Felipe Shikama
O festival chegaria à 11ª edição - FABRICIO VIANNA/DIVULGAÇÃO
Pelo segundo ano consecutivo, a Secretaria de Cultura e Turismo de Votorantim (Sectur) cancelou a realização do Cinefest Votorantim -- Festival Nacional de Cinema de Votorantim.
O titular da pasta, Edson Cortez, alega que o festival competitivo foi adiado para janeiro de 2019, já que, segundo ele, no momento a prefeitura não dispõe de recursos financeiros para a sua realização. "O festival chegou a um bom nível e não quero retroceder a qualidade por causa da questão orçamentária", diz.
Em 2017, no primeiro ano da gestão do prefeito Fernando Oliveira (DEM), o festival que chegaria à sua 11ª edição também foi cancelado sob a alegação de "ajustes orçamentários". À época, porém, Cortez garantiu que a edição seria realizada em janeiro de 2018, mas a promessa não foi cumprida.
Na ocasião, o secretário votorantinese defendeu o deslocamento do evento -- que tradicionalmente ocorria em novembro -- para janeiro, a fim de atrair o público estudantil no período de férias.
Em entrevista ao Mais Cruzeiro, publicada em 8 de agosto do ano passado, Cortez disse que a intenção era realizar o evento com verbas de editais e captação de recursos, por meio de leis de incentivo estadual e federal. E mesmo que não conseguisse o aporte externo, prometeu, que a prefeitura realizaria o festival "mais modesto e menos dispendioso", com recursos do próprio município, com orçamento que giraria em torno de R$ 10 mil, entre distribuição de prêmios, cachê do júri e produção.
Relembrado da promessa feita à população, Cortez tentou minimizar a frustração do público e de realizadores de curtas-metragens da região, que aguardavam o evento para assistir e exibir produções em primeira mão e concorrer a prêmios chancelados por júri especializado. "O Cinefest não é um evento anual. Algumas edições que aconteceram foram consecutivas, mas ele não é anual", disse.
Apesar do anúncio do segundo adiamento, a realização da próxima edição ainda é incerta. Isso porque, segundo o secretário, o modelo de realização será em parceria com uma empresa produtora, a Totem Empreendimentos Culturais, que ficaria responsável por captar recursos junto à iniciativa privada.
De acordo com o diretor da produtora, Douglas Garcia, a captação deverá ser feita por meio do ProAC -- ICMS, modalidade do programa de incentivo à cultura do Governo do Estado de São Paulo que funciona por meio de patrocínios, nos quais as empresas incentivadoras recebem descontos no ICMS devido ao Estado. Segundo ele, o projeto foi enviado e aguarda parecer do relator da comissão avaliadora. Não há prazo para que o resultado seja publicado. "Assim que for aprovado, a gente já começa a captar recursos com empresas parceiras", diz.
Segundo Garcia, o projeto pede autorização para captar até R$ 380 mil. A exemplo das últimas edições do Cinefest, além da mostra competitiva principal, com exibições dos curtas no Auditório Municipal Francisco Beranger, o evento contempla shows musicais, oficinas de audiovisual e mostras paralelas em outros pontos da cidade. Além da contratação de curador, jurados e pagamento de prêmios em dinheiro aos vencedores, a produção também fica responsável por custear despesas de transporte e hospedagem dos realizadores selecionados de outras localidades do Brasil.
Considerada uma das mais importantes iniciativas públicas de fruição e valorização da produção audiovisual na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS), o Cinefest já havia sido cancelado em 2015, na gestão do prefeito Erinaldo Alves da Silva (PSDB), também por suposta falta de verba. O festival competitivo foi adiado para fevereiro do ano seguinte e sua realização só foi possível porque o evento foi premiado com R$ 200 mil em edital do Programa de Ação Cultural (ProAC), da Secretaria de Estado da Cultura.


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