2 de fevereiro, o crescimento foi de 57,9%.

Entre os casos de dengue confirmados neste ano, 792 são autóctones (contraídos na própria cidade) e 72 importados (os pacientes retornaram doentes de outras localidades). A Prefeitura somente não divulgou quais são as regiões mais problemáticas e afetadas com a presença do mosquito Aedes aegypti.

Tudo indica que o bairro Vila Nova Sorocaba encabece essa lista. A cada dia, uma média de quatro pessoas têm contraído dengue naquela região - situada nas proximidades da avenida Ipanema e do aeroporto. Dados da Unidade Básica de Saúde (UBS) do local revelam o registro de 127 casos confirmados da doença somente nos 31 dias de janeiro deste ano.

Situação de emergência

Devido ao número de casos confirmados de dengue, Sorocaba entrou em situação de emergência. Segundo os protocolos do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde, a partir deste momento, a coleta de sangue para a realização de sorologia custeada com recursos públicos passa a ser feita de forma amostral.

Dessa forma, serão realizadas em Sorocaba as sorologias apenas de pacientes menores de dois anos e maiores de 65 anos de idade, em gestantes e casos graves. "O diagnóstico dos demais pacientes suspeitos será feito através dos sinais e sintomas compatíveis com a doença e a presença de vínculo epidemiológico", explica a diretora da Vigilância em Saúde da SES, Daniela Valentim dos Santos.

O crescimento dos casos é sentido em todos os cantos de Sorocaba. Um exemplo de ponto crítico é o Central Parque, mais especificamente a rua Romeu Ventrela. Segundo a dona de casa Cleusa Maria Barros de Campos, 60 anos, vários moradores da via pública contraíram a doença.

A lista é encabeçada pela própria Cleusa. Ela e o marido se recuperam da dengue em casa. "Eu quase morri. Fiquei muito mal", conta. "E na minha rua tem umas 20 pessoas doentes, mas até agora a Prefeitura não veio fazer a nebulização", desabafa.

Segundo Cleusa, o surgimento do mosquito transmissor pode estar ligado ao mato alto no bairro. "Tem também um pequeno lago por perto que, quando cortam a vegetação próxima, enche de pernilongo", conta.

Votorantim

A Secretaria da Saúde de Votorantim confirmou ontem a quantidade de 25 casos positivos de dengue em 2015. Diante da situação preocupante, a Prefeitura dará início a uma operação para recolher os objetos que possam acumular água. A partir de amanhã (5) começam a ser visitados os bairros que concentram mais focos, em uma tentativa de tentar conter as contaminações.

A primeira área atendida será o Parque Bela Vista, que soma nove casos no ano. "Muitas pessoas colaboram, mas ainda há uma resistência de moradores que mantém água parada e ainda não se conscientizaram que assim estão colocando em risco a própria família e toda a cidade. Temos orientado incansavelmente e agora vamos recolher esses criadouros nas regiões mais críticas como mais uma tentativa de conter a multiplicação de casos", salienta a secretária da Saúde, Izilda Maris Chiozzoto de Moraes.

Hoje, os agentes de endemias passarão pelas ruas que serão visitadas pelo caminhão a partir do dia seguinte. Eles informarão aos moradores como vai funcionar a ação. "A operação é para recolher objetos que acumulam água, como pneus, latas, garrafas e recipientes plásticos, não serão recolhidos móveis e entulho. O foco da operação é a dengue e precisamos da colaboração da população nesse sentido também. Apenas os criadouros do mosquito devem ser removidos neste momento", pede a secretária da Saúde.

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