segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Serial killer: suspeito de matar quatro mulheres em Votorantim presta depoimento

Ivana Santana

Homem teria desfigurado e violentado vítimas com pedaços de pau e pedras

Foto: Jorge Silva/ TV Votorantim

O suspeito de cometer quatro feminicídios em Votorantim, entre 2014 e 2017, prestou depoimento nesta segunda-feira (13) na Delegacia Seccional de Sorocaba. Everton Júnior Soares, conhecido como Mexicano, é servente de pedreiro e tem 27 anos. Ele está detido desde fevereiro e teve a prisão preventiva decretada em maio. Ele está detido na Penitenciária de Itirapina. O suspeito nega que tenha cometido os crimes.
Mexicano foi preso suspeito do assassinato de Mara Aparecida de Faria de França, de 44 anos, em 21 de dezembro de 2017. Agora, a polícia investiga o homem pelos assassinatos de outras três vítimas: Lucia Yumi Ukai Fukami, de 52 anos, morta em 19 de março de 2017, Rosângela da Cruz Silva, de 50 anos, morta em 18 de abril de 2015e Jéssica Roberta Pereira, de 30 anos, morta em 17 de maio de 2014. Todas as vítimas foram encontradas em um raio de dois quilômetros da residência do suspeito, na Vila Garcia.
O delegado titular da Seccional Marcelo Carriel e os delegados Marcelo Munhoz Soares, titular de Votorantim, e José Antônio Proença Martins de Melo, assistente de Votorantim, deram mais detalhes sobre os casos em coletiva de imprensa. “Ele é um serial killer (assassino em série), não há dúvidas. Ele é frio, violento e não demonstra arrependimento. São características clássicas de um psicopata”, aponta Marcelo Carriel.
A polícia chegou até o suspeito por causa de sua última vítima, Mara. Ele foi visto com ela em um bar nos arredores de sua casa. Na sequência, ela foi encontrada morta em uma quadra, próxima do local. O pai de Mexicano, Edson Soares, de 47 anos, também está preso preventivamente, suspeito de ter tido participação no assassinato de Mara, pois ele foi visto com os dois no bar na noite anterior ao crime, segundo informações de Marcelo Carriel. Testemunhas também teriam dito que viram o suspeito chegar em casa com a roupa suja de sangue.

Ligação com outros crimes

Segundo o delegado assistente de Votorantim José Antônio Proença Martins de Melo, a suspeita de que Mexicano seria o responsável pela morte das outras mulheres surgiu a partir de uma testemunha fundamental, que teve a identidade protegida pela polícia. A garota de programa contou à polícia que o suspeito teria pagado R$ 100,00 por um programa sexual. Porém, ele não conseguiu ter ereção e a ameaçou de morte com uma faca, dizendo que iria fazer com ela o mesmo que fez com Jéssica (que teria sido vítima de Mexicano em 2014). Na época, a testemunha estava grávida. A ameaça teria acontecido em 2015, mas, por medo, a mulher só denunciou o caso recentemente.

O delegado Marcelo Carriel explicou que Mexicano premeditava os crimes e foi identificado pelo padrão de mortes: “todas eram usuárias de drogas. Ele as conhecia através de um ponto de drogas existente no bairro e as atraia com a oferta de usar entorpecentes”.

Carriel ainda compara Mexicano com o Maníaco do Parque, pois diz que há semelhanças no modo de agir de ambos. A diferença é que Mexicano não teve conjunção carnal com as mulheres. Exames foram realizados e não foi identificado nenhum material genético nas vítimas. Segundo o delegado, o acusado não conseguia ter ereção. Por esse motivo, ele matava as mulheres de forma violenta, aparentemente movido pelo ódio. Ele tentava introduzir objetos pontiagudos na região pubiana das vítimas, como pedaços de pau. As vítimas tiveram traumatismo craniano profundo, sendo que três delas tiveram o rosto desfigurado e duas o rosto queimado. Todas foram encontradas nuas ou seminuas em locais abertos, como quadras ou terrenos baldios. Carriel afirma que Mexicano sentia prazer em atacar as vítimas e vê-las sofrer.
O delegado não descarta a possibilidade de que surjam outros crimes cometidos pelo suspeito, que já tem passagens na polícia por furto e ameaça. Carriel afirma que, desde que Mexicano foi preso, cessaram os casos de feminicídio dessa natureza (estupro seguido de morte fora do domicilio) em Votorantim. A polícia acredita que ele agia sozinho. Carriel ainda afirma que, pelo perfil psicológico de psicopata, há possibilidade de o suspeito cumprir pena em manicômio judicial se for condenado, pois não há condições de o indivíduo como este voltar à sociedade.
A coletiva de imprensa foi acompanhada de mídias de todo o País e, nas redes sociais, o assunto teve grande repercussão.
Nossa reportagem não conseguiu contato com as defesas do suspeito e do pai dele.

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