Fernanda Ikedo
Agência BOM DIA
A luta por visibilidade e contra a homofobia é antiga, mas ainda não surtiu os resultados esperados. “O país continua patriarcal e machista”, afirma a auxiliar de escritório Mariane Lopes de Souza, 22 anos, que enviou um e-mail ao BOM DIA para se manifestar diante da intolerância de alguns jovens e adultos contra a orientação sexual gay.
Reações desse tipo ocorrem em vários locais, como os registrados na semana passada, no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Brasília. Casos de violência e até de morte.
No primeiro domingo deste mês, Mariane e sua namorada Thaís Cristina Pereira, 19, estavam na calçada de uma casa noturna, após uma balada, quando foram atingidas por jatos de água remessados por rapazes que passavam de carro. “Essas atitudes dão medo de sair na rua”, diz Mariane.
Ao mesmo tempo, elas reivindicam o direito de poder namorar como qualquer outro casal, sem precisar pedir permissão à ninguém para ter atos simples como andar de mãos dadas, por exemplo.
Mas encarar a névoa de preconceito que ronda a sociedade não é uma tarefa fácil. Conforme conta Mariane, para a família de Thaís a opção sexual – assumida por ela aos 13 anos – não foi empecilho para um bom convívio. "Eu já tive mais dificuldades em casa. Por isso, evito de comentar o assunto", diz Mariane, que conseguiu sair de uma depressão após encontrar ajuda psicológica e apoio religioso em “uma igreja inclusiva”, diz.
Vencendo barreiras
Para mostrar que a união entre duas pessoas do mesmo sexo é totalmente possível e, inclusive, passível de comemoração como a de um casal heterossexual, o empresário Fábio Damião Ricardo Alves, 29, e o cabeleireiro Alessandro Mobille, 21, realizaram uma cerimônia de união numa chácara em Votorantim.
A festa contou com madrinhas, padrinhos, pajem e um amigo do casal foi incumbido da celebração. “Foi perfeita”, afirma Fábio, que organizou tudo em três meses, incluindo buffet completo e a contratação de um fotógrafo.
Contra a homofobia, os sonhos e realizações são mais fortes Mariane e Thaís cogitam morar juntas no ano que vem. Fabiano e Alessandro planejam ir para a Espanha.
Atentados recentes ocorrem em diversas cidades do país
Somente neste mês foram registradas violências físicas contra homossexuais no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Brasília. De acordo com o GGB (Grupo Gay da Bahia), desde março em média dois homossexuais são assassinados por dia no Brasil.
As associações e entidades contra a homofobia protestaram em São Paulo, nested domingo, contra os atentados ocorridos no dia 14. Na ocasião, um rapaz de 19 anos foi baleado na zona oeste do Rio de Janeiro, após a realização da 15ª Parada do Orgulho Gay, em Copacabana, e outros quatro jovens foram agredidos na avenida Paulista, em São Paulo.
Em Brasília, um rapaz de 20 anos também foi agredido por motivação homofóbica, no estacionamento de uma lanchonete.
Reações
“De mãos dadas, a gente ouve comentários de pessoas dizendo que é pecado. Uma vez a Thaís estava passando mal e ouvi uma senhora que isso era consequência do pecado”, conta Mariane.
Aceitação
“Minha família aceita super bem meu relacionamento e nunca passei por nenhum constrangimento”, afirma Fábio.
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