domingo, 12 de dezembro de 2010

NATAL, O ANIVERSÁRIO DO AUSENTE

 

Manoel Peres Sobrinho

 

Quando a ortodoxia se torna fria e o mundanismo invade a igreja, ou quando a chamada piedade é fantasiosa e subjetiva, quando a vida cristã e a própria Bíblia viram piada, quando o nome de Deus é mencionado por crentes e clérigos sem o devido temor, quando o culto se torna produto de consumo como, aliás, toda a religião, está mais do que na hora de nos preocuparmos com a piedade – A. D.

    Estamos vivenciando um tempo diferente. Imersos numa atmosfera radicalmente singular pelo fato de estarmos nos aproximando daquilo que já denominaram de data máxima da cristandade. É verdade. Estamos presenciando uma espécie de banho espiritual. Quer queiramos ou não, quer acreditemos ou não, este é um tempo diferente. Tudo nos faz lembrar o Natal.

    Mas que Natal é esse?

    Fico pensando nas coisas que estão na mente das pessoas quando pensam hoje em Natal: chester, nozes, guirlandas, árvore enfeitada, luzes, festas, comidas, presentes, cartões, etc. Junto ao espírito de Natal está, também, o espírito materialista do consumo. E, em dado momento, parece que é exatamente este o espírito que impera soberano.

    Por isso, fala-se em natal milionário, supermercados fazem ofertas mirabolantes, sorteiam-se carros. Empresas conceituadas usam de frases de efeito barato, como antecipe seu natal comprando o nosso carro com desconto. No espírito de consumo o que vale não é o produto, mas, sim, o efeito que este possa causar. Por isso, um enfeite de porta com bolas trabalhadas pode custar até 500 reais. Acredite, é um salário pra enroscar na porta, e só!

    Mas onde está Jesus? Afinal, é seu aniversário, não? Sim, mas Ele está ausente!

    Para substituí-lo a religião secular capitalista criou o famigerado Papai Noel. E, como um bom papai (para os comerciantes), ele consegue vender de tudo, até geladeira para esquimó. A compulsão da compra toma conta do coração das pessoas. Compra-se de tudo. Em pleno horário de verão (por que mesmo foi criado o horário de verão?), milhões e milhões de lâmpadas são acesas para festejar o natal secular. Não mudamos o horário para conter o gasto de energia? Mas quem se importa realmente com isso?

    Jesus desapareceu nessa avalanche de espírito consumista. Soterrado pela fascinação do colorido das luzes, do tilintar dos copos cheios de vinho, das festas ruidosas onde pessoas se associam para festejar. Cristo ficou de lado. Sua mensagem de austeridade, recato e comedimento não tem lugar nesse tempo, onde o que conta é o prazer de ter, comprar, comer, digerir, consumir, ganhar.

    Por mais precioso que seja o presente que Deus deu aos homens, parece que estes se satisfazem em ficar com os seus minúsculos valores.

    Por outro lado, o tempo de Natal é marcado pelo espírito de solidão.

Parece que as frustrações, devaneios, apertos no peito se aguçam. Por mais que se fale em alegria, paz e felicidade, a tristeza insiste em não deixar algumas pobres pessoas.

    É preciso entender que NATAL é uma realidade espiritual de alegrias celestiais que, de certa forma, foi banalizada, embrutecida, arruinada, pelo amor excessivo ao dinheiro e aos prazeres sensuais. O Espírito do Senhor está ausente hoje quando se festeja o Natal. Lamentavelmente o Senhor Jesus foi esquecido em sua mensagem, em sua vontade, e por força da situação está completamente ausente e esquecido.

    Precisamos resgatar o verdadeiro espírito de Natal. Quem sabe ficaria bem, no dia de Natal, um jejum total, combinado com um dia inteiro de orações (dia 25), e reflexões espirituais.

    Quem sabe um momento de confissões de pecados, de arrependimento pelo mal que fizemos aos nossos semelhantes, e um momento intenso de perdão de uns para com os outros.

    Lembremo-nos de que o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo – Romanos 14:17. O resto é secularismo.

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