Jornal Cruzeiro do Sul
Foi inaugurada ontem, com um ano e nove meses de atraso, a duplicação da rodovia João Leme dos Santos (SP-264), que liga Sorocaba a Salto de Pirapora. O governador Geraldo Alckmin (PSDB), esperado para a cerimônia, não compareceu, por conta de compromissos pessoais e foi representado pelo secretário da Casa Civil, Samuel Moreira. A duplicação é bem-vinda, pois deverá diminuir o grande número de acidentes que ali foram registrados nos últimos anos, mas é injustificável que, mesmo com quase dois anos de atraso, a duplicação tenha sido entregue com falhas que dão motivo a reclamações.
A SP-264 sempre foi uma rodovia perigosa e palco de muitos acidentes por conta de seu traçado sinuoso e tráfego intenso. A situação piorou muito nos últimos anos, quando o tráfego de caminhões foi proibido no centro de Votorantim. Até então, todos os veículos pesados que precisavam seguir pela SP-79 em direção ao litoral, à rodovia Régis Bittencourt (BR-116) ou mesmo às cidades de Pilar do Sul, Tapiraí ou Juquiá, passavam pela avenida 31 de Março, trazendo prejuízos e riscos para aquele município. Com a acertada proibição do tráfego de caminhões pela área central da cidade, todo esse tráfego foi desviado para um trecho da SP-264 que se tornou ainda mais perigosa. Ao mesmo tempo, a região assistiu ao contínuo lançamento de condomínios residenciais ao longo daquela via e a implantação do campus Sorocaba da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com seus milhares de estudantes a se deslocarem pela rodovia. Existem ainda bairros populosos localizados às margens da rodovia, como o Jardim Tatiana, Green Valley, Itinga e Jardim Elisabeth, além de novos empreendimentos imobiliários. É importante lembrar também que boa parte da população de Salto de Pirapora, que de acordo com o Censo de 2010 tinha mais de 38 mil habitantes, estuda ou trabalha em Sorocaba e precisa utilizar a SP-264 diariamente. Estima-se que cerca de 14 mil veículos passem pela via diariamente, o que a coloca entre as mais movimentadas da região. Nos últimos dois anos que antecederam o início da duplicação, foram registrados perto de 600 acidentes no trecho e 19 mortes conforme dados da Polícia Militar Rodoviária.
A duplicação começou no dia 3 de dezembro de 2013, com a presença do governador Geraldo Alckmin que prometia entregar a obra no mês de fevereiro de 2015. Vários problemas ocorreram desde então. A obra foi dividida em dois lotes e, logo no começo, uma das empresas, justamente a que venceu a licitação para duplicar o trecho mais próximo a Sorocaba, teve problemas e acabou abandonando o serviço. O governo investiu, segundo informações oficiais, R$ 111,9 milhões na duplicação, mas mesmo assim não escapou de críticas, principalmente de moradores de bairros e condomínios da região. Os usuários reclamam, e com razão, de que a sinalização está incompleta, pois faltam placas de trânsito. Queixam-se ainda que duas passarelas, possivelmente as que terão maior movimento, não foram concluídas e moradores do bairro Chácara Ana Maria, no quilômetro 109, cobram a construção de um dispositivo semelhante para atender exclusivamente o bairro. Outra reclamação diz respeito à implantação de pontos de ônibus de maneira inadequada, como o existente próximo ao bairro Green Valley. Os pontos foram instalados no acostamento da via, sem qualquer recuo ou proteção para os passageiros, o que vai oferecer risco para os motoristas e principalmente para os usuários do transporte coletivo, que ficarão expostos na margem da via. A passarela implantada junto a esse bairro, ainda não concluída, cria um problema a mais - ela atrapalha a visão dos motoristas que saem do bairro e pretendem ingressar na rodovia.
É uma pena que uma obra tão esperada seja inaugurada com tais falhas. São problemas de fácil solução e de baixo custo, frente ao investimento total do projeto, mas que precisam ser corrigidos o quanto antes, para que acidentes graves não voltem a acontecer com tanta frequência naquela via.
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