quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Último acusado de chacina vai a júri amanhã

Notícia publicada na edição de 02/11/2011 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 8 do caderno A -
 Wilson Gonçalves Júnior

Quatro anos após o crime, Everson Severino da Silva, o "Maninho", será julgado, mas na cidade de São Roque

Chacina foi em outubro de 2007, numa área do bairro Vossoroca - Por: Arquivo JCS/Luiz Setti

 A defesa alega que as provas não são capazes de confirmar que ¿Maninho¿ participou do crime - Por: Arquivo JCS/Adival B. Pinto

Quatro anos e dois dias depois do crime que ficou conhecido como a chacina de Votorantim, Everson Severino da Silva, o "Maninho", acusado de ser o mandante e também um dos executores dos tiros que mataram cinco jovens, com idade entre 14 e 21 anos, será julgado a partir das 9h de amanhã, pelo tribunal do júri do Fórum de São Roque. Os homicídios aconteceram num mirante, no bairro Vossoroca. Nove testemunhas devem ser ouvidas, cinco de defesa e outras quatro de acusação. A previsão é que o júri termine à noite, após horas de julgamento. Para familiares da vítimas e a acusação, o Ministério Publico, a condenação do réu significará a justiça sendo feita e alívio no fim de uma história trágica. Mas para a defesa do acusado, as provas contidas na denúncia não seriam capazes de confirmar que o réu efetivamente participou do crime.

Outro acusado do crime, Jair Martins, o "Punk", foi levado a júri popular também em São Roque e conseguiu provar sua inocência no dia 3 de setembro de 2009. A absolvição neste caso foi pedida pelo próprio promotor, Wellington dos Santos Veloso, pois a única prova contra o réu não se confirmou no dia do julgamento. O outro acusado, Wellington Barros da Silva, o "Bicho", foi morto cinco dias depois do crime, assassinado por motivo de vingança pelo amigo de uma das vítimas da chacina.

Wellington Veloso acredita na condenação de Everson, que está preso desde o dia 6 de novembro de 2007. Para o promotor, o acusado, além de ter planejado toda a ação e ser o mentor do crime, também participou da execução. Para ele, somente a condenação traria um sentimento de justiça e um pouco de alívio para a família dos cinco jovens assassinados. Entre as testemunhas de acusação será ouvido o delegado Acácio Aparecido Leite, que comandou a investigações pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG). Os outros são um investigador e duas testemunhas protegidas pela Justiça. "Temos convicção, mediante provas, de que Maninho é o culpado e iremos levar isso para corpo de jurados. Entretanto, a decisão de condená-lo ou não será do júri", explicou. O representante do Ministério Público entende que diante do número de testemunhas, apesar que algumas possam ser dispensadas, o júri deve acabar ainda na quinta-feira.

Já para o advogado Glauber Bez, que irá defender o réu, as provas contidas no processo não seriam capazes de comprovar que "Maninho" participou efetivamente do crime. Por isso, sua tese vai se basear na negativa de autoria. Bez não detalhou seus argumentos, para não interferir na opinião do corpo de jurados antes do julgamento. "Farei isso no dia do julgamento e podemos ainda apresentar uma surpresa, que depende ainda se vai ser deferida ou não pela justiça", afirmou. Bez, que é de São Roque e assumiu o caso recentemente, disse que vai aproveitar o feriado para "se debruçar no processo". Adiantou que está programado, inicialmente, ouvir quatro ou cinco testemunhas de defesa. "Neste momento só posso te adiantar que não existem provas para condenação. Acredita que é possível que a sentença seja proferida somente na sexta-feira, porém vai depender se alguma testemunha será dispensada.

Desaforamento

Da mesma forma que ocorreu com Jair Martins, o "Punk", "Maninho" também requereu no Tribunal de Justiça (TJ/SP) o desaforamento. A defesa de ambos, na ocasião, pediu que o foro fosse transferido de Votorantim para outra cidade da região, em virtude do crime ter gerado clamor público, o que poderia interferir na imparcialidade do corpo de jurados. Nas duas oportunidades, a decisão do TJ, favorável à defesa dos réus e que levou o caso para São Roque, foi criticada pelo promotor Wellington Veloso, já que para ele o crime foi praticado em Votorantim e assim deveria ser julgado pela sociedade local.

O crime

A chacina ocorreu no dia 23 de outubro de 2007, por volta das 21h30. Cinco jovens morreram e três sobreviveram. A maioria dos adolescentes estudava na Escola Escola Evilázio de Góes Vieira e havia faltado da aula para namorar. Quatro morreram no local e o quinto chegou a ser levado com vida ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos. Os três sobreviventes fingiram-se de mortos. De acordo com a investigação policial, os jovens foram assassinados porque estavam em área utilizado para tráfico de drogas, comandada por Everson Severino da Silva.

Acabaram vitimados Elvis Aparecido Silva, 16 anos; Mariane Caren da Silva, 15; Danielli Miranda Raimundo, 14 anos; Jhosely Lopes dos Santos, 15; e André Gonçalves Rodrigues, 21 anos. A vítima S.L.F, na época com 18 anos, levou dois tiros no braço e sobreviveu. Dois jovens, um de 16 anos e outro de 15, nada sofreram. Nenhuma das vítimas tinha passagem pela polícia. Já Eduardo Machado, que matou um dos acusados da chacina ("Bicho"), como forma de vingar o assassinato do amigo Elvis Aparecido Silva, foi julgado e condenado a 12 anos de prisão em regime fechado.
 

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