sábado, 11 de dezembro de 2010

Defesa de 'Maninho' quer transferir local de julgamento da chacina de Votorantim

Wilson Gonçalves Júnior

Notícia publicada na edição de 11/12/2010 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 6 do caderno A -
 
 
Promotor do caso, Wellington dos Santos Veloso
Foto: Luiz Setti
 
A defesa de Everson Severino da Silva, o Maninho, de 26 anos, acusado de ser o mandante e ainda ter participado da morte de cinco jovens, com idade entre 14 e 21 anos, episódio conhecido como chacina de Votorantim, em 2007, quer que o julgamento de seu cliente ocorra na Comarca de Piedade. O pedido de desaforamento do caso, assim como aconteceu com outro réu, Jair Martins, o Punk, absolvido pelo Tribunal do Júri em São Roque, aconteceu nesta semana e foi encaminhada ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. O promotor do caso, Wellington dos Santos Veloso, recebeu a notícia como um balde de água fria e aproveitou para fazer um desabafo: Por isso o Brasil está assim, nossa legislação deixa muito a desejar. A sociedade de Votorantim tem o direito de ver esse caso julgado aqui.
O advogado criminal José Mario Lacerda de Camargo, nomeado pelo Estado para defender Everson Severino da Silva, o Maninho, citou que o caso, por envolver estudantes e vítimas menores de idade, teve um clamor público e gerou comoção. Essa situação, por si só, explicou, pode colocar em dúvida a imparcialidade do júri, caso o julgamento ocorra na Comarca de Votorantim.

Camargo indicou ainda que seguiu o exemplo da defesa utilizada pelo advogado do outro réu do caso, Jair Martins, o Punk, que conseguiu o desaforamento e levou o julgamento para São Roque, sendo absolvido pelo júri popular, a pedido da acusação, no dia 3 de setembro do ano passado. Por isso, indicou ao Tribunal de Justiça, que o caso seja julgado na Comarca de Piedade. Ele acredita que o resultado, do desaforamento ou não, seja julgado já na próxima semana. Será injusto se ele (Maninho) for julgado em Votorantim.

O advogado citou que sua tese de defesa, para inocentar o réu, será baseada na negativa da autoria, tendo em vista que nenhuma pessoa, inclusive os três sobreviventes, afirmaram que Maninho participou do crime. Ninguém falou que foi o Everson quem matou.
Segundo Camargo, cinco testemunhas de defesa foram arroladas para participar do júri popular, o nome da maioria deles, explicou, não pode ser divulgado, já que estão presos e suas identidades são protegidas por lei. O réu Everson Severino da Silva nunca assumiu a autoria do crime.

Balde de água

Um balde de água fria, assim o promotor Wellington dos Santos Veloso recebeu anteontem a informação que a defesa de Maninho havia pedido o desaforamento. Sua frustração se dá pelo precedente aberto pelo Tribunal de Justiça, que acatou o pedido da defesa de Jair Martins, cujo julgamento foi realizado em outro município. A chance do TJ deferir desaforamento é razoável, criticou.
Para ele, a situação de comoção causada pelo fato, não pode ser vista como um empecilho para que o júri ocorra em Votorantim. Em outro desabafo, o promotor citou ainda o caso do casal Nardoni: Se fosse assim, os Nardoni tinham que ser julgados na China ou em Marte, disparou.
O representante do MP indicou que existe a possibilidade de garantir a ampla defesa do acusado, sem que seja necessário a mudança de foro. Isso não vai prejudicar provas e o julgamento em si, mas o crime tem que ser julgado na cidade onde foi cometido.

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