sexta-feira, 17 de junho de 2016

Usina de Votorantim recicla cerca de 380 mil bitucas de cigarro

Jornal Cruzeiro do Sul
Priscila Fernandes

Bitucas descartadas são utilizadas na produção de papel e papelão - FÁBIO ROGÉRIO


Aproximadamente 380 mil bitucas de cigarro já foram recicladas pela Poiato Recicla, a primeira usina de reciclagem de resíduos do tabaco no mundo, que fica em Votorantim. As bitucas são transformadas em material celulósico, que é usado como matéria-prima na produção de papel e papelão. As instalações foram inauguradas em março e, desde então, produzem mensalmente de 70 a 100 quilos de papel, com capacidade para atingir eventualmente 400 quilos.
A tecnologia foi desenvolvida e patenteada na Universidade de Brasília (UNB) e o proprietário da usina, Marcos Poiato, obteve permissão para uso da técnica. "Todo projeto inovador gera algumas dúvidas e felizmente as coisas aconteceram de uma forma muito positiva. Na transferência de tecnologia da UNB para a Poiato Recicla praticamente 96% do processo foi acertivo", explica. Algumas correções e adaptações teriam sido feitas durante o processo. Toda a estrutura da fábrica é sustentável, reutiliza água da chuva e do processo de produção, além de buscar a economia de energia elétrica e gás.

O empresário avalia que os primeiros meses em funcionamento foram positivos, especialmente pela receptividade da sociedade. Empresas, estudiosos e escolas teriam procurado a usina para obter mais informações sobre o projeto. Marcos conta que, recentemente, o canal de TV à cabo GloboNews exibiu uma reportagem sobre a fábrica, motivando centenas de pessoas de todo o país, e do exterior, a entrar em contato com a empresa.

O empresário explica que o empreendimento trabalha com a gestão de resíduos de cigarro descartados em indústrias, locais públicos e comércios. As atenções de Marcos foram direcionadas ao descarte do cigarro após a entrada em vigor de leis antifumo no estado que "empurram" os fumantes e, consequentemente, o problema das bitucas, para as calçadas, ruas e o meio ambiente em geral. Ele explica que por ser um resíduo pequeno, não é dada a devida importância ao seu potencial poluidor. "É o lixo invisível, mas altamente tóxico", afirma.

As bitucas são recolhidas por meio de 900 caixas de coleta na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS). Em Votorantim e Boituva, o empresário conseguiu uma parceria com as prefeituras, que instalaram as caixas em próprios públicos. Já em Sorocaba, os aparelhos estão apenas em indústrias e comércios (como bares e restaurantes). Ele ressalta que as caixas não são apenas lixeiras, pois possuem um papel social. "Nossas caixas não têm só a função de receber lixo, elas também têm a função de se comunicar", conta. Na própria estrutura, informações sobre o impacto ambiental do cigarro são disponibilizadas. Além disso, quando a empresa contrata os serviços da usina também recebe palestras e formações voltadas à conscientização sobre questões ambientais.

Atualmente, toda celulose produzida na usina é utilizada em oficinas de arte no Serviço Social da Indústria (Sesi) de Votorantim. Os alunos -- nas turmas para crianças, idosos e deficientes -- transformam a matéria-prima em capas de caderno, chaveiros, caixas e outros itens de papelaria. No processo, elas desenvolvem a criatividade a aprendem sobre reciclagem e sustentabilidade.


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