segunda-feira, 16 de março de 2015

Automedicação pode agravar risco de dengue

Notícia publicada na edição de 16/03/15 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 005 do caderno A
Míriam Bonora

Sintomas podem confundir-se com um quadro gripal ou com outras doenças infecciosas



Médico Edgard Steffen - EMÍDIO MARQUES



Com a epidemia de dengue em Sorocaba e aumento de casos também nas cidades da região, a preocupação com a automedicação aumenta, pois há alto risco de agravar o quadro clínico e fazer com que a doença evolua para o tipo hemorrágico. A orientação é não ingerir qualquer medicamento, principalmente os que contém ácido acetilsalicílico - o popular AAS - e antinflamatórios.

O médico Edgard Steffen alerta que, com o alto número de casos, qualquer sinal de febre deve ser suspeita de dengue, e o indicado é procurar imediatamente uma unidade de saúde. Como os sintomas podem confundir-se com um quadro gripal ou com outras doenças infecciosas, muitas pessoas acabam procurando medicamentos para aliviar as dores, e isso pode ser perigoso se houver realmente o contágio da dengue.

Steffen explica que os principais remédios a serem evitados são os que contém acetilsalicílico - muito presentes em antigripais -, e também os antinflamatórios. Isso porque eles inibem a coagulação do sangue, pois são antiagregantes plaquetários, o que pode provocar hemorragias internas e externas. "As hemorragias nos órgãos internos levam à piora do quadro". O médico lembra que não há remédios indicados para o tratamento da dengue. O que se prescreve é repouso, hidratação e vigilância quanto a possíveis complicações.

Combater a proliferação

Ele enfatiza que é preciso intensificar as medidas preventivas, combatendo a proliferação do mosquito. Steffen alerta que muitas pessoas acreditam que o uso do repelente sozinho vai impedir o contágio pela doença, mas que ele não é 100% eficaz. "Estudos mostram que a duração do efeito é curta. Não podemos nos sentir seguros pelo simples fato de passar repelente". O médico salienta que os criadouros muitas vezes estão próximos de nós, que é preciso se informar e combater os focos para cessar a transmissão da doença.

Em uma unidade da rede de farmácias Farmamed em Votorantim, a procura por repelentes, termômetros e por remédios com a substância ativa Paracetamol aumentou 95% por conta da epidemia. A farmacêutica Juliane Bueno de Camargo conta que esse é o assunto do momento nos treinamentos dos funcionários, para que orientem os clientes a não se automedicarem em casos de suspeita da doença. "Diminuiu um pouco a venda de antigripais. Percebemos que boa parte das pessoas está mais consciente", relata.

Quando há procura por remédios com AAS e antinflamatórios, os profissionais perguntam sobre os sintomas e orientam as pessoas a procurarem uma unidade de saúde para checar qual é a doença e, com recomendação médica, tomar os medicamentos adequados, se preciso.

Dengue em Foco

Posso contrair dengue de uma pessoa doente?
Para pegar dengue é preciso ter a ação do mosquito. Não há risco de transmissão pelo contato direto com uma pessoa doente. A orientação é que a pessoa com sintomas de dengue use repelente para que o mosquito não contaminado não a pique e transmita o vírus para outra pessoa.

A pessoa que pegar dengue pode morrer?
Pelo número significativo de casos de dengue, pode-se dizer que é uma doença de baixa letalidade. Alguns casos, no entanto, podem evoluir e, consequentemente, levar a óbito.

Como é feito o tratamento da dengue?
O tratamento baseia-se na hidratação. Também é importante que a pessoa fique atenta aos sinais de complicação que aparecem quando a febre some. Isso porque aumenta o risco de o quadro se agravar nesse período de melhora. Então, é preciso atenção.
Respostas de Daniela Valentim dos Santos, diretora da Área de Vigilância em Saúde da Secretaria de Saúde de Sorocaba.

Perguntas para dengue@jcruzeiro.com.br ou pelo hotsite da campanha no portal www.cruzeirodosul.inf.br.

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