quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Greve dos Correios deve atrasar entregas

 Notícia publicada na edição de 15/09/2011 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 5 do caderno A -
Telma Silvério

Sindicato diz que 50% dos funcionários aderiram à paralisação. Sedex 10, Sedex Hoje e Disque-Coleta são suspensos
Correios têm serviço afetado - Por: Adival B. Pinto


A greve dos funcionários dos Correios iniciada ontem deve interferir no prazo de entrega das correspondências. Embora seja mantida a entrega diária de cartas e encomendas, a empresa não descarta a possibilidade de atraso aos seus destinatários. Os serviços oferecidos com horário marcado, por exemplo, ficarão suspensos enquanto durarem as negociações. A adesão em Sorocaba, segundo a direção do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de Sorocaba e Região, está em torno de 50%. Já a direção dos Correios calcula 25% de adesão.

O diretor da Zona Postal de Sorocaba, subsede do sindicato, Gilmar Gomes da Silva, diz que a greve por tempo indeterminado foi decidida em assembleia, na noite de anteontem, em São Paulo. Sorocaba conta hoje com cerca de 200 carteiros, inclusive afastados, sendo 900 funcionários ao todo na região abrangida pela entidade, que soma 53 municípios, de Araçariguama a Itararé, informa. Silva explica que a adesão é maior por parte dos carteiros, que aguardam os próximos passos do comando de greve. Já em setores com atendimento - agências e postos -não houve adesão.

Ele explica que os centros de distribuições (CDs) da Zona Norte e do Além-Ponte são os locais com o maior número de funcionários parados. Já o centro de encomendas funciona normalmente, por enquanto sem greve, ressalta. Silva conta que em Sorocaba existem quatro CDs. Em São Roque, Araçoiaba da Serra e Itu houve adesões. Hoje a direção do sindicato pretende conversar com funcionários de Votorantim, onde não houve paralisação. A intenção é trabalhar no sentido de conscientizar sobre os direitos da categoria, esclarece. "Ninguém é obrigado a aderir."

Além do déficit de funcionários em todo o Estado de São Paulo, calculado em mais de 20 mil, os trabalhadores reivindicam aumento real dos salários, de tíquetes, cesta básica e a inflação do período. A categoria afirma estar sem reajuste há dois anos e que, apesar do aumento da inflação no último período, a proposta de reajuste dos Correios permanece em 6,87%. As perdas são calculadas em 24% pelo sindicato. O diretor da Zona Postal explica que os Correios acenaram com abono. "Assim você não tem um aumento real e amanhã já não tem como comer", finaliza.

Prejuízos e propostas

Segundo informação divulgada ontem, em coletiva em Brasília, pelo presidente dos Correios, Wagner Pinheiro de Oliveira, a empresa manterá a entrega diária de cartas e encomendas. Porém, ele não descarta a possibilidade de atrasos devido à greve dos funcionários. Os serviços com hora marcada como Sedex 10, Sedex Hoje e Disque-Coleta foram suspensos. Para minimizar os prejuízos, a empresa colocou em operação um plano de contingência, com contratação de recursos, realocação de empregados e horas-extras.

De acordo com números dos Correios, a paralisação atinge, em média, 32% do efetivo total da empresa. Em alguns setores alcança 40%. No interior do Estado de São Paulo, a média de paralisação é inferior à nacional e está em torno de 25%, informa a empresa. Os benefícios da proposta que a empresa havia feito segunda-feira passada foram destacados. A proposta, segundo ele, representa um aumento salarial final de 13% para 64.427 empregados, ou seja, 60,14% do efetivo total da empresa. Mas com o início da paralisação, a proposta foi retirada. Do concurso público para quase 10 mil funcionários, os Correios teriam contratado mais de 2 mil, enquanto o restante estará trabalhando até novembro.

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