sábado, 15 de junho de 2019

Equipamento ajuda a mapear a rede pública de água e evitar desperdícios em Araçoiaba da Serra

Por Mayara Corrêa e Arcílio Neto, TV TEM

Haste de metal capta com precisão qualquer movimentação de água. Se a medição apresentar algum valor diferente do consumo médio, as equipes são encaminhadas para o endereço.



Equipamento ajuda a mapear a rede pública de água e evitar desperdícios em Araçoiaba da Serra — Foto: Reprodução/TV TEM

Você sabia que de toda a água tratada no Brasil quase a metade se perde durante a distribuição? Em Araçoiaba da Serra (SP), a concessionária de água e esgoto começou a usar um equipamento para conseguir mapear toda a rede pública.
É como se fosse um ouvido biônico. A haste de metal capta com precisão qualquer movimentação de água. Em apenas 10 segundos, os dados vão direto para uma central de controle.
Se a medição apresentar algum valor diferente do consumo médio, as equipes são encaminhadas para o endereço.
"A gente consegue diminuir até 1/3 do tempo. Então, o que ele demorava três dias agora ele vai fazer em um dia o mesmo trabalho", comenta a criadora da ferramenta, Marília Lara.
Em 2018, 726 milhões de litros de água foram desperdiçados em Araçoiaba, o equivalente a 290 piscinas olímpicas.
O gerente geral da concessionária de água e esgoto da cidade, Rodrigo Assad Macool, explica que existem dois tipos de perdas: a real, quando há por exemplo um vazamento no imóvel; e a perda aparente, quando a água é usada, mas o consumo não é registrado - que pode ser por causa de uma fraude ou falta de atualização cadastral.
"A todo tempo tem muita gente utilizando água, muitos tubos enterrados pela cidade toda e aí, com o tempo, alguns pontos podem vazar. Então, o nosso trabalho de pesquisa de vazamentos e de diminuição de perdas é contínuo durante todo o tempo, 24 horas por dia a gente tem que monitorar", esclarece.
Foi justamente um vazamento que fez a conta da aposentada Lázara Benedita dos Santos disparar. De um mês para o outro, subiu de R$ 60 para mais de R$ 200.
"Primeiro foi um susto, depois a gente já imaginou que era um vazamento. Fechava o registro, abria só para encher a caixa e já fechava de novo e assim a gente foi até consertar", conta.
O problema era um cano estourado debaixo do piso da garagem. Daí o jeito foi chamar o encanador. Uma nova ligação de água foi feita e tudo voltou ao normal.
"Como é uma rua antiga, não tinha o número de veículos que está tendo hoje. Isso pode ter acarretado problema na tubulação. A degradação do material vem a acontecer, que é um material há mais de 30 anos embaixo da terra, então a durabilidade dele não é infinita", explica o encanador Carlos Domingues.
O sinal de que poderia haver um vazamento na casa de Lázara foi encontrado no hidrômetro. Todas as torneiras estavam fechadas, ninguém consumia água e, mesmo assim, o registro continuava girando. Então até que foi fácil encontrar um vazamento no imóvel, uma área limitada. O mais difícil é fazer a medição da perda de água do portão para fora.



Pesquisa aponta que quase metade da água tratada se perde durante a distribuição no Brasil


Prejuízos
O desperdício de água se repete em outras cidades do país. Segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, de toda a água tratada no Brasil, 38% se perderam durante a distribuição no ano de 2017. É como se sete mil piscinas olímpicas fossem direto para o ralo todos os dias. O prejuízo chegou a R$ 10 bilhões.
Em Itu (SP), a cada 100 litros captados dos mananciais, 35 são perdidos. Já em Sorocaba (SP), desde janeiro, a quantidade de água perdida daria para encher mais de 10 mil piscinas olímpicas. No município vizinho, Votorantim (SP), o índice de perdas foi de 16% em 2018.

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