sexta-feira, 20 de março de 2015

Cidades registram aumento de 413 empregos

Jornal Cruzeiro do Sul
Daniela Jacinto

Contratações do setor de serviço têm ajudado a manter um equilíbrio nas quedas de vagas das outras áreas


Sidney Benedito de Oliveira, economista e professor - PEDRO NEGRÃO/ARQUIVO JCS (6/3/2013)


Apesar do momento difícil vivenciado pela economia brasileira de modo geral, e do fechamento de 682 postos de trabalho em Sorocaba, como noticiado ontem, as principais cidades da região - Votorantim, Araçoiaba da Serra, Itu, Tatuí e Itapetininga -, registraram, ao todo, o aumento de 413 empregos em fevereiro, de acordo com números divulgados na quarta-feira pelo Ministério do Trabalho e Emprego, por intermédio do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Esse crescimento vem do setor de serviços, que tem ajudado a manter um equilíbrio nas quedas de vagas das outras áreas, como explica o economista Sidney Benedito de Oliveira, professor nas faculdades Esamc e Facens e delegado do Conselho Regional de Economia.

Em Votorantim foi registrada a abertura de 91 novos postos de trabalho. Esse saldo é o resultado da variação obtida em setores como a indústria, que teve 206 admissões e 164 demissões, totalizando a geração de 42 vagas, num aumento de 0,77%, e a área de serviços, que teve aumento de 100 vagas: foram 340 admissões conta 240 desligamentos, totalizando o crescimento de 1,99%. As quedas foram no comércio - ao todo 356 admissões e 381 demissões, totalizando perda de 25 postos de trabalho e saldo negativo de 0,44%; na construção civil, que teve 20 admissões contra 47 desligamentos, numa perda de 27 vagas, gerando saldo negativo de 2,76%; e agropecuária, que não registrou admissões e ainda teve uma demissão, registrando queda de 3,12% no número de empregos do setor. Assim como em Votorantim, as demais cidades registram aumento de vagas no setor de serviços e perdas nas demais áreas, principalmente indústria e construção civil.

Araçoiaba, Itu, Tatuí e Itapetininga

Em Araçoiaba da Serra o aumento foi de 137 vagas de emprego. Entre os setores responsáveis por esse crescimento está a área de serviços, que registrou 63 admissões contra 48 demissões, num aumento de 15 postos de trabalho, tendo saldo positivo de 0,51%. A agropecuária contratou 15 e demitiu 11, num acréscimo de 4 postos de trabalho, gerando acréscimo de 1%. O menor crescimento foi no comércio, que admitiu 51 trabalhadores e demitiu 50, com ganho de uma vaga, fechando com saldo positivo de 0,09%. Ao contrário das demais cidades, aqui a construção civil é exceção, já que ao invés de perda de vagas, registrou ganho. Foram, em fevereiro, 28 admissões e 15 demissões, ou seja, surgiram 13 vagas, num saldo positivo de 3,66%. Já na indústria houve perda: 18 admissões e 27 desligamentos, resultando na perda de 9 vagas, num saldo negativo de 1,17%.

Itu é a cidade que mais teve geração de empregos, com a criação de 229 postos de trabalho. O maior responsável por esse crescimento é o setor de serviços, que teve em fervereiro 1.264 admitidos e 934 demitidos, gerando 330 vagas, num saldo positivo de 1,52%. Também a agropecuária colaborou: foram 65 admitidos e 52 demitidos, num total de 13 postos de trabalho e saldo de 0,92%. Na indústria, os números se mantiveram estáveis: 516 admissões e 516 desligamentos. Como vem acontecendo de modo geral com outros municípios, houve perda na construção civil, com 61 admitidos e 153 demitidos, totalizando o déficit de 92 vagas e saldo negativo de 4,27%. No comércio foram 425 admitidos e 465 demitidos, com a perda de 40 vagas e saldo negativo de 0,38%.

Em Tatuí, foram abertas 57 vagas. Novamente aqui, o setor de serviços é o maior responsável pelas contratações. Entre 471 admissões e 265 demissões, foi gerado o aumento de 206 vagas, num crescimento de 2,46%. A indústria também colaborou, contrariando os números de outras cidades: os admitidos foram 313 contra 299 demitidos, num aumento de 14 vagas e saldo positivo de 0,14%. Na construção civil, foram 57 admissões e 127 desligamentos, totalizando a perda de 70 vagas, num saldo negativo de 6,57%, a maior queda na taxa de emprego do setor, comparando com as outras cidades. No comércio também teve perdas. Foram 261 admissões e 351 desligamentos, numa queda de 90 postos de trabalho, com saldo negativo de 1,35%. Por fim, na agropecuária foram admitidos 51 e demitidos 66, numa perda de 15 vagas e queda de 0,98%.

Já em Itapetininga houve a redução de 101 postos de trabalho, ao contrário do que ocorreu com as demais cidades. Aqui, na maioria dos setores a demissão foi maior que as contratações. Na indústria foram 323 admitidos e 335 demitidos, resultando perda de 12 vagas e saldo negativo de 0,16%. Na construção civil, foram 112 contratados e 165 demitidos, numa perda de 53 vagas e saldo negativo de 2,35%. O comércio registrou 396 admissões e 444 demissões, resultando em 48 desempregos e saldo negativo de 0,57%. Também no setor de agropecuária teve queda. Foram 237 admitidos e 284 demitidos, resultando na perda de 47 vagas e saldo negativo de 0,79%. A área de serviços foi a única que teve crescimento no número de empregos: 418 admitidos e 348 demitidos, resultando no aumento de 70 vagas e saldo positivo de 0,81%.

Ano difícil para o emprego

O economista Sidney Benedito de Oliveira explica que os números divulgados pelo Caged mostram o setor de serviços contribuindo para que os dados não sejam tão ruins, mas já se confirma o que os profissionais de sua área previam: um ano difícil para o emprego. Isso ocorre em função do processo de desaceleração do setor industrial, que influencia as demais áreas da economia. "Pode ser que em um mês e outro uma cidade dê uma despontada, como é o caso de Itu, mas é algo isolado. O que vem ocorrendo, de modo geral, é um reflexo da macro economia. Estamos tendo uma pressão inflacionária desde o ano passado, então é necessário analisar os resultados de forma global", diz.

Sidney afirma que os ajustes fiscais feitos hoje já era para terem sido feitos há quatro anos, de forma gradativa. "É preciso procurar sempre o equilíbrio fiscal entre os níveis de arrecadação e os gastos do governo, mas ele mais gastou que arrecadou. E em 2014 fechou uma conta totalmente negativa. Tinha uma previsão de superávit primário e de repente fechou com déficit", comenta o economista.

O problema é que o Brasil também está dentro de um contexto de crise internacional, lembra Sidney. "Crise que não se resolveu ainda, principalmente na zona do euro. E tem ainda os Estados Unidos, considerados a principal economia do mundo, que estão finalizando uma recuperação e isso causa impacto na nossa balança comercial, que por sua vez vai mal", acrescenta.

Outra questão é o total de endividamento da sociedade brasileira depois de 2008, quando a política fiscal começou a dar incentivos, abrindo mão do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). "Isso fez com que aumentasse o consumo interno provocado pelo crédito para a população. Mas com o aumento das contas de luz, água, gasolina, dos alimentos, as pessoas passaram a não ter mais condições de pagar as 48 parcelas dos produtos comprados", lembra o economista. "Estamos um pouco acima da meta do teto de inflação estabelecido, que conforme projeções são em torno de 7,6% anual. A tendência é diminuir agora, pois com o aumento dos juros, isso encarece o crédito e a pessoa consome menos, mas isso também gera menos produção e menos emprego. Por conta de todo esse cenário é que não tem como gerar postos de trabalho", analisa Sidney.

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