Ana Cláudia Martins
Sorocaba foi a cidade da RMS que teve o maior número de cancelamentos (758) e de bloqueios (511), resultando em 1.269. Em todo o Estado foram 76.516 bloqueios e 80.013 cancelamentos. Ainda de acordo com os dados do governo federal, no último mês de outubro 15.088 famílias estavam cadastradas no Bolsa Família em Sorocaba e receberam o valor médio de R$ 139,19 cada, totalizando R$ 2.100.157. Depois de Sorocaba, as quatro cidades da RMS que tiveram os maiores números de bloqueios e cancelamentos do benefício são: Itapetininga, Itu, Tatuí e Votorantim (confira a lista com os números das 27 cidades da RMS na tabela abaixo).
Fora das regras
Segundo o MDSA, os benefícios foram cancelados e bloqueados porque foi constatado que a renda das famílias era superior à exigida para a adesão e permanência no programa. De acordo com o orientação do Ministério, as famílias que tiveram o repasse bloqueado devem procurar a administração municipal do Bolsa Família para comprovar que estão dentro das regras do programa.
A Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes) de Sorocaba informa que as famílias que tiveram seus benefícios bloqueados são aquelas onde houve indícios de renda subdeclarada entre R$ 170 e R$ 440. E no caso dos cancelamentos houve indícios de renda superior a meio salário mínimo. A Sedes explica que as 758 famílias que tiveram o benefício cancelado em novembro poderão voltar a receber o Bolsa Família, após visita domiciliar para a atualização dos dados cadastrais. "Uma assistente social deve emitir um parecer técnico, que justifique a necessidade, ou não, de a referida família voltar a receber o benefício.
Para aquelas que tiverem seus benefícios bloqueados é necessário o comparecimento do beneficiário na central do cadastro único da Prefeitura, que fica na rua Santa Cruz, 116, no Centro, para nova atualização cadastral. O responsável familiar deverá trazer todos os documentos necessários até o dia 17 de fevereiro de 2017. A Sefes informa ainda que caso se comprove que a família realmente necessita do benefício, o município encaminhará solicitação de desbloqueio ou reversão de cancelamento, para que os contemplados voltem a receber o valor no mês seguinte à regularização cadastral.
Quem não comparecer para efetuar a atualização de dados ou, após atualização, não tiverem mais o perfil para o programa, terão seus benefícios definitivamente cancelados. O retorno futuro ao Programa Bolsa Família só se dará, novamente, por meio de um processo de nova concessão.
Auxílio é usado para complementar renda
"Eu não tenho medo de perder o Bolsa Família, pois caso eu não tenha mais direito posso muito bem trabalhar. O que me deu medo foi assumir a guarda definitiva dos meus dois netos e por isso eu recebo R$ 147 por mês. Na vida a gente não tem problemas, o que temos são desafios", diz Conceição Aparecida Pereira, 59 anos, sobre a possibilidade de perder o benefício.
Ela e a dona de casa Silvana Maria dos Santos fazem parte das mais de 15 mil famílias sorocabanas que atualmente são beneficiárias do programa na cidade. Conceição explica que recebe o benefício mensal desde que assumiu aguarda dos netos, de 8 e 10 anos, há sete anos. Ela conta que o valor é suficiente apenas para comprar alimentos para os meninos. "Não recebi nenhum comunicado oficial sobre bloqueio ou cancelamento do Bolsa Família. E para manter a casa e as minhas despesas eu presto serviço de manicure e pedicure".
Silvana Maria dos Santos, 35 anos, é mãe de cinco filhos, com idades entre sete meses e 16 anos, e afirma que recebe por mês do programa a quantia de R$ 204. "Esse dinheiro é muito bom para eu comprar leite para as crianças e não deixar faltar comida na mesa". Ela conta que o marido faz bicos como funileiro para ajudar nas despesas da casa. "Prefiro cuidar dos meus filhos e da casa, do que ter que deixá-los com outras pessoas para ir trabalhar", afirma. Silvana disse ainda que é beneficiária do programa há mais de 10 anos e espera que o valor mensal recebido não seja cancelado ou bloqueado. "Teve uma época que por falta de documentos eu fiquei alguns meses sem receber o Bolsa Família e esse dinheiro fez muita falta".
O MDSA estabelece que o Bolsa Família é voltado para famílias extremamente pobres (renda per capita mensal de até R$ 85) e pobres (renda per capita mensal entre R$ 85,01 e R$ 170). Ao entrarem no programa, elas recebem o benefício mensalmente, desde que cumpram os compromissos nas áreas de saúde e educação. O valor repassado a cada família depende de fatores como o número de membros, a idade de cada um e a renda declarada no cadastro único.




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