Advogado de 26 anos chefiava esquema de tráfico de drogas dentro e fora da Cadeia Feminina de Votorantim
Cinco dos 15 presos foram apresentados ontem pela Polícia Civil de Sorocaba: Juliana Aparecida de Melo, Dayana Gonçalves de Souza, José Venceslau, Suelen Kubo e Sandra Saraiva
Foto: Assis Cavalcante/Agência BOM DIA
Após quatro meses de investigações o setor de inteligência da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Sorocaba identificou e prendeu 15 pessoas por tráfico e associação para o tráfico de drogas. Entre elas, o advogado Carlos Eduardo Soares de Faria, 26 anos, apontado como chefe da quadrilha, que foi detido na terça-feira junto com mais cinco pessoas. A Operação Cárcere, aponta que a ação criminosa era focada no tráfico dentro da Cadeia Feminina de Votorantim, estendendo-se também a pontos de distribuição de drogas espalhados por Sorocaba e Iperó.
O advogado Carlos Eduardo Soares de Lima, 26, foi detido em sua casa, no condomínio Granja Olga 2, que fica em Sorocaba. Nascido em São Paulo, onde também estudou Direito, ele é casado e tem um filho pequeno. Já radicado em Sorocaba, onde mora com toda a família, ele atuava como advogado da área criminal, com escritório na rua da Penha.
Sua associação com o crime começou a evidenciar-se quando ele foi detido, em maio, após ter entregue um celular e duas baterias a presos do Centro de Detenção Provisória de Aparecidinha, em Sorocaba. O advogado não chegou a ser flagrado com os aparelhos, mas após o encontro com Carlos Eduardo os detentos foram revistados e os equipamentos foram localizados. Por se tratar de um delito com menor potencial ofensivo, o advogado nem chegou a ser preso e respondia ao processo em liberdade.
Nesta segunda (01), durante a apresentação de cinco dos presos da Operação Cárcere, Juliana de Melo, Dayana Gonçalves de Souza e José Leonardo Venceslau, negaram conhecer o advogado. Duas outras presas, Suelen Kubo Albuquerque e Sandra Luzia Saraiva, entretanto, confirmaram que tinham relações profissionais com ele. “Eu o conheci na cadeia”, diz Suelen, que já havia sido presa por tráfico.
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Das 15 pessoas detidas, 11 são mulheres. Segundo o delegado José Urban Filho, isso demonstra muito claramente o atual perfil do tráfico de drogas, que utiliza fortemente a mão de obra de mulheres e adolescentes por eles serem menos visados pelas abordagens policiais.
“Muitas mulheres que estão no tráfico acabaram entrando para o crime ao assumirem os pontos de venda de entorpecentes deixados por seus namorados ou maridos que foram sendo presos. Elas fazem por lealdade e por amor a seus companheiros”, aponta. “Muitas jamais participaram do tráfico diretamente, mas um dia resolvem tentar levar drogas para dentro do presídio na tentativa de facilitarem a vida de seus companheiros”, afirma.
O delegado explica que as prisões dos envolvidos foram sendo feitas ao longo dos quatro meses de investigação, iniciada após uma denúncia anônima que informava que as presas da Cadeia Feminina tinham acesso a celulares para conduzir as ações do tráfico dentro e fora do presídio. “tivemos especial dificuldade para identificamos alguns integrantes do esquema, principalmente aqueles que já estavam atrás das grades.”
No organograma de poder da quadrilha comandada pelo advogado está uma adolescente que atuava ao lado de sua mãe Ivani Mendes Teixeira e seu padrasto José Leonardo Venceslau.
Entre os presos, apenas José Leonardo Venceslau não tinha passagem pela polícia. Os demais já possuíam envolvimento com a criminalidade, sobretudo com o tráfico.

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