Jornal Cruzeiro do Sul
Com um dos maiores conservatórios do Estado de São Paulo, o município de Tatuí respira e inspira música. E foi lá que o motorista João Dozeti Paes, hoje com 53 anos, conheceu e se apaixonou pelo cururu, um dos principais e mais tradicionais ritmos musicais do interior paulista. Ainda criança, aos 8, João aprendeu o estilo e passou a tocá-lo. “Só o estudo não é suficiente. É preciso ter vocação”, avisa.
E é com esse dom que João mantém vivo e difunde o ritmo pela região de Sorocaba. “O cururu é a música caipira. É pegar uma viola e tocá-la, fazendo uma letra em cima de alguma música já conhecida”, define.
A origem da música que João tanto se orgulha é desconhecida. Alguns historiadores acreditam que o cururu tenha nascido do tupi-guarani, de função ritualística. Outros a consideram uma dança que recebeu igual influência do misticismo indígena, dos ofícios jesuítas e dos negros africanos. O fato é que o ritmo se espalhou pelo país, principalmente na região Sudeste. “Alguns dizem que o cururu tem origem dos indígenas, tem quem fale que veio com os estrangeiros. Mas o que a gente sabe é que o cururu veio para o interior por meio dos Tropeiros”, afirma o cantador.
Independente da origem, João, assim como os Tropeiros, quer que o estilo continue se espalhando pelo interior. “Nós temos vários cantadores de cururu na região. Em Votorantim, por exemplo, tem um roqueiro que virou cantador. É um estilo musical que encanta. Nós só precisamos ter mais oportunidades para mostrarmos a música, cantando em público. A prefeitura poderia nos apoiar mais, incentivando que os cantadores cantem no Mercado Municipal, no Zoológico. É só conhecendo que as pessoas vão se interessar”, comenta.

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