Jornal Cruzeiro do Sul
José Antônio Rosa
Escola municipal leva o violão para dentro da sala de aula e obtém resultados positivos entre os alunos; no ano que vem, ideia é ampliar o projeto
Por: Pedro Negrão
Há dois anos, a professora Maria Josefina Souza Ferreira, diretora da escola municipal "Isabel Fernandes Pedroso", em Votorantim, percebeu que os alunos ficavam empolgados quando tinham a oportunidade de ouvir violão. Era o que acontecia quando um dos estudantes levava o instrumento para animar reuniões e outros eventos lá realizados. O interesse demonstrado fez com que Maria José, apoiada pelas coordenadoras Inês Medeiros e Maria Clara Coimbra, decidisse transformar aqueles encontros em atividade extracurricular. O governo do município avalia a possibilidade de, em breve, levar o programa a um número maior de estabelecimentos e, assim, tratá-lo como política pública.
Como não dispunha de tantos instrumentos, a direção da unidade organizou, com a Cáritas, movimento da Igreja Católica, festas para arrecadar dinheiro. O saldo foi suficiente para comprar 19 violões que passaram a ser utilizados em aulas semanais. Espontaneamente, cerca de 40 crianças, todas de comunidades carentes, matriculadas no quinto ano do ensino fundamental, procuraram o curso dado às sextas-feiras. Hoje, quem orienta a turminha é o músico Bruno Cavalcante, contratado a partir de parceria com a Secretaria da Cultura do Município.
Aparentemente nada de extraordinário reserva um curso de música ministrado nessas condições. O projeto idealizado por Maria Josefina, no entanto, conseguiu um grau de empatia e interação com as crianças que chama a atenção. É o que se percebe, por exemplo, da disposição demonstrada por Ariovaldo, 10 anos, um dos mais adiantados no aprendizado. O menino exibe técnica ao tocar, consegue distinguir melodia de acorde e dedica-se às cordas com uma garra pouco comum para alguém de sua idade.
Quando começou o curso, Ari, que mora em frente à escola, levava o violão para casa. "Era uma forma de fazer com que se sentissem responsáveis", explica Maria Josefina. AoMais Cruzeiro Ariovaldo contou que sempre ouviu música e que encontrou motivação para investir nos estudos. "É legal tocar, porque faz a gente aprender muita coisa. O professor ajuda e fico conhecendo outras canções." No momento, a classe toca "Asa Branca", de Luiz Gonzaga.
Esse é outro diferencial do projeto. Bruno Cavalcante escolhe temas de maior consistência para ensinar. "É importante que eles aprendam vários gêneros e temas que são reconhecidos pela qualidade. Nós entendemos que educar o ouvido, se abrir para conhecer o que foi produzido no passado, como a bossa-nova, é, tão ou mais importante do que tocar. E eles passaram a entender que a boa música será sempre lembrada."
Na sexta-feira, as aulas do projeto foram retomadas depois do período de férias. A turma com a qual a reportagem conversou, mostrou-se, a princípio, tímida, mas, aos poucos, foi se soltando. Um outro grupo, que seria orientado no horário seguinte, somou aos colegas para falar de suas experiências. Todos têm dez anos e assumiram-se fascinados pela arte musical. Larissa falou do quanto aprender tem ajudado a se tornar uma aluna melhor. "A música faz bem, e nos ajuda a entender melhor muitas coisas."
Gustavo quer seguir carreira. "Depois daqui, vou insistir e tentar ser artista", comentou. David descobriu no violão o encanto das canções que não conhecia: "É bonito ouvir outras músicas, tocar". Ana Laura também pretende buscar o sucesso: "Eu acho lindo o som do violão, as músicas. Quero aprender mais". Izabela é outra que não esconde o fascínio por poder tocar: "A música faz bem, é alegria. A gente sempre espera que a hora da aula chegue logo".
Todos, sem exceção, mudaram depois que passaram a integrar o projeto. Maria Josefina informa que o aprendizado fez com que as crianças melhorassem o comportamento em sala de aula. Além disso, ficaram mais sociáveis e receptivos. "O programa revelou o lado bom da personalidade de cada uma dessas crianças. Eles nos enchem de orgulho porque aprenderam por si mesmos. E vão, com certeza, se tornar boas pessoas, cidadãos conscientes. É a prova do alcance do poder transformador da arte."
A assessoria de comunicação da Prefeitura de Votorantim informou que existe, sim, a disposição de ampliar o alcance do projeto a outras unidades escolares. Já no ano que vem, a medida deverá ser implementada num número maior de estabelecimentos. Ainda não se sabe exatamente em quantos, mas o fato é que o "Violão na Escola", como Maria Josefina batizou a própria ideia, chegará a outras regiões da cidade.
Como não dispunha de tantos instrumentos, a direção da unidade organizou, com a Cáritas, movimento da Igreja Católica, festas para arrecadar dinheiro. O saldo foi suficiente para comprar 19 violões que passaram a ser utilizados em aulas semanais. Espontaneamente, cerca de 40 crianças, todas de comunidades carentes, matriculadas no quinto ano do ensino fundamental, procuraram o curso dado às sextas-feiras. Hoje, quem orienta a turminha é o músico Bruno Cavalcante, contratado a partir de parceria com a Secretaria da Cultura do Município.
Aparentemente nada de extraordinário reserva um curso de música ministrado nessas condições. O projeto idealizado por Maria Josefina, no entanto, conseguiu um grau de empatia e interação com as crianças que chama a atenção. É o que se percebe, por exemplo, da disposição demonstrada por Ariovaldo, 10 anos, um dos mais adiantados no aprendizado. O menino exibe técnica ao tocar, consegue distinguir melodia de acorde e dedica-se às cordas com uma garra pouco comum para alguém de sua idade.
Quando começou o curso, Ari, que mora em frente à escola, levava o violão para casa. "Era uma forma de fazer com que se sentissem responsáveis", explica Maria Josefina. Ao
Esse é outro diferencial do projeto. Bruno Cavalcante escolhe temas de maior consistência para ensinar. "É importante que eles aprendam vários gêneros e temas que são reconhecidos pela qualidade. Nós entendemos que educar o ouvido, se abrir para conhecer o que foi produzido no passado, como a bossa-nova, é, tão ou mais importante do que tocar. E eles passaram a entender que a boa música será sempre lembrada."
Na sexta-feira, as aulas do projeto foram retomadas depois do período de férias. A turma com a qual a reportagem conversou, mostrou-se, a princípio, tímida, mas, aos poucos, foi se soltando. Um outro grupo, que seria orientado no horário seguinte, somou aos colegas para falar de suas experiências. Todos têm dez anos e assumiram-se fascinados pela arte musical. Larissa falou do quanto aprender tem ajudado a se tornar uma aluna melhor. "A música faz bem, e nos ajuda a entender melhor muitas coisas."
Gustavo quer seguir carreira. "Depois daqui, vou insistir e tentar ser artista", comentou. David descobriu no violão o encanto das canções que não conhecia: "É bonito ouvir outras músicas, tocar". Ana Laura também pretende buscar o sucesso: "Eu acho lindo o som do violão, as músicas. Quero aprender mais". Izabela é outra que não esconde o fascínio por poder tocar: "A música faz bem, é alegria. A gente sempre espera que a hora da aula chegue logo".
Todos, sem exceção, mudaram depois que passaram a integrar o projeto. Maria Josefina informa que o aprendizado fez com que as crianças melhorassem o comportamento em sala de aula. Além disso, ficaram mais sociáveis e receptivos. "O programa revelou o lado bom da personalidade de cada uma dessas crianças. Eles nos enchem de orgulho porque aprenderam por si mesmos. E vão, com certeza, se tornar boas pessoas, cidadãos conscientes. É a prova do alcance do poder transformador da arte."
A assessoria de comunicação da Prefeitura de Votorantim informou que existe, sim, a disposição de ampliar o alcance do projeto a outras unidades escolares. Já no ano que vem, a medida deverá ser implementada num número maior de estabelecimentos. Ainda não se sabe exatamente em quantos, mas o fato é que o "Violão na Escola", como Maria Josefina batizou a própria ideia, chegará a outras regiões da cidade.
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