Jornal Cruzeiro do Sul
José Antonio Rosa
Pipas enroscadas na fiação, principalmente com cerol na linha, podem ocasionar curto-circuito com interrupção na energia - ADIVAL B. PINTO / ARQUIVO JCS
Aumentou em quase três vezes, entre 2015 e 2017, o número de ocorrências de falta de energia em Sorocaba por causa do uso de pipas com cerol próximas à rede de energia elétrica. O total de casos registrados passou de 577 em 2015 para 1.681 no ano passado, segundo levantamento da Companhia Paulista de Força e Luz Piratininga (CPFL).
O número corresponde a 55% do total de registros -- 3.032 -- apurados em todos os municípios, que ficam dentro da área de influência da concessionária de distribuição. Além de Sorocaba, a CPFL atende às cidades de Itu, Votorantim, Indaiatuba e Salto. Os dados reforçam que os problemas decorrentes do uso do cerol vão além das lesões que sofrem os que são atingidos pela linha cortante. A essas consequências somam-se o risco de rompimento de cabo e o fato de as pipas ficarem enroscadas nas redes. Interrupção do fornecimento de energia elétrica por conta das pipas pode ocorrer por diversas formas. Além do risco de rompimento dos cabos pelas linhas que usam cerol ou a conhecida "chilena", as pipas ficam enroscadas nas redes elétricas podendo provocar desgastes nos fios, e levar a curtos-circuitos em dias úmidos.
Marcelo Gogolla, da Poxnet, empresa prestadora de serviços no campo digital que atua na região metropolitana de Sorocaba desde 2005, admite dificuldades para fazer o reparo quando incidentes envolvendo cerol cortam a conexão da rede. De acordo com a equipe técnica da empresa, o prazo é de 5 a 10 horas para que o problema seja solucionado e situações assim costumam ocorrer diversas vezes durante o mês.
O executivo diz que quem sofre os efeitos desse quadro, além dos próprios moradores da área afetada, que utilizam o serviço de internet, são as empresas, que têm o desempenho comprometido por horas. E isso traz um efeito em cadeia: sem acesso à rede, vários setores da companhia não funcionam, o que prejudica a produtividade dos trabalhadores e, dependendo do segmento de atuação, afeta novamente a população, que tem atraso na entrega do produto ou serviço.
A fabricação e comercialização do cerol ou produto com propriedade semelhante são proibidas por lei. O componente representa perigo principalmente para motoqueiros e ciclistas, que são, na maioria dos casos, vítimas dos acidentes causados pela linha. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Motociclistas (Abram), ocorrem cerca de 100 casos por ano no Brasil, dos quais 25% fatais.
Cuidados
Para prevenir e fazer frente ao problema a CPFL recomenda que pais e responsáveis acompanhem e instruam crianças e adolescentes no uso do brinquedo. Os acidentes elétricos causados pelas pipas poderiam ser evitados se fossem adotados alguns cuidados simples, como escolher locais longe da fiação elétrica, como campos abertos e parques com áreas planas.
A tentativa de resgatar uma pipa enroscada na fiação também pode provocar desligamentos no fornecimento de energia e causar acidentes com vítimas. Se acontecer de a pipa ficar presa em um fio, a melhor atitude é dá-la como perdida.
A concessionária sugere a adoção de dez medidas para empinar pipas com segurança e evitar que o cerol provoque lesões ou interrompa o fornecimento de energia elétrica. A primeira delas é empinar pipas em locais livres onde não exista nenhum tipo de cabo de energia, de serviço telefônico ou antenas de telefonia celular.
Dê preferência a espaços abertos como praças, parques e campos de futebol para usar o brinquedo. Evite também soltar pipas em canteiros centrais de ruas, avenidas, rodovias ou qualquer lugar onde exista fluxo de veículos. Evite a utilização de "rabiolas", pois elas agarram nos fios elétricos, desligando o sistema e provocando choques, muitas vezes fatais.
Linhas metálicas não devem ser usadas no lugar da linha comum. Nunca use cerol ou a linha "chilena"; elas são proibidas por lei e causam acidentes. Não utilize papel alumínio na confecção da pipa. É perigoso pois este material, em contato com os fios, provoca curto-circuito. Caso a pipa enrosque nos fios, é melhor desistir do brinquedo. Não é indicado soltar pipas na chuva. Ela pode funcionar como para-raios, conduzindo energia.
Não é indicado subir nas lajes das casas para empinar pipa; qualquer distração pode causar uma queda. Tenha cuidado com ciclistas e motociclistas, pois as linhas não podem ser vistas e as de cerol ou reforçadas ocasionam graves acidentes. É aconselhável ter sempre um adulto responsável acompanhando as crianças no momento da brincadeira.
Em caso de rompimento de cabos por linhas de cerol ou curto-circuito causados por esse brinquedo, a população deve acionar imediatamente a distribuidora por meio dos canais de atendimento. Deve-se ficar o mais distante possível do fio partido para evitar acidentes.

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