Notícia publicada na edição de 15/09/2011 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 4 do caderno D
Rodrigo Gasparini
O estádio dos Castelões ficava na região onde hoje é o bairro da Chave, em Votorantim
A primeira taça do Bentão foi ganha em jogo polêmico contra o XV - Por: Pedro Negrão
Primeira conquista da história do São Bento, a taça que a associação Vamos Subir, Bento! restaurou e devolveu ontem à noite ao clube foi ganha num jogo polêmico. O gol da vitória do Bentão sobre o XV de Piracicaba por 1 a 0 foi marcado numa cobrança de pênalti em que o goleiro quinzista abandonou a meta em protesto contra a arbitragem. Além disso, todo o time piracicabano ameaçou abandonar o jogo ainda no primeiro tempo, indignado com os (alegados) erros do árbitro.
A taça restaurada foi apresentada durante a festa pelos 98 anos da fundação do clube, no Boteco da Bola. O local foi tomado por uma legião de são-bentistas e a festa teve apresentações musicais, homenagens e até choro emocionado do presidente Luís Augusto Manenti.
Disputada no antigo estádio dos Castelões em 23 de setembro de 1917, a partida foi apitada por alguém que, segundo a edição do jornal Cruzeiro do Sul de dois dias depois, "não soube manter a compostura de juiz" e "não agiu com correcção". O jornal não trouxe, na época, o nome do árbitro. O estádio dos Castelões ficava na região onde hoje é o bairro da Chave, em Votorantim. É o mesmo campo onde, dois anos antes, o Palmeiras (então Palestra Itália) disputou o primeiro jogo de sua história.
São Bento e XV de Piracicaba entraram em campo naquele 23 de setembro, um domingo, para decidirem, em 80 minutos, quem ficaria com a taça ofertada por Antonio Venturi, representante da fábrica de cigarros Trapani e Cia, sediada em São Paulo. Naquela época, apesar das regras do futebol já preverem dois tempos de 45 minutos, as partidas no Brasil ainda eram disputadas em dois períodos de 40 minutos (a mudança para a regra "oficial" seria instituída anos depois por decreto do presidente Getúlio Vargas).
A bola começou a rolar às 16h20, com a saída dada pelo XV. Os dois times iniciaram alternando ataques, até que o zagueiro quinzista Lalito, ao tentar interceptar um cruzamento, colocou a mão na bola dentro da área. Foi aí que a polêmica começou. Revoltado com a marcação do pênalti, o capitão da equipe visitante (de quem o Cruzeiro também não trouxe o nome) ordenou que o goleiro Pedro abandonasse seu posto. Assim, coube a Zizi empurrar a bola para a meta vazia e marcar aquele que seria o único gol do jogo. Isso ocorreu, segundo o jornal, "ao som de uma verdadeira tempestade de palmas".
A partida recomeçou em clima tenso. Minutos depois, quando o árbitro ignorou o fato do são-bentista Pallota ter desviado a bola com a mão na área, os quinzistas revoltaram-se de vez. Mais uma vez liderados pelo capitão, o time chegou a sair de campo em protesto, ameaçando abandonar o jogo. "Neste momento intervieram pessoas de destaque de Piracicaba e Sorocaba e conseguiram, depois de muito custa que a equipe do XV prosseguisse no jogo", relatou o Cruzeiro.
Na segunda etapa, a partida teve amplo domínio dos visitantes, empurrados pela torcida que havia viajado de Piracicaba a Sorocaba. Para garantir o resultado, o Bentão se retrancou, como mostra o texto do jornal, com o português da época: "Do S. Bento, nesta phase de jogo, quem mais cavou foi a defesa, que se portou galhardamente. A nossa linha, embora composta com elementos de primeira ordem, quasi nada fez, transpondo raras vezes o campo adverso; faltava-lhes a combinação, base principal do football."
Festa no jornal
Após o apito final, com a vitória são-bentista por 1 a 0, o então presidente do clube, João Capistrano, recebeu a taça. Ele a entregou ao redator-chefe do Cruzeiro à época, J. F. Camargo Pires, que acompanhado por sócios e torcedores do Bentão, levou o troféu até a redação do jornal. No local, "foi servido aos presentes champagne na Taça naquella tarde ganha". Também houve discursos inflamados de representantes do São Bento e da imprensa. No dia seguinte, à noite, uma passeata pelas ruas de Sorocaba -- animada pela banda Santa Cecília --, completou a festa pela conquista do primeiro troféu da história do São Bento.
A taça restaurada foi apresentada durante a festa pelos 98 anos da fundação do clube, no Boteco da Bola. O local foi tomado por uma legião de são-bentistas e a festa teve apresentações musicais, homenagens e até choro emocionado do presidente Luís Augusto Manenti.
Disputada no antigo estádio dos Castelões em 23 de setembro de 1917, a partida foi apitada por alguém que, segundo a edição do jornal Cruzeiro do Sul de dois dias depois, "não soube manter a compostura de juiz" e "não agiu com correcção". O jornal não trouxe, na época, o nome do árbitro. O estádio dos Castelões ficava na região onde hoje é o bairro da Chave, em Votorantim. É o mesmo campo onde, dois anos antes, o Palmeiras (então Palestra Itália) disputou o primeiro jogo de sua história.
São Bento e XV de Piracicaba entraram em campo naquele 23 de setembro, um domingo, para decidirem, em 80 minutos, quem ficaria com a taça ofertada por Antonio Venturi, representante da fábrica de cigarros Trapani e Cia, sediada em São Paulo. Naquela época, apesar das regras do futebol já preverem dois tempos de 45 minutos, as partidas no Brasil ainda eram disputadas em dois períodos de 40 minutos (a mudança para a regra "oficial" seria instituída anos depois por decreto do presidente Getúlio Vargas).
A bola começou a rolar às 16h20, com a saída dada pelo XV. Os dois times iniciaram alternando ataques, até que o zagueiro quinzista Lalito, ao tentar interceptar um cruzamento, colocou a mão na bola dentro da área. Foi aí que a polêmica começou. Revoltado com a marcação do pênalti, o capitão da equipe visitante (de quem o Cruzeiro também não trouxe o nome) ordenou que o goleiro Pedro abandonasse seu posto. Assim, coube a Zizi empurrar a bola para a meta vazia e marcar aquele que seria o único gol do jogo. Isso ocorreu, segundo o jornal, "ao som de uma verdadeira tempestade de palmas".
A partida recomeçou em clima tenso. Minutos depois, quando o árbitro ignorou o fato do são-bentista Pallota ter desviado a bola com a mão na área, os quinzistas revoltaram-se de vez. Mais uma vez liderados pelo capitão, o time chegou a sair de campo em protesto, ameaçando abandonar o jogo. "Neste momento intervieram pessoas de destaque de Piracicaba e Sorocaba e conseguiram, depois de muito custa que a equipe do XV prosseguisse no jogo", relatou o Cruzeiro.
Na segunda etapa, a partida teve amplo domínio dos visitantes, empurrados pela torcida que havia viajado de Piracicaba a Sorocaba. Para garantir o resultado, o Bentão se retrancou, como mostra o texto do jornal, com o português da época: "Do S. Bento, nesta phase de jogo, quem mais cavou foi a defesa, que se portou galhardamente. A nossa linha, embora composta com elementos de primeira ordem, quasi nada fez, transpondo raras vezes o campo adverso; faltava-lhes a combinação, base principal do football."
Festa no jornal
Após o apito final, com a vitória são-bentista por 1 a 0, o então presidente do clube, João Capistrano, recebeu a taça. Ele a entregou ao redator-chefe do Cruzeiro à época, J. F. Camargo Pires, que acompanhado por sócios e torcedores do Bentão, levou o troféu até a redação do jornal. No local, "foi servido aos presentes champagne na Taça naquella tarde ganha". Também houve discursos inflamados de representantes do São Bento e da imprensa. No dia seguinte, à noite, uma passeata pelas ruas de Sorocaba -- animada pela banda Santa Cecília --, completou a festa pela conquista do primeiro troféu da história do São Bento.

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